No trimestre set-nov, imposto saltou de R$ 206,8 milhões em 2023 para R$ 269,7 milhões em 2025 — alta de 30,4%, três vezes e meia a inflação do período na capital.
A arrecadação do IPTU em Curitiba cresceu 30,4% em dois anos no mesmo trimestre comparável — o período de setembro a novembro, quando grande parte das últimas parcelas do imposto cai na conta da Prefeitura. É o que mostra o cruzamento feito pelo Plural a partir dos dados abertos oficiais da Prefeitura, que publicam a execução das receitas municipais por código de rubrica.
Em números absolutos, somando IPTU principal, multas, juros e recuperação de dívida ativa, a arrecadação passou de R$ 206,8 milhões no trimestre set-nov de 2023 para R$ 236,8 milhões em 2024 (+14,5%) e R$ 269,7 milhões em 2025 (+13,9%).
| Ano | Setembro | Outubro | Novembro | Total do trimestre |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | R$ 62,96 mi | R$ 82,28 mi | R$ 61,59 mi | R$ 206,82 mi |
| 2024 | R$ 93,25 mi | R$ 81,01 mi | R$ 62,52 mi | R$ 236,79 mi |
| 2025 | R$ 91,52 mi | R$ 94,64 mi | R$ 83,59 mi | R$ 269,75 mi |
Arrecadação do IPTU em Curitiba — mesmo trimestre (set-nov), em R$. Fonte: Base de Receitas da Prefeitura (dados abertos). Código de receita 1112.50.* (IPTU, STN).
Três vezes e meia a inflação
No mesmo intervalo, o IPCA da Região Metropolitana de Curitiba, calculado pelo IBGE, acumulou 8,7%. Ou seja: em valores nominais, a arrecadação cresceu três vezes e meia a inflação. Descontada a alta dos preços, o IPTU cresceu cerca de 20% em termos reais.
O crescimento real foi semelhante ano a ano: 10,3% de 2023 para 2024 e 8,9% de 2024 para 2025.
Dívida ativa cresceu ainda mais rápido
A conta inclui a cobrança de parcelas atrasadas de IPTU inscritas em dívida ativa do município. Esse componente — que mede o quanto a Prefeitura recupera de contribuintes inadimplentes — teve alta ainda mais acentuada que o imposto corrente.
- 2023 (set-nov): R$ 29,0 milhões em dívida ativa de IPTU (principal + multas e juros)
- 2024 (set-nov): R$ 52,8 milhões (+82%)
- 2025 (set-nov): R$ 46,2 milhões (+59% frente a 2023)
A alta reflete tanto o avanço nas ações de cobrança da Procuradoria Geral do Município quanto o acúmulo de inadimplência de anos anteriores. A Prefeitura vem apertando a cobrança judicial de devedores desde o governo Greca — em 2021, arrecadou R$ 123 milhões com dívidas de IPTU, mais que o dobro dos R$ 58 milhões previstos. Já a arrecadação corrente — só a parcela principal do IPTU do próprio ano — saiu de R$ 175,9 milhões no trimestre de 2023 para R$ 220,8 milhões em 2025, alta de 25,5%.
O que explica a alta
Dois fatores pesam na conta:
- O reajuste do valor venal, aprovado pela Câmara de Vereadores em dezembro de 2022 (com redução nas mansões e aumento em imóveis populares, segundo simulação do Plural), que passou a valer em 2023. Na primeira parcela daquele ano, a arrecadação subiu 57%; em outubro de 2023, o Plural mostrou que, pela LOA de 2024, o reajuste elevaria a arrecadação do imposto em 25% em dois anos.
- A correção anual da base de cálculo pela inflação: em 2024, por exemplo, a Planta Genérica de Valores subiu 4,68%, o IPCA de 2023.
No fim de 2025, os vereadores aprovaram uma nova Planta Genérica de Valores, em votação que deve custar a Pimentel um vereador da base. O reajuste ficou limitado a 18% mais IPCA de 2026 a 2029. Segundo o projeto aprovado, cerca de 784 mil imóveis terão só a correção pela inflação, 61 mil serão atingidos pela nova planta e 135 mil ficarão isentos. A mudança deve manter a trajetória de alta na arrecadação deste ano.
2026 em ritmo recorde — mas a janela não é comparável
Nos dados abertos mais recentes, referentes a junho, julho e agosto de 2026, a arrecadação de IPTU em Curitiba já chegou a R$ 287,7 milhões no trimestre — mais do que qualquer trimestre dos anos anteriores. O período, no entanto, cobre meses diferentes do calendário fiscal (parcelas intermediárias, não finais) e não é diretamente comparável com os blocos set-nov.
Mesmo assim, a média mensal — R$ 95,9 milhões no trimestre jun-ago/2026 — já supera a média de R$ 89,9 milhões/mês registrada em set-nov/2025.
Para onde vai o dinheiro
O IPTU é a segunda maior receita tributária própria da Prefeitura de Curitiba, atrás do ISS. No trimestre set-nov de 2025, o ISS rendeu R$ 671,6 milhões, contra R$ 269,7 milhões do IPTU e R$ 158,4 milhões do ITBI. O ISS deu um salto depois que a cobrança de parte do imposto passou para a cidade de quem contrata o serviço. Pela Constituição, pelo menos 25% da arrecadação de impostos deve ser aplicada em educação e 15% em saúde. O restante compõe a receita livre para despesas correntes (folha, custeio) e investimentos.
Em reportagem de maio de 2024, o Plural mostrou que a Prefeitura previa triplicar a arrecadação do IPTU: de R$ 617 milhões em 2016 para R$ 1,7 bilhão em 2027, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025. Para os próximos anos, a LDO de 2026 prevê um ritmo mais lento: alta de 19% no IPTU entre 2025 e 2028, depois de 45% entre 2020 e 2024.
Como foi feito o levantamento
Os valores foram extraídos da base aberta de receitas da Prefeitura. Foram somadas todas as receitas que agrupam o IPTU em quatro subcategorias (principal, multas e juros, dívida ativa principal e dívida ativa com multas e juros), filtradas apenas as receitas orçamentárias.
A base publica janelas de três meses por lote, o que torna a comparação direta entre o trimestre set-nov confiável para os anos de 2023, 2024 e 2025. A janela mais recente, de junho a agosto de 2026, é apresentada à parte porque abrange meses diferentes do calendário de parcelas. O IPCA de Curitiba utilizado como deflator é o índice regional da RM Curitiba, calculado pelo IBGE (tabela 7060 do SIDRA); a comparação usa a média do índice em setembro, outubro e novembro de cada ano.
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Perguntas frequentes sobre a arrecadação do IPTU em Curitiba
Quanto Curitiba arrecadou com IPTU em 2025?
Nos dados abertos disponíveis para o trimestre set-nov de 2025, a arrecadação do IPTU em Curitiba — somando principal, multas, juros e dívida ativa — foi de R$ 269,75 milhões. A base pública da Prefeitura ainda não divulgou o total consolidado do ano completo; esse valor é publicado posteriormente no Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO).
Por que o IPTU cresceu tanto em Curitiba?
Dois fatores explicam a alta: o reajuste do valor venal aprovado pela Câmara em dezembro de 2022, que passou a valer em 2023, e a correção anual da base de cálculo pela inflação (IPCA). Para 2026, a Câmara aprovou uma nova Planta Genérica de Valores, com reajuste limitado a 18% mais IPCA.
Para onde vai o dinheiro arrecadado com o IPTU?
O IPTU é a segunda maior receita tributária própria da Prefeitura de Curitiba, atrás do ISS. Pelo mínimo constitucional, 25% da arrecadação de impostos municipais deve ir para a educação e 15% para a saúde. O restante compõe a receita livre, usada em despesas de custeio (folha de pagamento, manutenção) e em investimentos aprovados no orçamento anual.
Quanto cresceu a cobrança de IPTU em dívida ativa em Curitiba?
A recuperação de dívida ativa do IPTU em Curitiba subiu de R$ 29 milhões no trimestre set-nov de 2023 para R$ 46,2 milhões no mesmo trimestre de 2025 — alta de 59% em dois anos. O resultado reflete tanto o aumento nas ações de cobrança da Procuradoria Geral do Município quanto o acúmulo de inadimplência de exercícios anteriores.