Ver um filme de Tom Hanks é um passeio que quase sempre vale a pena | Jornal Plural
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23 jul 2020 - 19h57

Ver um filme de Tom Hanks é um passeio que quase sempre vale a pena

“Greyhound – Na mira do inimigo”, uma produção exclusiva da Apple TV, fala de um capitão com uma tarefa dificílima na Segunda Guerra Mundial

Ver um filme de Tom Hanks é como visitar um lugar que você conhece e gosta. Mesmo quando o tempo é ruim, o afeto, as lembranças e a familiaridade fazem o passeio valer a pena (há exceções, mas não vou listar aqui para evitar desafetos).

“Greyhound – Na mira do inimigo”, um filme exclusivo da Apple TV, é um Tom Hanks clássico.

A história começa com uma viagem. O trajeto é através do Atlântico Norte, rumo à Europa, onde as forças aliadas combatem os nazistas, na Segunda Guerra Mundial.

Comboio

Em fevereiro de 1942, com um comboio de 37 navios que levam mantimentos e tropas para a Inglaterra. A frota é escoltada por quatro navios de guerra e o líder da tropa é a embarcação que dá nome ao filme, capitaneada por Ernest Krause (Hanks) em sua primeira travessia desse tipo.

Tirando alguns flashbacks em terra firme, a história se passa inteira no Mar do Norte.

Esses comboios, que de fato desempenharam um papel importante no conflito, eram presas fáceis para os submarinos alemães. Como medida de proteção, não só a frota era escoltada por navios de guerra, como aviões de combate acompanhavam o comboio até onde permitia sua autonomia de voo.

Desse ponto em diante, eles entravam no “buraco negro” e seguiam sem proteção aérea por 50 horas. Se sobrevivessem a esses dois dias e pouco, as embarcações encontrariam os aviões europeus que dariam cobertura contra os ataques alemães até o ancoradouro.

O grosso de “Greyhound” é sobre essas 50 horas.

Baseado no livro “O bom pastor”, de C. S. Forrester, e com roteiro do próprio Tom Hanks, o filme é pá-pum. O comboio precisa ir do ponto A ao ponto B e não tem muita conversa.

U-boats

Quando surge uma “alcateia” de submarinos alemães, tudo fica ainda mais rápido. Os nazistas conseguem entrar na frequência de rádio do Greyhound e se apresentam como “lobos” – as carcaças dos U-boats são pintadas de acordo – que vão comer “os carneirinhos” do comboio. Daí o livro falar em “pastor”.

A ação é boa e os efeitos especiais, OK. Mas o que faz diferença no filme são as pequenas coisas que o roteiro insere para mostrar o quão humano Krause é. Com o nervosismo, o capitão não consegue comer nem dormir. Esses dois temas aparecem ao longo do filme várias vezes.

Krause é um homem religioso e tem a postura que se espera de um capitão. Ele é sólido e valente.

Mas Hanks faz esse militar austero e determinado de modo que deixa entrever também o quanto ele sofre. Encarregado de uma missão complicadíssima, o capitão Ernest Krause é um tipo raro no cinema americano: um homem que sente medo.

Filme

“Greyhound – Na mira do inimigo” está disponível na Apple TV.

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