Youtube barra monetização de vídeos infantis | Plural
5 set 2019 - 15h38

Youtube barra monetização de vídeos infantis

Empresa é multada em US$ 170 milhões por coletar dados de crianças para exigir publicidade direcionada

A plataforma de vídeos do Google, o Youtube, vai impedir a coleta de dados de usuários que assistem vídeos infantis para veicular publicidade direcionada. Essa é uma das medidas que a empresa irá implantar nos próximos quatro meses anunciadas no último dia 4, depois da empresa ser multada em US$ 170 milhões por coletar dados pessoas de crianças e usar para publicidade.

A coleta de dados de crianças sem o consentimento dos pais é uma violação da legislação americana. A multa contra o Youtube foi aplicada por duas instituição. A Federal Trade Commission (FTC) determinou o pagamento de US$ 136 milhões, a maior multa aplicada pela instituição ao Google até o momento, enquanto outros US$ 34 milhões deverão ser pagos ao Estado de Nova Iorque.

Até o momento, o Youtube alegava que seu sistema é para uso de pessoas com mais de 13 anos e que, portanto, a coleta de dados estava estipulada e aceita nos termos de uso com os quais o usuário concorda para aderir a plataforma. Mas segundo a plataforma de análise de dados de redes sociais Tubular, como noticiado pela Wired, em abril de 2019, 12 dos 20 vídeos mais vistos no site eram destinados a crianças.

A investigação da FTC, no entanto, concluiu que a empresa não só sabe que as crianças a utilizam, como utilizada os dados de uso para promover seus produtos juntos a anunciantes e lucrava com isso.

Multa sem impacto

Apesar da multa ter sido a maior aplicada ao Google, a decisão teve a oposição de dois dos cinco responsáveis por analisar o caso. O comissário democrata Rohit Chopra disse que as violações da empresa são “extremamente graves” e que a multa permite que ela continue a lucrar com o desrespeito as regras.

No início desse ano o Facebook foi multado em US$ 5 bilhões pela mesma razão.

Desde o início do ano, o Google anunciou algumas medidas para impedir da plataforma por crianças e barrar a interação delas com conteúdo inapropriado. Por exemplo, impor limitações a vídeos em que aparecem crianças desacompanhadas.

Nenhum, no entanto, afetava a receita que a empresa tem com a veiculação de publicidade para os pequenos.

Agora o Youtube diz que em quadro meses, a contar a partir de 4 de setembro, a plataforma deixará de coletar dados de quem assiste vídeos para crianças, tratando todos como menores de 13 anos. Também irá deixar de exibir anúncios direcionados e bloquear comentários e alertas.

As medidas deverão impactar principalmente a fonte de receita de milhares de canais destinados a crianças. Ou seja, esses canais deixarão de receber dinheiro de publicidade e os vídeos deixarão de veicular propaganda.

As medidas não afetam o Youtube Kids, plataforma da empresa para crianças e que já não veicula publicidade administrada pelo Google. Mas o aplicativo é usado por inúmeros canais para faturar com a exibição de brinquedos e produtos para crianças.

No Brasil, a estratégia é extremamente popular entre as crianças, que ficam hipnotizados pelas imagens de crianças e adultos abrindo embalagens e brincando com as últimas novidades da indústria de brinquedos. E também entre as empresas, que constroem relacionamentos com os youtubers mas populares.

Irmãos Neto

Um dos Youtubers mais populares do país, Felipe Neto, repercutiu na sua conta no Twitter a multa e a decisão do Youtube de não veicular mais publicidade em vídeos infantis. Neto tem como público adultos, mas sua empresa também é responsável pelo canal do irmão dele, Lucas Neto, cujo público é de crianças.

Segundo Felipe, a estratégia do canal Lucas Neto mudou para se preparar para o momento em que a publicidade nos vídeos não pudesse mais ser fonte de receita do canal. Nos últimos doze meses, Lucas mudou a linguagem do canal, lançou uma linha de produtos que inclui livros e brinquedos. Mas principalmente, lançou um programa no Netflix e tem feito um tour pelo país se apresentando em teatros.

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