Como é a experiência de visitar o Cine Passeio | Plural
22 jul 2019 - 22h56

Como é a experiência de visitar o Cine Passeio

As grandes qualidades e os defeitos pequenininhos das novas salas de cinema de Curitiba

O Cine Passeio abriu há mais de três meses, na Rua Riachuelo, no Centro da cidade, com duas salas de cinema, um café e espaços alternativos que incluem um estúdio e uma tela no terraço para sessões ao ar livre. Ele faz parte de uma categoria cada vez mais difícil de encontrar por aí: a dos cinemas de rua.

À noite, com a fachada branca e iluminada, o prédio que fica numa parte da cidade conhecida pelos problemas que enfrenta quase não parece de verdade. O contraste entre o brilho do cinema e o escuro da rua dá até um estranhamento. Como se algo assim – um cinema de rua, bem bonito, numa região barra pesada – não fosse possível.

Visitei o Cine Passeio quatro vezes desde que foi inaugurado. Conheci as salas de cinema, passeei pelo terraço, vi um documentário no Espaço Valêncio Xavier, que fica no subsolo, e tomei alguns cafés com salgados e doces na Coffeeterie.

Minha última vez foi no sábado (20) à noite, quando fui ver “Dor e Glória”, do Almodóvar. Comprei um par de entradas inteiras pela internet, no site do Cine Passeio (a venda é feita pelo Ingresso.com), paguei R$ 36,48. Na noite de segunda-feira, fui conferir, as mesmas entradas teriam custado R$ 27,36. Os valores quebrados têm a ver com as taxas cobradas pelo site.

Conversando com outras pessoas que também conheceram o Cine Passeio, percebi que, em geral, ninguém parece prestar atenção na estrutura da sala. Esse é o tipo de coisa que só é notada quando não funciona: quando som ou a imagem é ruim, quando a sala está suja, quando as poltronas não são confortáveis. Ninguém percebeu nada nas salas do Cine Passeio porque tudo funciona direitinho (detalhe simpático: as salas se chamam Luz e Ritz, que eram os nomes dos cinemas de rua mantidos pelo município. Só faltou uma sala Groff!).

Um conhecido meu reclamou da falta de suporte para refrigerante e do fato das poltronas serem fixas – elas não reclinam levemente para trás como as que se vê nos multíplices (no dicionário, isso é plural de multiplex) dos shopping centers. Essas duas informações estão corretas, mas não me incomodaram, talvez porque eu não coma pipoca com refrigerante quando vou ao cinema.

[Sobre isso, é legal ter em mente que o dinheiro que ajuda a manter uma sala de cinema não é o da venda de ingressos, mas sim o da bombonière; distribuidoras e outras despesas fixas consomem quase todo o valor da bilheteria enquanto o cinema tenta ganhar o seu com a venda de balas, pipocas e refrigerantes; é contraintuitivo: o sujeito que comeu um quilo de pipoca do meu lado durante a sessão do Almodóvar é um cliente melhor para o cinema do que eu, que não comi nada.]

Achei as poltronas confortáveis. A qualidade da projeção é espetacular e a tela, mais próxima da plateia do que se pode esperar, é elegante com sua forma côncava e extremidades arredondadas. Meu maior problema foi com a altura da tela (ou com a minha altura, dependendo do ponto de vista). Tenho 1m68 e ocupei a poltrona 7 da fileira G. No sábado à noite, a sala estava lotada. As pessoas na minha frente não eram especialmente altas, mas, dependendo de como elas se posicionavam, eu não conseguia ler as legendas. E percebi que elas se mexiam porque também estavam tentando escapar das cabeças que estavam na sua frente.

A solução para esse problema não me parece simples. A tela teria de ser posicionada num ponto mais alto da parede, mas o limite do teto não permite um movimento como esse. Minha sugestão: chegue cedo ou compre ingressos pela internet para escolher um desses lugares: 1, 2, 12 ou 13, na fileira J, no fundo da sala. São as únicas que não têm ninguém na frente. A dica vale tanto para a sala Ritz quanto para a sala Luz. De resto a experiência é incrível. Os equipamentos devem ser novos, assim como a tela, e a qualidade de imagem e de som são capazes de fazer você lembrar que às vezes é bom sair do sofá para dar um passeio.

(Sobre o Almodóvar: é um grande filme, com uma atuação extraordinária do Antonio Banderas. “Dor e Glória” é como o “Fale com Ela”: é capaz de conquistar até quem não é muito fã do diretor espanhol.)

O café

Na Coffeeterie, o café que funciona no saguão do Cine Passeio, experimentei o café com leite quente (o que eles chama de latte) e a versão gelada (iced latte). Comi o pão de queijo, o quindim, o pastel de Belém e o de Santa Clara (agora, dizem que você não pode chamar o doce de pastel de Belém a menos que ele seja da fábrica lisboeta que tem esse nome, então: pastel de nata). Tudo estava bom. Nada estava ruim. Fiquei curioso para provar a sopa, mas ficou para uma próxima.

O lugar também tem cervejas artesanais, vinhos, sopas, drinques e salgados. Nada é produzido pelo pessoal do café, que funciona como um empório para fabricantes locais. Tudo ali é paranaense, incluindo os vinhos e as cervejas (eles podem ser tema para outro texto).

É um lugar legal para passar o tempo enquanto você espera a próxima sessão de cinema.

O Cine Passeio fica na Rua Riachuelo, 410, em Curitiba. O telefone é 3323-1979. Para saber os filmes em cartaz e os horários das sessões, confira na web: www.cinepasseio.org

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