Mortes de faxineiras, vigilantes e motoristas aumentam mais de 200% em Curitiba | Jornal Plural
6 abr 2021 - 15h16

Mortes de faxineiras, vigilantes e motoristas aumentam mais de 200% em Curitiba

Óbitos de trabalhadores de setores que não pararam na pandemia, nem puderam fazer home office, aumentaram

O número de contratos de trabalho de faxineiras, vigilantes, motoristas e outras 9 profissões encerrados por morte do trabalhador em Curitiba, em janeiro e fevereiro de 2021, aumentaram, em média, 225% em comparação a janeiro e fevereiro de 2020. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) sistematizados pela Lagom Data a pedido do Plural.

As faxineiras foram as profissionais com maior número de mortes no período: 11. Em 2020, haviam sido 4 óbitos no mesmo período. Vigilantes e motoristas de caminhão registraram 9 mortes cada. No caso dos motoristas, o encerramento de contratos de trabalho por óbito aumentou 800% em relação a janeiro e fevereiro de 2020, quando só um caso foi registrado.

Isso apesar dos dados só mostrarem a situação em janeiro e fevereiro. Em março, a situação da pandemia piorou muito na Capital paranaense.

A lista das 12 profissões com 5 ou mais óbitos no primeiro bimestre de 2021 mostra uma prevalência de categorias que não puderam parar de trabalhar durante a pandemia. É o caso dos operadores de caixa, porteiros, motoristas e cobradores do transporte coletivo, todos com aumento no número de contratos encerrados por óbito no período.

O caso de motoristas e cobradores de ônibus é emblemático. Em todas os decretos de restrição de atividades não essenciais da Prefeitura de Curitiba desde o início da pandemia, o transporte coletivo permaneceu em funcionamento. E apesar da determinação da limitação da ocupação dos veículos em 50% ou 70%, casos de ônibus circulando lotados permaneceram comuns.

Se considerados os setores de trabalho, o transporte de passageiros teve um total de 9 desligamentos de trabalhadores por óbito em Curitiba em janeiro e fevereiro de 2021, para 2 no mesmo período de 2020.

Para defender a manutenção do serviço, a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, afirmou em várias ocasiões que a transmissão do vírus nos ônibus de transporte coletivo é baixa, com base num estudo que teria sido realizado pela Prefeitura, mas que nunca foi divulgado. A Urbs, entidade responsável pelo transporte coletivo, também afirmou ter detectado uma taxa de casos positivos de Covid-19 de apenas 4,3% após ter submetido a exames todos os motoristas da cidade uma única vez.

As informações do Caged não detalham a causa do óbito, mas são uma maneira importante de verificar o aumento da ocorrência de mortes entre trabalhadores formais durante a pandemia. Em 2021, só em Curitiba, 229 trabalhadores com contrato formal morreram em janeiro e fevereiro. No mesmo período de 2020, quando não havia ainda registro de óbito por Covid-19 na cidade, foram 125 óbitos, 83% a menos.

O número de mortes no primeiro bimestre de 2021 também é maior que os registrados em 2019, mas a comparação entre os dados não é recomendada, pois em 2020 o governo federal implantou o Novo Caged. Em janeiro e fevereiro de 2019 foram 160 contratos de trabalho encerrados por óbito.

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4 comentários sobre “Mortes de faxineiras, vigilantes e motoristas aumentam mais de 200% em Curitiba

  1. Eu não consigo entender como ainda existem pessoas que são contra a compra de vacinas pela iniciativa privada. Esses trabalhadores estão colocando a vida em risco, eles deveriam ser vacinados. Muito triste isso.

    1. Caro Romulo, não existe vacina para todos, por isso a fila deveria ser única, de forma a garantir que chegue primeiro aqueles com maior risco de complicações. A falta de vacinas não é resultado da falta de dinheiro do governo para comprá-las. É resultado da incompetência e falta de vontade do governo federal em agir para garantir as doses necessárias. O país já vacinou sua população outras vezes sem maiores dificuldades.
      A criação da fila dupla é um desrespeito à constituição e uma forma de criar falsa esperança na população. Ninguém no país, com exceção do governo federal, tem condições, recursos para comprar vacinas.

  2. Pessoal que atua nesses setores deveriam ter prioridade na vacinação . A velhacada aposentada tem mais é que ficar em casa…

  3. Boa noite galera!!
    Sou motoboy e passamos pelo mesmo problema, a falta de respeito com o semelhante é triste.
    Ninguém quer respeitar o isolamento e quem respeita e taxado de Ot%$$#

    Cuidem se pessoal…não e fake news

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