24 jan 2022 - 12h30

Comer em Curitiba está caro

A cesta básica fechou o ano com alta de 7,29%

Embora em dezembro do ano passado o índice da cesta básica teve queda de 2,97% em Curitiba, a cidade registrou aumento de 7,29% contra 6,4% da média nacional no ano de 2021. Segundo o Boletim da Cesta Básica, disponibilizado pelo curso de economia da PUCPR, os itens que sofreram maiores aumentos foram o açúcar cristal (56,40%), o café em pó (55,31%), a margarina (30,17%), o tomate (24,59%), a farinha de trigo (16,49%) e o contrafilé bovino (13,89%).

As maiores quedas de preços foram percebidas na batata (-23,21%), no arroz (-14%), na banana-prata (11,06%) e no leite longa vida (-8,51%).

Todas as áreas metropolitanas citadas nas pesquisas registraram aumento da inflação, a maior alta foi registrada em Recife (1,05%) e a menor em Curitiba (0,51%). Apesar desse resultado, houve uma forte elevação da inflação na capital paranaense no ano de 2021, para 12,73%, a maior taxa entre as cidades pesquisadas, e acima do índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que correspondeu a 10,06%.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o valor da cesta básica, quando se compara dezembro de 2020 com o mesmo mês de 2021, em Curitiba registra alta expressiva (16,30%).  O estudo aponta ainda que em dezembro de 2021, era necessário um salário de R$´5.800,98 para manter uma família de quatro pessoas, equivalente a 5,27 vezes o salário mínimo.

Foto: Agência Brasil.

Verificou-se também que o trabalhador remunerado comprometeu, em dezembro de 2021, 58,91% do orçamento para comprar os mesmos produtos que, em dezembro de 2020, representavam 56,57%. O cálculo é realizado com o salário mínimo líquido, ou seja, após os descontos tributários e com base na cesta mais cara, a de São Paulo.

Commodities

O Brasil é um forte produtor de commodities, em especial, agrícolas, e desde 2019 com o aumento expressivo na taxa de câmbio – dólar em posição interessante para exportações, e também pela alta demanda externa – acabou por influenciar os custos de produção. Jackson Bittencourt, professor de economia da PUCPR, explica: “Nós importamos muitas sementes, defensivos agrícolas, adubos, máquinas ou peças de máquinas, portanto a taxa cambial aumenta os custos de produção, e esse aumento é repassado para o preço do produto final”.

Os problemas climáticos também têm impacto sobre o valor dos produtos. A seca e geada, por exemplo, impactam diretamente na qualidade e quantidade da produção. Quando há baixa na oferta interna e alta demanda externa, os preços aumentam.

Além disso, O mercado sente desde 2020 os efeitos da pandemia no cenário econômico. Houve uma desarticulação das cadeias produtivas no mundo todo. Para Bittencourt, já em 2021 o cenário global apontava para uma retomada, mesmo em condição pandêmica. “O aquecimento do mercado internacional fez com que o preço das commodities subissem e isso tem impacto direto nos itens da cesta básica”, comenta o professor.

Foto: Agência Brasil.

Perspectivas econômicas e inflacionárias para 2022

A partir da metade de 2021 houve uma forte alta nos preços, em novembro do mesmo ano os preços continuaram subindo, mas com menor intensidade. Esse movimento indica uma reorganização das cadeias produtivas globais, que já conseguem desenhar as expectativas das demandas para o ano de 2022, ou seja, há menores chances de ocorrer fortes choques de oferta e demanda como nos anos anteriores.

“No Brasil a inflação acabou sendo mais forte do que em outros países. A crise hídrica, por exemplo, balançou bastante os preços aqui no país, com o aumento do valor da energia. O mesmo ocorreu com os combustíveis. Mas já observamos o movimento de perda de força da inflação.”

Jackson Bittencourt

É importante continuar atento à taxa de câmbio, ainda alta, pois prejudica as importações, que são volumosas no país. Com a taxa Selic, que norteia todas as outras taxas da economia, em alta, e com expectativa de chegar a 11,5% em 2022, acaba puxando outras taxas de juros, como financiamentos, empréstimos, o que resulta em uma freada no consumo a créditos e também em desaceleração da inflação e estabilização da economia; essa é a parte positiva. Negativamente, as altas taxas de juros desestimulam novos investimentos. Com menos investimentos, menor oferta de empregos. 

Ainda há aumento na inflação, mas a expectativa é de que ela perca força cada vez mais no primeiro semestre de 2022.

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