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Comerciantes indígenas temem por segurança após inclusão em lista de boicote em Santa Amélia

Dentre os comércios incluídos na lista, três são comandados por mulheres indígenas

Comerciantes indígenas temem por segurança após inclusão em lista de boicote em Santa Amélia
Mais de 56% dos eleitores de Santa Amélia votaram em Flávio Bolsonaro Foto: Tami Taketani/Plural

Comerciantes do pequeno município de Santa Amélia, situado no norte pioneiro do Paraná, a cerca de 100 km de Londrina, temem pela própria segurança após a inclusão de seus estabelecimentos em uma lista de boicote a “petistas” que circula pela cidade. Com pouco mais de 3,3 mil habitantes e um eleitorado de cerca de 2,9 mil pessoas, no segundo turno Santa Amélia depositou 56% dos votos no candidato do PL, Flávio Bolsonaro, e 43% no presidente Lula (PT), reeleito para o quarto mandato. Em números absolutos, foram 1.365 votos para o bolsonarista e 1.032 para o petista. A abstenção foi semelhante à nacional, de 19%.

Nos dias seguintes ao resultado começou a circular, a partir de um grupo de whatsapp de bolsonaristas, uma lista intitulada “Não compre em comércios que apoiam o PT”. Nela, constam 18 estabelecimentos, entre academia, padaria, lojas e clínicas. Três deles são comandados por mulheres indígenas. Santa Amélia abriga a Terra Indígena Laranjinha. 

É o caso da Clínica Jacintho, da médica Valéria Jacintho. Ela conta que se preocupa com a própria segurança e a das funcionárias, além de depredações no estabelecimento, que funciona em sala alugada.

“A minha preocupação nem é tanto de prejuízo financeiro, porque a gente já vem de uma história de tantos sofrimento, de tantas perseguições…Meu maior medo é a disseminação do ódio, porque a gente sabe que o bolsonarismo é capaz de tudo, até de matar, como já vem acontecendo por aí. Então, além do prejuízo financeiro que a gente pode sofrer, meu medo maior é sofrer agressões físicas, ter nosso estabelecimento invadido, depredado”, desabafa.

Dentre as violências citadas pela médica indígena, nos dias seguintes ao resultado do segundo turno, ondas de ataques contra apoiadores do presidente reeleito foram registradas em redutos bolsonaristas, como os municípios de Goiânia e Rio Verde (GO) e o estado do Mato Grosso do Sul (MS). Nesse último, inclusive, contra povos indígenas.

Listas de boicotes a estabelecimentos que se posicionaram a favor do presidente Lula circulam em diversas cidades e estados. No Rio Grande do Sul (RS), uma decisão judicial ordenou a retirada do ar de listas com esse objetivo no município de Campo Bonito.

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Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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