Clientes da Amil em Curitiba e Região Metropolitana relatam que vêm enfrentando dificuldades para dar continuidade ao tratamentos contra o câncer no IOP (Instituto de Oncologia Paraná). Segundo eles, a Amil os direcionou ao Hospital Erasto Gaertner contra sua vontade. Eles dizem ainda que foram procurados pelo próprio hospital, que já teria seus dados, pelo WhatsApp. Pelo menos 400 pacientes teriam entrado em contato com o IOP informando o problema.
Desde fevereiro deste ano, uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) garante a continuidade do atendimento dos pacientes no IOP. A Amil alega que as autorizações para procedimentos e exames de seus clientes em tratamento no IOP estão regulares e sem atrasos, mas confirma que há uma mudança em curso, que estaria de acordo com a legislação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Os pacientes argumentam que já estabeleceram vínculo com médicos e equipes do IOP e que não querem ser transferidas. Diagnosticada com câncer de mama em 2020, uma beneficiária que faz quimioterapia no IOP disse que foi avisada sobre a transferência em fevereiro, por um e-mail enviado pela Amil. Ela teria sido informada que seus dados tinham sido passados para o Erasto Gaertner.
Na Justiça
O IOP ajuizou a ação contra a Amil após ser comunicado sobre alterações no contrato de credenciamento que poderiam levar à retirada da clínica da rede da operadora. De acordo com o IOP, o contrato com a Amil era mantido desde abril de 2015 e 1.818 pacientes de Curitiba e de outros municípios da Região Metropolitana vinham recebendo o tratamento.

A Amil alegou no processo que o número de pacientes era menor, que os beneficiários haviam sido comunicados sobre a mudança e que poderiam continuar seus tratamentos por meio de outros prestadores, incluindo o Hospital Erasto Gaertner. A liminar foi concedida pela concedida pela juíza Adriana Benini no dia 24 de fevereiro de 2026.
A decisão foi mantida pela magistrada em 3 de setembro, "para determinar que a ré (Amil) assegure a continuidade da assistência aos beneficiários vinculados aos tratamentos objeto da presente demanda, abstendo-se de promover o descredenciamento da autora sem a observância das exigências previstas no art. 17 da Lei nº 9.656/98 e na regulamentação da ANS, especialmente quanto à comunicação dos beneficiários e à disponibilização de prestador equivalente apto a garantir a continuidade dos tratamentos em curso", sob pena de multa diária de R$ 1.000, limitada a R$ 100 mil.
O que diz a Amil
A assessoria do Hospital Erasto Gaertner informou que não vai se manifestar sobre o assunto.
Segue a nota da Amil:
A Amil informa que as autorizações para procedimentos e exames de seus beneficiários em tratamento no IOP estão regulares e sem atrasos. Esclarece também que a mudança em curso está em conformidade com a legislação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e em acordo com decisão judicial favorável à substituição do prestador de serviços, publicada em 3/9/2026, pelo Tribunal de Justiça do Paraná (Processo nº 0003970-76.2026.8.16.0001).
Vale destacar que a operadora está oferecendo a seus beneficiários em tratamento a opção de realizar ou não a migração para outra instituição, que é referência nacional e que oferece todos os níveis de atendimento para pacientes oncológicos, incluindo terapias ambulatoriais, internações e transplantes. Durante essa mudança, a operadora registrou apenas duas demandas em sua Ouvidoria, que estão sendo devidamente tratadas, e reitera que permanece à disposição de seus beneficiários.
