Servidores de UPAs suspeitos de Covid-19 alegam falta de acesso a testes nas próprias unidades | Jornal Plural
19 ago 2020 - 20h37

Servidores de UPAs suspeitos de Covid-19 alegam falta de acesso a testes nas próprias unidades

Determinação para agendar exames em outra unidade causa demora; prefeitura nega barreira

Servidores de pelo menos quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba alegam que o acesso à testagem para Covid-19 entre os trabalhadores vem sendo dificultado. Segundo denúncias, uma nova regra constatada nas UPAs Pinheirinho, Fazendinha, Cajuru e Boqueirão teria proibido funcionários com suspeita da doença de realizarem o exame internamente. A coleta precisa ser agendada em outra unidade do município, causando demora. A prefeitura nega a desautorização.

Conforme o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), a nova determinação repassada pelas chefias obriga servidores com suspeita de contaminação a se deslocarem sem necessidade, o que atrasa a realização dos testes. Ao invés de coletar amostras nas UPAs em que atuam, tão logo a suspeita seja levantada, funcionários destas unidades agora teriam de aguardar uma data para a coleta, que precisa ser agendada na Unidade de Atendimento em Saúde do Trabalhador (UATS), no bairro Portão.

O espaço funciona desde abril e foi criado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para atendimento exclusivo de profissionais na linha de frente do combate à pandemia. Segundo o sindicato, porém, o local não tem estrutura suficiente para atender a todos, o que causa demora na realização dos exames.

A entidade argumenta que, na prática, o novo protocolo implica em uma espera maior de atendimento e diz que o atraso pode prejudicar os resultados do teste RT-PCR. A recomendação do Ministério da Saúde é de que as amostras para este tipo de exame sejam colhidas, preferencialmente, entre o terceiro e o sétimo dias de sintomas, intervalo em que a carga viral é maior.

Prefeitura nega

A prefeitura, no entanto, alega que não há demora para agendamento de coleta de amostra para exames de detecção do coronavírus na UATS e que há, inclusive, disponibilidade de agendamento de um dia para o outro. Também diz não proceder a informação de falta de estrutura para a realização do procedimento.

Em nota, a SMS ainda negou que haja proibição de coleta de amostras dos servidores nas unidades de atuação, mas confirmou que existe uma orientação para que os atendimentos dos funcionários sejam feitos prioritariamente na unidade específica. “A UATS conta com equipe de profissionais para prestar todo atendimento e suporte necessário aos servidores, suspeitos ou confirmados para covid-19. A unidade também faz o monitoramento e orientação para os trabalhadores afastados, durante todo o período do isolamento indicado.”

Outras denúncias

A denúncia do que seria a nova orientação para testagem entre servidores de UPAs com suspeita de infecção pelo coronavírus se soma a outras já levantadas pelos funcionários da Saúde que atuam no combate à pandemia em Curitiba. Já foram denunciadas também falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, redução no quadro de profissionais e demora no afastamento de servidores suspeitos – que, em alguns casos, tiveram de continuar trabalhando até o resultado definitivo dos testes. As situações foram relatadas ao Ministério Público do Trabalho (MPT), em audiência.

Com bandeira amarela vigente deste esta terça-feira (18), que significa maior flexibilização no isolamento social, Curitiba já soma 835 mortes desde o início da pandemia. Os testes positivos chegaram a 28.105.

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