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Bolsonaro não gosta de idiotas úteis. Prefere os inúteis

Escrito por Rogerio Galindo
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Jair Bolsonaro acaba de inventar mais uma citação digna de um livro de Franz Kafta. Disse que as dezenas de milhares de manifestantes que estão na rua contra seu governo são ignorante que não conhecem a “fórmula da água” nem sabem “quanto é sete vezes oito”.

Entre os manifestantes há não só alunos de graduação, como professores, mestres, doutores e pós-doutores. Chegaram lá sem nunca ouvir falar em H2O. Nunca souberam a tabuada do chocolatinho. E agora querem reclamar da educação do país.

No mundo bizarro em que vivem o presidente e seus assessores, o ministro da Educação pode não saber a diferença entre 500 mil e 500 milhões. Pode achar que o maior escritor de língua alemã no século passado foi um espetinho árabe. Mas quem não sabe de nada é o pessoal das universidades.

Bolsonaro chamou os professores e alunos manifestantes de idiotas úteis. O capitão não gosta de idiotas úteis. Prefere os idiotas inúteis que o cercam, os idiotas inúteis que ficam em Richmond dando palpites sobre tudo, os tuiteiros inúteis que falam num “ciclo que se repete quimicamente há tempos”. Infelizmente, não há outro jeito de dizer!

O capitão já disse que não entende de economia. Fica evidente que não entende de educação. Poderá pelo menos entender de matemática. Multiplique os milhares de manifestantes pelo número de cidades onde houve protestos. Se tiver dúvidas, por contar nos dedos ou chocolatinhos para ajudar.

Vai descobrir que o resultado é bem maior que 7 x 8. E que, em política, centenas de milhares de pessoas indo às ruas quando você tem apenas quatro meses de governo significa que você está fazendo alguma coisa muito errada.

Sobre o autor

Rogerio Galindo

Rogerio W. Galindo é jornalista e tradutor. Responsável pelo blog Caixa Zero, é um dos profissionais que criaram o Plural.jor.br

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