A deputada federal e candidata ao Senado Gleisi Hoffman (PT) denunciou os candidatos Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Jeffrey Chiquini (Novo) por violência política de gênero cometida em sete postagens nas redes sociais. Barros ainda impulsionou uma das publicações, o que é vedado pela legislação eleitoral.
Em publicação no dia 9 de setembro, Deltan Dallagnol – que se diz defensor da ética e da moralidade – e Jeffrey Chiquini publicaram um story com a mensagem "Chupa, Gleisi". O candidato ao Senado que teve sua campanha suspensa no último sábado fez outra publicação dizendo que "amante não tem casa". Ele ainda chamou Gleisi de "narizinho" e "narigão".
Filipe Barros foi o que mais ofendeu a candidata. Em 23 de março, ele chamou a deputada de "amante" e "coxa" e disse que ela precisa "lavar a boca antes de falar". de 21 de maio a 22 de julho, o bolsonarista manteve no ar uma publicação em que acusa Gleisi de ser "pré-candidata da roubalheira", "narizinho" e "candidata do Careca do INSS" – quando na verdade o candidato apoiado por ele à presidência, Flávio Bolsonaro, tem um escritório no mesmo prédio onde funcionam 16 empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
Barros voltou ao ataque em agosto, quando impulsionou uma publicação para citar a "lista da Odebrecht", fazendo referência à candidata. Foi multado em R$ 15 mil. Em 9 de setembro, publicou uma montagem em que Gleisi simula uma confissão: "fomos nós". Entre 11 e 13 de setembro, manteve no ar publicação com um coro de "covarde", fazendo referência a Gleisi. Ele pagou R$ 26,5 mil para impulsionar a publicação e teve 1,9 milhão de visualizações.
O mais interessante é Filipe Barros acusar adversários de ligação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e até hoje não apresentar uma explicação razoável para o fato de Flávio Bolsonaro ter recebido R$ 61 milhões do banqueiro. O presidenciável do PL pediu um total de R$ 134 milhões a Vorcaro.
No início de junho, Barros garantiu que o balanço seria apresentado por Flávio até o dia 19. Nada foi divulgado, mas ele disse que as contas seriam apresentadas "nos próximos dias". "Eu não vi o contrato, mas eu conversei com pessoas que viram e eu confio na palavra do Flávio", afirmou. Na condição de deputado federal, Filipe Barros apresentou um projeto de lei que beneficiaria o Banco Master e usou o mandato para pressionar órgãos que contrariavam interesses de Vorcaro.

Multas podem ser pagas com dinheiro público
Os candidatos podem ficar tranquilos em relação às multas. Afinal, elas poderão ser pagas com dinheiro público. Candidatos podem quitar suas multas eleitorais com recursos do Fundo Partidário ou de doações pessoais.

Deltan Dallagnol recebeu R$ 2,1 milhões do Fundo Partidário. Jeffrey Chiqini recebeu R$ 1.370.000. Filipe Barros tem apenas recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundão eleitoral: R$ 3,8 milhões – que não podem ser usados para pagar multas.

