24 fev 2021 - 17h51

Professores relatam falta de água e máscaras impróprias

Escolas enfrentam casos de Covid-19 e CMEIs fecham, mas Curitiba assegura proteção dos EPIs e mantém aulas presenciais

“As máscaras dadas pela Prefeitura não cabem no rosto das crianças. Fica larga. Sem falar na qualidade”, observa uma mãe. “As crianças vão lanchar, ficam na sala. Todas tiram a máscara. E o professor fica ali, ainda tendo que ajudar a trocar a máscara”, relata a professora. “Logo todas as escolas vão fechar. É impossível este retorno presencial seguro.”

Estes são alguns dos relatos que chegaram ao Plural por profissionais de Educação e pais de alunos da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. As aulas presenciais nas escolas foram retomadas nesta semana e os surtos por coronavírus já fecharam, ao menos, dois Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Além da falta de estrutura, as instituições também enfrentam falta de água.  

“Temos cerca de 20 locais com casos suspeito, aguardando confirmação, e outros 15 com um caso pelo menos já confirmado”, revela Fabiana Caputti, diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), lembrando que dois CMEIs estão fechados por surtos da doença: Bairro Novo e Marechal Rondon, na CIC.

“Hoje uma mãe chegou e disse que o pai estava de quarentena até sábado e que ela tinha feito o teste [para Covid-19], mas tinha dado negativo. A filha não fez o teste. Essa situação não estava escrita no protocolo, não sabíamos se a criança poderia ficar, pois ela pode estar assintomática. Mas o diretor deixou ela ficar”, diz a professora de outra escola.

“Ontem uma criança chegou dizendo que o pai e a mãe estavam de quarentena, aguardando o resultado pra Covid. Ela foi segunda, terça e hoje faltou”, relata uma educadora, que também prefere não se identificar. “O aluno chegou contando que a avó foi fazer teste de Covid e a mãe que levou. Vai ser um caos pois os protocolos de segurança e os EPIs são ineficientes.”

Máscaras distribuídas para profissionais e alunos. Foto: Plural.jor

Segundo levantamento realizado pelo Sismuc e pelo Sindicato dos Servidores Municipais do Magistério de Curitiba (Sismmac), os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foram entregues às instituições de ensino, porém, são de baixa qualidade e em quantidades insuficientes.

“O EPI é algo fundamental para a proteção dos servidores nesse momento, e além de ser recomendado pelas organizações nacionais e internacionais de saúde, deve ser adequado. É um direito nosso como trabalhadores. Diante de todo esse momento de pandemia que estamos passando, e após as declarações da secretária de saúde, terça-feira na Câmara Municipal, de que a cidade pode ter que tomar novas medidas para evitar a propagação da doença, é inaceitável que os servidores passem por mais esse descaso. Com a vida não se brinca”, avalia Fabiana.

Bandeira e água

A mudança da Bandeira Amarela para Laranja – com medidas mais restritivas contra o coronavírus – foi anunciada nesta quarta (24), diante do contágio acelerado da doença, que em poucos dias voltou a lotar Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e Enfermarias nos hospitais da Capital. Ainda assim, as aulas presenciais estão mantidas.

Diante deste cenário, educadores também precisam conviver com a falta de água nas instituições. Esta terça-feira (23), as Escolas Municipais Maria Viezser, em Santa Felicidade, e Newton Borges, no Tatuquara, passaram sem água. A situação foi resolvida no meio da tarde, com a chegada de um caminhão-pipa. A Secretaria de Educação diz que também enviou galões de água. “A falta de água não estava prevista no rodízio, foi uma manobra de obra da Sanepar que gerou falta de abastecimento em algumas ruas ali da região”, justifica a pasta.

A secretaria também diz que a escola Newton Borges não está fechada pois os casos de coronavírus confirmados entre os profissionais aconteceram em épocas diferentes, antes e depois do Carnaval, e “a unidade já passou por sanitização”.

CMEI Bairro Novo está fechado por casos de Covid-19. Foto: Sismuc

R$ 1,2 milhão em máscaras

A Secretaria Municipal de Educação (SME) de Curitiba informa que, desde 2020, já adquiriu 615 mil máscaras reutilizáveis (ao custo de R$ 1,2 milhão – R$ 1,95 cada), 675 tapetes sanitizantes (R$ 58,6 mil), 1,5 mil termômetros infravermelhos (R$ 207 mil), 1,5 mil totens para álcool em gel (R$ 270 mil).

“A Secretaria de Administração e de Gestão de Pessoal também adquiriu e forneceu à Educação 3,4 mil faces shields, 1,3 mil luvas de látex, 11,2 mil litros de água sanitária, 28,7 mil litros de álcool 70% líquido, 45,5 mil litros de álcool 70% em gel, 22,4 mil litros de desinfetante, 84,3 mil máscaras de tecido não descartáveis e 28 mil litros de sabonete líquido”, responde a SME, em nota.

Entre o material de limpeza adquirido pela Educação há álcool em gel e líquido 70%, papel toalha, sabonete, água sanitária, ao custo de R$ 234 mil até agora. “Para pequenos gastos do dia a dia, os diretores também podem utilizar o dinheiro do Fundo Rotativo, programa que repassa recursos financeiros diretamente às unidades, para a manutenção e outras despesas relacionadas com as atividades educacionais.”

A Prefeitura destaca que repassou, em fevereiro, a primeira parcela do Fundo Rotativo de 2021. “Foram R$ 3,36 milhões diretamente nas contas de escolas, Centros Municipais de Atendimento Infantil (CMEIs) e Centros Municipais de Atendimento Educacional Especializado (CMAEEs).”

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Um comentário sobre “Professores relatam falta de água e máscaras impróprias

  1. Trabalho na Educação Infantil e relato que recebi apenas duas máscaras de tecido, que não tem a menor condição de ser usada, totalmente fora do padrão que a OMS diz ser a correta. E além doa mais duas máscaras não são suficientes para nos precaver, tendo em vista que precisamos trocar a mesma de 2 a 4 horas e devido ao rodízio que está ocorrendo não temos como lavar todos os dias. Entre tantas mais barbáries que vem ocorrendo.

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