20 dez 2021 - 11h58

A sensacional arquitetura alemã, da Bauhaus ao século 21

Nas últimas décadas, a Alemanha vem revolucionando a arte de desenhar casas

É difícil começar a falar de qualquer coisa na Alemanha de hoje sem falar da Segunda Guerra. No caso da arquitetura, então, é impossível. Um dos motivos é a destruição de tantos prédios nas maiores cidades da Alemanha. Os ataques aéreos criaram um verdadeiro caos na Europa. Na Alemanha, além da pobreza, das milhões de mortes, o cenário era desolador.

Mas antes mesmo dos bombardeios a arquitetura alemã sofreu sua primeira baixa. O governo autoritário de Hitler não aceitava o modernismo: o ideal arquitetônico do Terceiro Reich, como ficaria claro mais tarde, eram obras grandiosas inspiradas nos grandes prédios medievais. Monumentos que falassem de grandeza e inspirassem temor.

A Bauhaus era o oposto disso. Criada em Weimar, a cidade símbolo da breve democracia alemã no entre guerras, a escola de design e arquitetura queria simplicidade. Seu fundador, Walter Gropius, achava que era hora de pensar no mundo urbano e industrializado.

A história da arquitetura alemã era cheia de exemplos riquíssimos de arte monumental. Uma das maiores catedrais do mundo, em estilo gótico, fica em Colônia. E basta pensar nos portões de Brandemburgo para ter ideia do que a grande arquitetura alemã tinha sido capaz de construir.

Mas agora, para a Bauhaus, era a hora de pensar menor. De pensar em casas simples e funcionais. Uma das regras da Bauhaus era pensar em arquitetura que pudesse ser reproduzida. E nada de grandes toques geniais que servissem só como ornamento: tudo precisava ter uma função.

O estilo era genial, e integrava as linhas simples, a fachada geralmente branca, as grandes janelas, aos espaços internos, com seus objetos de formas inovadoras. Nada também de glamour: os materiais deviam ser a madeira, a cerâmica e o aço.

Quando assumiu o governo, Hitler decidiu fechar a Bauhaus. Mas nem por isso ela deixou de influenciar arquitetos e designers no mundo todo. No Brasil, gente como Lina Bo Bardi e Oscar Niemeyer seguiram ensinamentos da Bauhaus. E se você pensou nos computadores e iPhones de Steve Jobs, não está errado: a Apple tem muito da Bauhaus.

Para entender a arquitetura alemã do pós-guerra, o nome fundamental talvez seja Mies van der Rohe. Último diretor da Bauhaus antes do fechamento pelos nazistas, ele se refugiou nos Estados Unidos e levou adiante a experiência de construir casas elegantes mas que se reduzissem ao mínimo.

Você pode nunca ter ouvido falar dele, mas certamente ouviu a máxima que ele criou e que guiou sua carreira: Menos é mais. Um exemplo brilhante do que ele foi capaz de fazer é a casa Farnsworth, que ele criou para ser o retiro de fim de semana de uma médica de Chicago.

A casa, quase toda em vidro, construída sobre uma elevação em função das enchentes comuns no local, se tornou um símbolo da arquitetura moderna reverenciado no mundo todo. Mas na época causou polêmica. A médica que encomendou a casa, Edith Farnsworth, achou a casa inabitável e foi à Justiça para tentar ser indenizada, mas perdeu. O grande arquiteto Frank Lloyd Wright disse que a casa era tão simples e mecânica que cheirava a comunismo.

Curiosamente, Frank Lloyd Wright e Mies van Der Rohe são dois dos mais influentes santos padroeiros dos grandes arquitetos alemães de hoje. Além de seguir o estilo funcional, arejado e simples da Bauhaus, tem sido comum que os criadores alemães se inspirem no estilo “orgânico” do americano.

A arquitetura orgânica tenta integrar o prédio com seu ambiente. Também cria fachadas e visuais que não sejam “divisíveis”, seguindo um princípio único. E ao contrário do que Mies van der Rohe fazia, a arquitetura orgânica é cheia, cheia de curvas.

Impossível saber os rumos que a arquitetura alemã vai tomar daqui pra frente. Mas o que dá pra dizer com certeza é que prédios podem ser destruídos, escolas podem ser fechadas à força, mas ideie ficam. E geram um mundo sempre melhor.

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