O Paraná elege dois senadores em outubro. As pesquisas registradas no TSE ao longo de 2026 desenham duas disputas de natureza muito diferente dentro da mesma eleição: uma vaga que se comporta como decidida e outra que muda de dono a cada levantamento.
Apesar disso, a campanha não está ganha para nenhum dos candidatos. Quem larga na frente corre o risco de perder o voto útil de quem está em dúvida entre mais de dois candidatos. Também terá que trabalhar para evitar o desgaste natural que todos os nomes conhecidos sofrem durante a campanha.
São duas vagas, e cada eleitor cita até dois nomes — por isso os percentuais somam mais de 100%. Atenção ao seletor: a Quaest e a Real Time reduzem os dois votos a 100%, o que põe seus números numa escala diferente da dos demais institutos. São séries separadas justamente por isso. Passe o mouse nos pontos para ver instituto, amostra e nº do registro. Escolha um instituto no seletor para ver só a série dele.
Fonte: TSE — Dados Abertos, “Pesquisas Eleitorais 2026”. Compilação da Plural, atualizada em 28/08/2026. O valor é o declarado no registro e nem sempre corresponde ao efetivamente pago. Registrar a pesquisa é obrigação legal (Lei 9.504/97, art. 33) e o registro não atesta a qualidade nem o acerto do resultado.
A primeira vaga: sempre o mesmo nome
Deltan Dallagnol (Novo) apareceu entre os dois primeiros em 12 das 13 pesquisas da série, e nas oito de agosto, sem exceção. Em sete delas, liderou.
A única vez em que ficou fora do pelotão de cima foi em 6 de julho, numa pesquisa da Paraná Pesquisas em que Álvaro Dias liderava — e Álvaro não registrou candidatura.
Isso não significa que Dallagnol lidere com folga. Em quatro das oito pesquisas de agosto, a distância dele para o segundo colocado é de três pontos ou menos, dentro da margem de erro. O que a série mostra é outra coisa: ele nunca sai do grupo dos dois.
A segunda vaga: quatro nomes em um mês
Quem ficou em segundo, pesquisa a pesquisa
As oito pesquisas de agosto, em ordem de data. Cada bloco é uma pesquisa; a cor é quem apareceu na segunda posição — a vaga em disputa.
Quatro nomes diferentes ocuparam a segunda posição em um único mês.
Nas oito pesquisas de agosto, quatro candidatos diferentes ocuparam a segunda posição:
- Alexandre Curi (Republicanos), em três
- Filipe Barros (PL), em duas
- Gleisi (PT), em duas
- Dallagnol, na única em que não liderou
E a diferença entre quem está em segundo e quem está em terceiro é mínima: mediana de 2,5 pontos em agosto, com cinco das oito pesquisas mostrando três pontos ou menos entre eles — ou seja, empate técnico.
O caso extremo é o instituto Ranking, em 16 de agosto: Filipe Barros com 31,09% e Alexandre Curi com 31,08%. Um centésimo de ponto.
A última pesquisa da série, do Neobe, com campo encerrado em 27 de agosto, tem quatro candidatos dentro de cinco pontos da segunda posição: Gleisi (29,3%), Filipe Barros (27,3%), Alexandre Curi (26,2%) e Cristina Graeml (25,4%).
Quem subiu
A comparação entre junho e o fim de agosto mostra o que se moveu:
| Candidato | Início de junho | Fim de agosto |
|---|---|---|
| Gleisi (PT) | 18,2% | 29,3% |
| Alexandre Curi (Republicanos) | 16,7% | 26,2% |
| Cristina Graeml (PSD) | 15,6% | 25,4% |
| Deltan Dallagnol (Novo) | 35,6% | 38,1% |
| Filipe Barros (PL) | 28,0% | 27,3% |
Dallagnol e Filipe Barros terminaram agosto perto de onde começaram junho. A movimentação toda veio de baixo — e é ela que fechou a disputa pela segunda vaga.
O PT tem duas candidaturas na disputa: Gleisi e Dr. Rosinha. As trajetórias divergiram. Gleisi saiu de 18,2% em junho para 29,3% em agosto. Dr. Rosinha, que só passou a ser testado em 6 de agosto, caiu de 18,1% para 16,2% no mês.
Álvaro Dias chegou a 39,7% numa pesquisa da Paraná Pesquisas com campo encerrado em 6 de julho — o segundo melhor número de toda a série, atrás apenas dos 39,1% de Dallagnol em 21 de julho. Ele aparece em seis das treze pesquisas, sempre entre os quatro primeiros, e não registrou candidatura.
Some-se a isso que três dos nove candidatos registrados — Joaquim do MLB (UP), Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO) — foram testados por um único instituto, a Paraná Pesquisas, em 16 de agosto, e nenhum passou de 1,5%.
O que uma pesquisa não diz
Pesquisa não é previsão. Cada número acima é uma fotografia do intervalo em que aquele instituto esteve em campo — e a série toda mostra o quanto essa fotografia muda de uma semana para a outra.
Três limites pesam especialmente nesta disputa.
A margem de erro se aplica a cada candidato, e dobra na comparação. Quando duas margens de três pontos se somam, uma diferença de cinco pontos entre dois nomes pode não ser diferença nenhuma. É por isso que a distância mediana de 2,5 pontos entre o segundo e o terceiro colocados em agosto não permite dizer quem está à frente — só que estão juntos.
A fatia de indecisos é enorme e varia de forma extrema entre os institutos. Nas treze pesquisas da série, quem não escolheu nenhum nome, votou em branco ou não soube responder vai de 12,2% (Paraná Pesquisas, em 9 de junho) a 68% (Veritá, em 1º de agosto). A mediana é de 40,4%.
Não é só efeito do calendário: em 16 de agosto, duas pesquisas saíram de campo no mesmo dia e registraram indecisão muito diferente — 13,7% na Paraná Pesquisas e 44,1% no Ranking. Trinta pontos de diferença sobre quantos eleitores ainda não decidiram. Numa disputa separada por dois ou três pontos, o que esse eleitorado fizer vale mais do que qualquer ranking de agosto.
E o dado aberto do TSE não traz a margem de erro. O registro obrigatório informa instituto, período de campo, tamanho da amostra, custo e quem pagou — mas não a margem, que só aparece na divulgação de cada instituto. As amostras desta série vão de 1.008 a 2.010 entrevistados.
Vale ainda o que já se disse: registrar a pesquisa é obrigação legal, não selo de qualidade. O TSE cadastra; não audita.
Atenção ao ler estes números
A mesma corrida, duas contas diferentes
Por que Deltan aparece com 34% num instituto e 9% em outro — e por que isso não é discordância entre eles.
São duas perguntas com denominadores diferentes. Na primeira, cada eleitor cita até dois nomes e a soma passa de 100%. Na segunda, os dois votos são consolidados e reduzidos a 100%. Comparar um número com o outro não diz nada sobre quem vai melhor.
Duas ressalvas que mudam a interpretação.
Os percentuais não são fatias de 100%. Como são duas vagas, cada entrevistado cita até dois nomes. Quando a pesquisa diz que Dallagnol tem 34%, significa que 34% dos entrevistados o citaram entre suas duas escolhas — e a soma de todos passa de 100% (164,4% na Paraná Pesquisas de agosto; 185,3% no Veritá de 1º de agosto).
E nem todos os institutos publicam do mesmo jeito. A Quaest declara que consolida os dois votos e reduz o resultado a 100%; a Real Time aparenta fazer o mesmo. Isso põe os números dessas duas casas numa escala diferente das demais: na mesma quinzena de agosto, Dallagnol aparece com 34% na Paraná Pesquisas e 9% na Quaest. Não é discordância entre institutos — é outra conta. Por isso o gráfico acima separa as duas formas em séries distintas e nunca as mistura.
Na leitura da Quaest, aliás, o quadro do topo é outro: Alexandre Curi aparece em primeiro, com 15%, e Dallagnol divide o quarto lugar com 9%.
A discordância entre institutos é grande
O mesmo dia, resultados diferentes
Duas pesquisas que saíram de campo em 16 de agosto, na mesma métrica. Aqui a diferença é de método, não de conta.
As duas usam a mesma forma de perguntar e mesmo assim divergem: Filipe Barros vai de 31,1% a 26,0% e Cristina Graeml, de 14,2% a 17,2%. A diferença maior está em quantos eleitores cada uma encontrou ainda indecisos — 44,1% contra 13,7%.
Mesmo dentro da mesma métrica, as casas divergem muito. Considerando só agosto, Alexandre Curi varia de 14,0% a 32,3% entre institutos — 18 pontos de amplitude. Gleisi vai de 13,8% a 29,3%.
Para comparação, a amplitude de Dallagnol no mesmo período é de 6,6 pontos. Os institutos concordam sobre quem lidera e discordam sobre todo o resto — o que é justamente onde a eleição está sendo decidida.
Quem paga as pesquisas
As 39 pesquisas registradas no TSE que incluem o Senado paranaense somam R$ 2,8 milhões declarados em contratos e 49.878 pessoas ouvidas. São, em geral, as mesmas pesquisas que medem o governo do estado: os institutos vão a campo uma vez e perguntam sobre os dois cargos.
14 foram contratadas por veículos de comunicação, 12 os próprios institutos bancaram, 8 foram pagas por partido e 5 por empresas.
Metodologia. Os registros vêm do conjunto "Pesquisas Eleitorais 2026" do Portal de Dados Abertos do TSE, baixado em 28 de agosto de 2026. O TSE registra as pesquisas mas não publica os percentuais: os números foram levantados na divulgação de cada instituto e amarrados ao respectivo número de registro. São 13 medições na métrica de citações (junho a agosto) e 3 na métrica consolidada a 100%. Registrar a pesquisa é obrigação legal (Lei 9.504/97, art. 33) e o registro não atesta a qualidade nem o acerto do resultado.