7 dez 2021 - 9h20

Em “A Loja dos Sonhos”, a felicidade aparece quando o sonho acaba

Nova protagonista de Jojo Moyes tenta fugir da lenda da mãe enquanto descobre que criar sua própria história dá trabalho

Se tem algo que 2021 precisa é um final feliz. Mesmo que a vida adulta nos tenha ensinado que finais felizes não existem. Em “A Loja dos Sonhos”, Jojo Moyes nos apresenta uma nova protagonista, Suzanna Peacock, que aos 34 anos está presa num casamento tedioso, numa vida financeira desastrosa e no papel de”filha problemática”. Em busca de algo próprio, Suzanna decide abrir uma loja em sua pequena cidade natal, Dere Hampton.

O romance, que vai e volta do momento presente ao passado dos pais de Suzanna, revela um rosário de culpas, dos pais pelas marcas que suas vidas deixaram nas dos filhos, e dos filhos pelo que causaram aos pais. Enquanto isso Suzanna tenta descobrir quem é e o que ser. E nisso recebe a ajuda da animadíssima e super sociável Jess, que se oferece para ajudá-la na loja. A elas se junta um improvável parteiro argentino, que se refugia da crise econômica de seu país natal e da culpa de ter sido o gêmeo sobrevivente no subúrbio londrino.

Juntas as duas contam as histórias de moradores da cidade e começam transformar a loja num ponto de encontro de diferentes caminhos. A dupla tenta até juntar dois solteirões. Só que por trás do sorriso animado de Jess há uma mulher vítima do ciúme e da violência do companheiro, uma situação com a qual Suzanna não sabe lidar.

Enquanto isso a mãe de Suzanna, Vivi, tenta descobrir como fazê-la se sentir parte da família e como convencer o marido que os segredos do passado precisam ser revelados. Será. que Suzanna é o imã de confusões e desastres que sua mãe foi? Ou a ela cabe outro caminho? O livro todo é um vaivém de histórias que giram em torno de um tema em comum: o de que sabemos pouco sobre os outros e sobre nós mesmos.

Moyes continua excelente na arte de manter o leitor curioso do começo ao fim, mesmo que as indas e vindas de personagens seja um pouco cansativa. O resultado é um livro agradável, bem escrito e que te entrega algumas horas de terapia e diversão.

A autora também faz algo importante: nos dá um final feliz, mesmo que sem detalhá-lo muito. Mas já o suficiente para podermos fechar a obra com aquele sentimento de que ficará tudo bem. Não há motivo melhor para incluir a obra em suas leituras de verão.

Serviço

A loja dos sonhos, de Jojo Moyes. Tradução de Adalgisa Campos da Silva. Editora Intrínseca, 416 páginas, R$ 39,90 (ebook) e R$ 59,90 (livro impresso)

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