O governador eleito Sergio Moro (PL) demonstrou apoio ao casal de delegados Tathiana Guzella e Tito Barrichello no caso em que os bolsonaristas foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por terem feito uma operação policial classificada como clandestina em março de 2024. Moro fez o comentário no vídeo em que o deputado e a vereadora de Curitiba culparam a imprensa pela divulgação da denúncia, no último dia 19.
Senador da República e ex-juiz responsável por autorizar as operações policiais da Lava Jato, Moro demonstrou apoio público a um casal denunciado por abuso de autoridade pelo MPPR – eles estavam licenciados de seus cargos de delegado e utilizaram armas de insígnias da Polícia Civil. A própria Tathiana Guzella confirmou no mesmo dia da ação que ninguém havia sido preso.
Ação foi transmitida pela Rede Massa
Em março de 2024, Barichello e Guzella divulgaram em suas redes sociais que cumpriam um mandado de prisão contra um homem que estaria ameaçando um advogado de Curitiba. Eles já estavam afastados da Polícia Civil – Tito era deputado estadual e Tathiana Guzella era assessora parlamentar do deputado federal Felipe Francischi (Podemos). Mesmo assim, utilizaram coletes da Polícia Civil e a suposta operação foi virou pauta na Rede Massa.
A Polícia Civil disse desconhecer a operação no bairro Bacacheri. No dia 19, a 2ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba denunciou o casal e um agente da Polícia Civil – que também estava licenciado, já que tem um cargo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Eles foram denunciados à Justiça por abuso de autoridade e promoção pessoal com finalidade eleitoral. O terceiro policial seria Adailton Joaquim Cândido, assessor no Bloco Parlamentar da Segurança Pública da Alep, liderado por Barichello.
Segundo o MPPR, a Corregedoria da Polícia Civil confirmou que os três utilizaram um veículo particular equipado com sinalizador luminoso e coletes balísticos com insígnias e distintivos da corporação. A Corregedoria classificou a operação como "clandestina", que teria afetado "a dignidade institucional e a própria imagem da Polícia Civil perante a sociedade paranaense".
"Toda a ação foi acompanhada ao vivo por uma equipe de uma emissora de televisão e divulgada nos perfis pessoais dos denunciados em redes sociais. Nas publicações, a diligência foi associada à busca por um suspeito de mandar matar um advogado, finalidade diversa daquela que constava da ordem judicial, expedida por descumprimento de medida protetiva de urgência", informou o MPPR no dia 19.

Feita no dia 11 de outubro pelo MPPR, a denúncia à Justiça sustenta que os denunciados “utilizaram-se de seus cargos de delegados de polícia e de agente de polícia judiciária e invocaram a condição de agentes públicos policiais para obter vantagem indevida, consistente na projeção pessoal e impulsionamento eleitoral decorrente da divulgação televisiva e em redes sociais da diligência que realizavam”.
Nova versão
Na semana passada, Tito Barichello e Tathiana Guzella publicaram um vídeo com uma versão diferente – o alvo da operação seria um homem que ameaçava sua ex-companheira, o que não foi revelado em março de 2024.
"Sendo policial, o que você escolheria, salvar a vida de uma mulher ameaçada de morte pelo ex-marido ou ficar em casa assistindo TV?", questionou Tathiana Guzella no vídeo apoiado por Sergio Moro. "Nós escolhemos proteger a mulher e salvar uma vida", disse Barichello. Em seguida, a deputada estadual eleita culpou a imprensa pela divulgação da denúncia à Justiça. "E nas vésperas da eleição, uma parte da imprensa, estranhamente, trouxe esse fato de dois anos e meio e, novamente, contou só um pedaço da história, sem ouvir a vítima que nos pediu socorro naquele mesmo dia".
Na época, Tito disse em suas redes sociais que a operação seria para proteger um advogado ameaçado de homicídio. "Estamos trabalhando porque buscamos o cumprimento de mandado de prisão expedido, relacionado a um grande advogado daqui de Curitiba que foi vítima aparentemente de uma tentativa de homicídio", afirmou o deputado estadual. Em seguida, Tathiana Guzella afirmou que ninguém tinha sido preso. "Hoje a gente não conseguiu. Por enquanto, mas a gente vai continuar procurando".
Em entrevista à RIC Record Paraná, o delegado Rodrigo Brown disse que o mandado de prisão foi expedido por descumprimento de medida protetiva. Tito Barichello afirmou à emissora que o suspeito estaria ameaçando o advogado de sua ex-mulher, Igor Ogar, e que utilizou seu próprio armamento na operação. À RIC, o advogado negou que tenha procurado o casal. O suspeito teria sido preso posteriormente, por não pagar pensão alimentícia.