O Brasil sai às ruas para tentar salvar suas universidades | Plural
15 maio 2019 - 22h58

O Brasil sai às ruas para tentar salvar suas universidades

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) conseguiu um feito inédito: reunir dezenas de milhares de pessoas em diversas capitais do país para defender o ensino…

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) conseguiu um feito inédito: reunir dezenas de milhares de pessoas em diversas capitais do país para defender o ensino superior e as universidades federais. Curitiba, sede de três instituições afetadas pelos cortes de recursos e de bolsas, foi uma das cidades do país com maiores manifestações: a “República” que meses atrás deu 75% dos votos a Bolsonaro pôs nesta terça-feira 15 mil pessoas nas ruas de manhã e mais 6 mil à noite. Indícios de que o governo não demorou e perder popularidade e prestígio.

Pela manhã, os protestos ocorreram mesmo sob chuva. À noite, as pessoas saíram às ruas apesar do frio. Nos dois momentos, exigiram o desbloqueio dos 30% de verbas de custeio tirados de UFPR, UTFPR e Instituto Federal. Somadas, as três instituições e a Unila, de Foz, perderam R$ 120 milhões com uma canetada de Bolsonaro.

Outros itens fizeram parte da pauta da manifestação, como o corte de bolsas de pós-graduação e a reforma da Previdência. Professores das redes estadual e municipal de educação também lutaram por suas próprias pautas – o que ajudou a transformar as passeatas pelo Centro de Curitiba em multidões ainda maiores.

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Na noite desta terça, havia receio dos organizadores de que uma confusão na comunicação do governo (que alguns julgam ter sido proposital) esvaziasse as manifestações. O governo, por algumas horas, deu a entender que os cortes seriam revistos e as bolsas, devolvidas. No fundo, era tudo mais uma trapalhada do governo. Tudo continua como antes.

Nesta quarta, o governo colocou ainda mais lenha na fogueira. De Dallas, Bolsonaro chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e disse que se tratava de gente que não sabia fazer contas simples nem conhecia a molécula da água. Em Brasília, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comprou briga com parlamentares ao dizer não só que os cortes estão mantidos como ao insinuar que os deputados nunca trabalharam na vida.

Contra cortes na Educação, milhares vão às ruas

Nas ruas de Curitiba, além de gritos de protesto, viram-se também cartazes com palavras de ordem contra o governo.

“No pais inteiro hoje, quem defende a educação esteve nas ruas para dar um recado bem claro para o presidente”, salienta Luiz Belmiro, professor do Instituto Federal e integrante do Coletivo CWB Resiste. Uma greve nacional está prevista para o próximo mês, entre as pautas a reforma da previdência. “Essas pautas não são isoladas, lutar por uma educação de qualidade é lutar contra a reforma da previdência”, ressalta Belmiro.

Os organizadores, do CWB Resiste, estimam que 6 mil pessoas compareceram à marcha noturna. “Vamos fazer atos maiores, para mostrar  ao presidente que ele tem que governar para a população – para as pessoas que sempre pagam a conta nesse país”, encerra o professor.

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