24 jan 2022 - 13h00

Governo libera empréstimo para produtoras de energia, a luz vai subir, mas quem vai pagar a conta será o consumidor

Valor liberado é de R$ 6 bilhões, abaixo do esperado pelas distribuidoras

Em meio a tantas contas e com produtos ficando cada vez mais caros, a energia elétrica também terá aumento de preço. A luz se junta aos combustíveis, IPVA, IPTU e compras do supermercado, que tiveram crescimento nos valores. A crise hídrica, mesmo com os reservatórios em recuperação por conta das chuvas, ainda gera grande impacto no setor. Por isso, no último dia 14, o governo federal publicou um decreto no qual permite que as companhias de energia contraiam empréstimos, compensando as perdas durante a crise. 

O valor total do empréstimo deve chegar a R$ 6 bilhões, menos da metade dos estimados R$ 15 bilhões pelas concessionárias. O problema é que a conta da energia vai subir para “ajudar” as empresas a pagar o valor do empréstimo. Esse não foi o único empréstimo/custo a afetar a conta de luz. Em agosto de 2021, o governo passou a cobrar uma taxa extra de R$ 14,20, que anteriormente era de R$ 9,49. O valor da taxa será pago até abril.

Com a crise hídrica, as produtoras de energia precisaram recorrer a energias como as das termelétricas, que são mais caras. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pedia uma taxa extra de mais de R$ 20 para arcar com os custos, o que foi negado pelo governo. O valor do empréstimo também foi reduzido pois o governo argumenta que as fortes chuvas estão reabastecendo as hidrelétricas e ajudando a cobrir o rombo das produtoras. 

R$ 6 bilhões

É o valor a ser emprestado às concessionárias de energia.

Em novembro de 2021, a Aneel estimou que o ajuste médio das contas de luz para 2022 seria de 21%, e que o serviço deve subir mais ao longo do ano. Guilherme Marques Moura, doutor em Desenvolvimento Econômico e professor da Escola de Negócios da Universidade Positivo (UP), explica que o governo está tentando criar outras formas de favorecer as empresas, como linha de créditos e subsídio, para tentar não onerar tanto o consumidor. 

“O governo também está tendo uma pressão para ter um aumento menor. A expectativa é que talvez não chegue a esses 21%, mas com certeza vai ser um aumento considerável. Baseando-se na inflação do ano passado, que fechou em mais de 10%, na minha opinião é que tenha um aumento nessa margem.”

Guilherme conta que o empréstimo é uma maneira de amenizar a crise que as produtoras de energia estão passando desde 2020. “O custo aumentou, e o governo começou a emprestar dinheiro para essas distribuidoras. Só que uma hora essa conta tem que fechar. Existe essa pressão muito grande para um reajuste de fato, que seja permanente. Tivemos a inclusão da bandeira emergencial, só que ela é uma tarifa temporária. Isso não afeta a geração de renda das empresas, elas acabam continuando gerando menos quando essa tarifa acabar. Então a expectativa de um aumento para esse ano.”

“Toda vez que o consumidor vai na padaria, por exemplo, a padaria para fazer os produtos, também utiliza luz. Então ela vai pagar a mais na luz e vender os produtos mais caros. Todos os negócios vão ter um aumento de custo e vão repassar isso para o consumidor, o que chamamos de efeito cascata. Tudo vai ficando mais caro, e no final o consumidor vai pagar mais por todos os bens, incluindo a conta de luz.”

Guilherme Marques Moura, professor da Escola de Negócios da Universidade Positivo.

Tem como economizar?

“A grande questão da energia elétrica é que todo mundo usa”, expõe o economista. “Toda vez que o consumidor vai na padaria, por exemplo, a padaria para fazer os produtos, também utiliza luz. Então ela vai pagar a mais na luz e vender os produtos mais caros. Todos os negócios vão ter um aumento de custo e vão repassar isso para o consumidor, o que chamamos de efeito cascata. Tudo vai ficando mais caro, e no final o consumidor vai pagar mais por todos os bens, incluindo a conta de luz.”

O especialista dá dicas de como economizar energia, mas alerta para não gastar em outros setores visando a economia de luz. “Muito cuidado principalmente com o chuveiro, que costuma ser o vilão na conta. No verão é um pouco mais fácil, você tem a opção de mudar o chuveiro para o modo verão. Também há casas em que se liga muito o ar condicionado, o que aumenta o gasto. Tentar usar menos os produtos elétricos, tirar produtos que você não está usando da tomada, por exemplo. O problema é economizar de um lado e gastar no outro. Por exemplo, substituir o micro-ondas pelo fogão, economiza energia, mas gasta no gás, que também está aumentando de preço continuamente. Infelizmente não está tendo muito para onde correr.”

O Plural é um jornal independente mantido pela contribuição de nossos assinantes. Ajude a manter nosso jornalismo de qualidade. Assine o Plural. Você pode escolher o valor que quer pagar. E passa a fazer parte da comunidade mais bacana de Curitiba.

Um comentário sobre “Governo libera empréstimo para produtoras de energia, a luz vai subir, mas quem vai pagar a conta será o consumidor

  1. Discordo dos argumentos expostos na matéria, pois a Copel, por exemplo, tem tido lucros bilionários, favorecendo os acionistas com a distribuição de dividendos e com generosa participação nos lucros aos seus colaboradores.
    Portanto, sob o aspecto financeiro puro, seria desnecessário até a cobrança de tarifa extra, mas, infelizmente, sempre querem achar um jeito de espoliar, ainda mais, o já tão surrado consumidor!

Deixe um comentário

Últimas Notícias

Bolsonaro não concluiu 84% das obras da transposição do Rio São Francisco, como alega vídeo

É enganosa a afirmação de que Jair Bolsonaro (PL) entregou 84% das obras da Transposição do rio São Francisco. Apesar do presidente ter retomado 222 km que haviam sido retirados do projeto original por administração anterior, a execução da obra atravessou outras três gestões federais que, juntas, entregaram mais de 90% da infraestrutura do empreendimento, considerando a extensão inicial – de 477 km

Projeto Comprova

É de graça


E vai continuar assim. Mas o nosso trabalho só existe porque ele é financiado por você, leitora e leitor, e por parceiros. Ajude o Plural a continuar independente. Apoie e assine por valores a partir de R$ 5 por mês.

Já é nosso assinante?
Faça seu login com email ou nome de usuário

Não é assinante?  Assine por valores a partir de R$ 5 por mês.

This will close in 20 seconds