Como será o retorno presencial na Rede Municipal de Curitiba | Jornal Plural
16 fev 2021 - 21h56

Como será o retorno presencial na Rede Municipal de Curitiba

Há protocolos de segurança, opção de ensino e reforço no transporte, mas casos já confirmados de Covid-19 em escolas e CMEIs

Após quase um ano de escola fechadas, a Rede Municipal de Curitiba retoma as aulas presenciais nesta quinta-feira (18). São 140 mil crianças, das quais 85,4 mil (61%) vão voltar para as salas de aula, conforme anunciou a Secretaria Municipal de Educação.

A escolha pelo modelo de estudo é dos pais, que assim como as escolas, devem seguir regras de segurança para evitar a propagação do coronavírus. Entre elas, distanciamento físico, uso obrigatório de máscaras e álcool em gel, aferição de temperatura, limpeza constante dos ambientes e salas com metade dos alunos.

Nos dias 18 e 19 os pais devem ir até as instituições de ensino para orientações. É possível optar pelo formato híbrido (presencial + videoaulas) ou remoto (videoaulas + atividades impressas). Os que escolherem as aulas presenciais irão para a escola por escala, em grupos divididos por turmas e dias.

A Secretaria de Educação diz ter investido R$ 2 milhões em itens de prevenção à Covid-19, como produtos de limpeza e máscaras – serão distribuídas quatro para cada aluno. Cada instituição terá um comitê interno para seguir as orientações do Protocolo de Retorno das Atividades Presenciais.

A pasta chamou 94 professores aprovados no concurso de 2016 e 10 inspetores do concurso de 2015. Outros 125 professores foram contratados pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS).

As escolas também continuarão a fornecer os kits alimentação para todos os alunos matriculados.

Transporte

Com maior movimento no trânsito e no transporte coletivo, os ônibus terão 19 linhas com reforço nos horários de pico e só poderão circular com até 70% de ocupação – o que já devia estar ocorrendo, mas não está. A Urbanização de Curitiba (Urbs) estima que três mil estudantes da Rede Municipal voltem a utilizar o transporte público do município.

“Todas as estações-tubo possuem displays de álcool gel, os terminais têm marcações de distanciamento e termômetros, além de saboneteiras com álcool gel. Sanitizações especiais seguem sendo realizadas no transporte coletivo. O uso de máscara dentro do ônibus é obrigatório”, lembra a Prefeitura.

O cartão do estudante, suspenso em 2020, volta a funcionar, assim como as vans escolares, que somam 937 cadastradas e só podem circular com 50% da ocupação máxima.

Riscos

Apesar de todas as medidas de segurança, as contaminações no ambiente escolar começaram antes mesmo do retorno dos alunos. Na semana passada, conforme mostrou o Plural, durante as reuniões pedagógicas, houve três casos confirmados em escolas e um de diretora de CMEI, além de outros vários suspeitos na Capital.

“Avaliamos que será muito ruim esse retorno nesse momento em que ainda não há redução suficiente nos casos, Curitiba passa por uma oscilação. As escolas e CMEIs que temos hoje são as mesmas do início da pandemia, não houve reformas, adequações nas estruturas para receber os alunos, com um mínimo de segurança. O protocolo da Prefeitura é insuficiente para garantir a segurança das crianças e dos trabalhadores da Educação”, avalia Fabiana Caputti, diretora do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc).

“Após os casos confirmados, pedimos testagem e afastamento dos trabalhadores das unidades e, até o momento, silêncio total dessa gestão”, diz a diretora, lembrando as falhas no protocolo de volta às aulas apontadas pelos sindicatos e o estado de greve aprovado pela categoria.

Atividade Essencial

Para garantir legalmente o retorno presencial, a Prefeitura deve se valer da nova lei aprovada nesta terça-feira (16) na Câmara dos Vereadores. Ela transforma a Educação em atividade essencial durante a pandemia do coronavírus. Com isso, as instituições poderão permanecer abertas mesmo com os casos em alta, salvo determinação contrária do Poder Executivo.

A votação de hoje foi em segundo turno e aprovada em regime de urgência por 22 dos 38 vereadores de Curitiba. A maioria também negou a emenda para condicionar a aplicação da lei à vacinação dos profissionais de Educação, que seguem sem imunização na Capital.

Veja como votou cada vereador no PL da Educação. Foto: Reprodução CMC

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Um comentário sobre “Como será o retorno presencial na Rede Municipal de Curitiba

  1. Em agosto de 2020, o prefeito dizia não querer ser um Herodes e, por isso, a opção de não retomada das aulas presenciais (https://www.plural.jor.br/colunas/caixa-zero/greca-diz-que-nao-vai-ser-herodes-e-mantem-escolas-fechadas/).

    Passados seis meses, o que mudou?

    Vejamos o número de casos de Covid-19 (média de 7 dias) em Curitiba:

    10/08/20: 500 casos. Média de óbitos: 18.
    10/02/21: 415 casos. Média de óbitos: 10.

    10/08/20: 355 leitos SUS-UTI ativos, ocupação de 82,82%.
    10/02/21: 371 leitos SUS-UTI ativos, ocupação de 74,39%.

    (Fonte: https://www.plural.jor.br/noticias/vizinhanca/monitor-covid-19-curitiba/)

    Conclusão: seis meses depois, objetivamente, a pandemia continua assolando a cidade. Os números da transmissão na comunidade altíssimos. Logo, não deveria haver retorno às atividades presenciais em escolas.

    Então, o que justificaria que Prefeitura e Câmara Municipal tenham decidido pela volta às aulas presenciais?

    É a roleta-russa-curitibana em ação. Brasileiros, velhos e novos, inclusive crianças, sendo conduzidos à doença, às sequelas da doença, à morte. Irônico que tenha sido o próprio Greca a lançar a carapuça… Greca e vereadores, os Herodes modernos.

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