Setor de bares em Curitiba vive guerra de opiniões sobre pandemia
Clube Kotter
14 jun 2020 - 9h54

Donos de bares chamam Greca de covarde; mas nem todo mundo no setor pensa assim

Indignados com ordem de fechamento, empresários declaram guerra a prefeito

Neste sábado (13/6), com o agravamento da pandemia do novo coronavírus, a Prefeitura decretou o fechamento de bares e estabelecimentos de entretenimento com ou sem música. O novo decreto também estabeleceu regras de funcionamento para restaurantes e lanchonetes, delimitando dias, horários e formas de atendimento.

Até este sábado, a Prefeitura não havia decretado o fechamento de nenhum estabelecimento. Medidas limitando funcionamento de bares e casas noturnas foram decretadas pelo Governo do Estado, e revogadas em 25 de maio, como flexibilização das medidas instauradas. Desde o início da pandemia, no entanto, o setor vem enfrentando uma divisão de opiniões, e posicionamentos, sobre qual seria o melhor caminho a seguir.

De um lado, a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) tem pedido a liberação de serviços de buffet, e se movimentando pela reabertura do setor. A entidade solicitou, por exemplo, a liberação de calçadas para bares e restaurantes, e comemorou a reabertura de estabelecimentos e complexos gastronômicos. O Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares de Curitiba (Sindiabrabar) chegou a distribuir um visto de “adequações sanitárias” entre prestadores de serviço da área, mas sem a validação da Vigilância Sanitária do Município – órgão técnico oficial responsável pelo controle de medidas sanitárias.

Por outro lado, cerca de 160 empresários se uniram no movimento “Fechados pela vida”, já que não se sentiam representados pelos discursos das entidades. “Não era consenso entre os empresários que devíamos abrir, mas tínhamos uma representação que só levava um lado, uma opinião, para as mesas de debate”, conta Jana Santos, empresária e uma das líderes do movimento. O grupo pede por medidas econômicas que permitam o fechamento dos negócios durante a pandemia: redução de impostos, linhas de crédito mais acessíveis, diminuição de contas de água e luz, medidas que permitam a negociação dos valores de aluguel.

“Queremos nos manter fechados, mas precisamos de ajuda. Não é possível pagar as contas apenas com delivery – é um sistema que para muitas empresas é insustentável”, diz. “Para nós, que somos os setor que mais emprega na cidade, não houve ajuda”, destacou Jana ao comentar o investimento de milhões em asfalto na cidade, feito pelo poder público.

Ambos os lados querem o mesmo: a manutenção dos negócios e o diálogo com o poder público. No entanto, divergem quanto a melhor forma de atuar durante a pandemia. Com o decreto que regulamento o fechamento de bares e estabelecimentos similares na cidade, a Abrabar “declarou guerra” à Prefeitura de Curitiba, e convocou o setor para se manifestar contra a medida de fechamento. Em mensagem enviada pelo WhatsApp, o presidente da Abrabar Paraná, Fabio Aguayo disse: “Nossa manifestação esta ecoando pelo BRASIL”.

Entidade “declarou guerra” à Prefeitura de Curitiba por conta da medida de fechamento de bares. Imagem: Twitter/AbrabarPr

“Não queremos a reabertura, queremos mais condições para nos manter fechados e assegurar que mais pessoas sejam salvas. […] Essa manifestação está pedindo as coisas erradas, a gente não quer abrir, a gente quer ter condições de fechar”, destacou a empresária diante da postura da entidade. Segunda Santos, o movimento avalia que a decisão de fechamento é uma medida tardia – já que garantiria uma retomada mais rápida, se feita antes. “Infelizmente, por um erro da Prefeitura teremos que ficar fechados mais tempo – e justamente em um momento em que, economicamente, estamos mais vulneráveis”, diz.

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