Em nota divulgada nesta quinta-feira (24) para comentar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que determinou a remoção de seu perfil no Instagram, o candidato suspenso ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) disse preferir a realização de uma nova eleição caso tenha sua candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na nota, o ex-procurador da Lava Jato demonstrou não se preocupar com os custos exigidos para a organização de uma nova eleição, nem com o desgaste político que seria gerado pela situação. Ele deu a entender que o principal objetivo de sua candidatura é impedir a eleição da candidata do PT Gleisi Hoffmann.
"Quando eu não posso fazer campanha, a Gleisi ganha. E, se eu ganhar a eleição, ainda que me tirem depois, a Gleisi perde, porque haverá nova eleição e elegeremos juntos um candidato de direita."
Deltan Dallagnol, em nota divulgada nesta quinta-feira (24)

Dallagnol voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Deltan, o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques, que deu a liminar para suspender sua campanha, no último dia 8, é "amigo do Moraes". Na terça-feira (21), o pleno do TSE manteve a campanha suspensa por 5 votos a 2 – só votaram para derrubar a liminar os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques, indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
"A Justiça Eleitoral me deu um dia para eu derrubar o meu Instagram. Eu sou o único candidato da história do Brasil proibido de fazer campanha graças ao amigo do Moraes e do amigo do amigo do meu pai", afirmou. "Sou candidato, meu número está na urna, estou com o registro deferido e as pessoas podem votar e pedir voto em mim. Mas eu não posso falar".
Lei da Ficha Limpa e "ditadura"
Deltan teve o mandato de deputado federal cassado em 2023 pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa, cuja aprovação ele mesmo defendeu. Agora, atribuiu a possível decretação de sua inelegibilidade a uma "ditadura do Lula e do Moraes".
"Agora querem tirar até a minha voz no Instagram. A voz que tem denunciado os abusos do STF e do ministro Alexandre de Moraes, que tem falado sobre a corrupção e sobre tudo o que está acontecendo no nosso país", disse o candidato suspenso. Ele não citou que a decisão pela remoção do seu perfil do Instagram não é do STF nem do TSE, mas do TRE-PR, que no dia 8 de setembro aceitou o registro de sua candidatura por 4 votos a 3.
"Este é um alerta sobre o momento que vivemos. Eu não posso pedir voto para mim. Eu não posso fazer campanha. Mas posso dizer que, no dia 4 de outubro, os brasileiros podem votar em senadores que vão lutar pela liberdade de expressão e para que a ditadura de Lula e Moraes não vença", afirmou o ex-procurador.
Segundo especialistas em Direito Eleitoral, se Deltan Dallagnol for eleito e o TSE decidir depois da eleição que ele está inelegível, todos os votos dados ao ex-procurador serão anulados. Neste caso, será necessária a realização de uma nova eleição para a escolha da segunda vaga do Paraná no Senado. Isso também poderá ocorrer se o TSE considerar Deltan inelegível quando as urnas eletrônicas já estiverem lacradas, sem possibilidade de retirar o nome do candidato.
"Candidatura nunca foi séria", diz advogado do PT
Para o advogado da Federação Brasil da Esperança no Paraná, Luiz Eduardo Peccinin, o objetivo de Deltan Dallagnol sempre foi eleger um candidato de direita em uma eleição extra para o Senado. "Desde o início do ano temos denunciado a verdadeira intenção de Deltan Dallagnol em registrar uma candidatura sabendo que estava inelegível: forçar a anulação das eleições para eleger um aliado em novo pleito suplementar".
Ele destacou que, após a decisão do TSE, o ex-procurador e aliados, como o candidato ao Senado Filipe Barros (PL) vêm fazendo propaganda irregular. "Agora que o plenário do TSE confirmou que ele é, de fato, Ficha Suja, Deltan confirma nossas alegações e assume que sua candidatura nunca foi séria. Mesmo com sua candidatura suspensa, ele e seus aliados têm procurado descumprir a decisão do TSE e seguir enganando o eleitorado paranaense".
