Governo tenta acordo, mas greve de servidores está mantida | Jornal Plural
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24 jun 2019 - 23h23

Governo tenta acordo, mas greve de servidores está mantida

Protesto começou na segunda, com policiais civis. Professores somam 120 mil grevistas

O governo do Paraná, que pareceu não se preocupar com o claro anúncio da greve dos servidores públicos durante os últimos meses, chamou representantes sindicais para uma tentativa de acordo na véspera da eclosão do movimento. Uma reunião, às pressas, no início da noite desta segunda-feira (24), com o chefe da Casa Civil, Guto Silva (PSD), tentou barrar o movimento. Em vão. Sindicalistas garantem que a greve está mantida e tem início na manhã desta terça-feira (25), com ato em frente ao Palácio Iguaçu.

“O governo pede mais prazo para o debate e trouxe uma proposta para a suspensão da greve, mas dissemos que isso só é possível depois de tratado com os comandos de greve, portanto, não tem nenhuma informação de que ela está suspensa. A greve continua. Amanhã é nosso primeiro dia de greve”, assegura a coordenadora do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES), Marlei Fernandes.

A greve unificada dos servidores terá um ato em Curitiba, na Praça Nossa Senhora da Salete, no Centro Cívico, a partir das 9h, organizado pelo FES. Em Maringá e Foz do Iguaçu a concentração será no mesmo horário, em frente ao Núcleo Regional de Educação. Em Cascavel, educadores visitarão escolas e depois se reunirão na sede da APP-Sindicato.

“Os atos amanhã serão simbólicos, por representação, pois a greve se dará nos diversos locais de trabalho, em todo o Estado”, lembra Donizete Silva, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais da Secretaria da Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e Afins (SindiSeab).  “As categorias exigem que seja apresentada uma proposta. Tentamos de todas as formas, agora não queremos mais conversa, queremos soluções”, diz o sindicalista.

Após diversas reuniões com o governo ao longo de dois meses sem que fosse apresentada uma proposta formal de reposição, os servidores decidiram pela greve em assembleias. A ação já vinha sendo anunciada pelos sindicatos, que não conseguiram acordo com o governador Ratinho Jr. (PSD) para fechar a data-base (reposição salarial) em maio. A categoria, que envolve 220 mil trabalhadores, dos quais 120 mil professores, está sem reajuste desde 2015.

Ratinho, da mesma forma que seu antecessor Beto Richa (PSDB), afirma que a reposição não é possível pela situação orçamentária do estado. A posição é criticada pelos sindicatos. Eles garantem que o governo pode e deve pagar pela defasagem  – que chega a 17% –  já que os salários estão congelados há quatro anos, enquanto as tarifas de serviços públicos (como água, esgoto, gás de cozinha, gasolina e pedágio) subiram de 20% a 30% no mesmo período.  As entidades lembram, ainda, que somente em 2019 o governo abriu mão de R$10,5 bilhões em incentivos fiscais a empresários.

Protesto com viaturas superfaturadas

Impedidos por lei de fazer greve, policiais militares e civis, que também integram a folha de pagamento do estado, não participam dos atos, mas devem sentir os efeitos da paralisação. Na Polícia Civil, o protesto veio em forma de carreata, que marcou o primeiro ato por melhores condições da categoria.

Um grupo liderado pelo Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) circulou por Curitiba até a frente do Palácio Iguaçu, onde entregou, simbolicamente, diversas viaturas sucateadas ao governador Ratinho. São carros envolvidos em denúncias de superfaturamento de manutenção, inclusos em contratos públicos irregulares.

Policiais não podem fazer greve mas podem se manifestar. Foto: Sinclapol

“Há viaturas aqui que custaram R$110 mil em manutenção, ou seja, três vezes o valor delas. A administração pública precisa ser bem feita e para isso é preciso valorizar o bem público e também o funcionário público, o que não vem acontecendo. Então, repudiamos a tentativa do governo em jogar a população contra as forças de segurança pois trabalhamos demais, sem equipamentos, com viaturas sucateadas, colocando nossa vida em perigo e ainda sem reajuste de salários”, destaca o presidente do Sinclapol, Kamil Salmen.

“Não vamos deixar de atender à população mas damos apoio às reivindicações das categorias e lembramos que os policiais podem se manifestar com faixas e cartazes, mas sem fechar as delegacias”, alerta. Hoje, a categoria conta com três mil policiais no Estado.

PM pode ter aquartelamento

Mesmo sem participar da greve e sem indicar seus líderes, o movimento de repúdio dos policiais militares está fortalecido com a ação de profissionais da reserva e com esposas de militares, que falam em fechar a entrada de quartéis e batalhões da polícia nesta terça-feira. Segundo fontes ouvidas pelo Plural, que não podem ser identificadas, existe uma grande mobilização, via redes sociais, de policiais revoltados e sofrendo com a precária situação da corporação. A ação tem até nome: Operação Camélia.

“Esgotadas todas as tratativas de negociação com o governo do Estado para o pagamento da data-base, só nos resta ‘radicalizarmos’ em atitudes para que tenhamos o nosso direito reconhecido. Para tanto, e diante do impedimento legal do envolvimento do pessoal da ativa da PMPR, mais sujeitos e facilmente atingidos por medidas decorrentes de movimentos paredistas, os PM da reserva e reforma, familiares e simpatizantes, estarão, a partir do dia 25, iniciando uma movimentação reivindicatória junto aos aquartelamentos da PMPR, reforçando com essa ação a greve geral que iniciará no mesmo dia e que envolverá todas as categorias do funcionalismo público do Paraná”, diz uma das mensagens enviadas via WhatsApp.

“Neste dia, a partir das 6h, estarão bloqueando a entrada de todas as Unidades Operacionais da PM do Estado. Somente Unidades da PM não do Comando do Corpo de Bombeiros.”

O comando da PM estaria receoso com a possibilidade de aquartelamento e já retirando viaturas dos quarteis e batalhões nesta segunda-feira (24).  Em Curitiba, as ações dos manifestantes devem ser reforçadas no quartel do 1º Comando Regional da PM, no Rebouças, e no 13º Batalhão da PM, no Portão, além de Ponta Grossa e outras cidades do interior do Estado.

Agentes penitenciários

A notícia do possível aquartelamento da PM fez com que o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) anunciasse a suspensão de presos para atendimentos e o reforço na segurança das unidades penais do estado. “Ficam garantidas a distribuição da alimentação, urgência médicas e cumprimento de alvarás. Com a falta de segurança provocada pelo baixo efetivo de agentes e a ausência da retaguarda da PM, ficam suspensas as movimentações de presos para banho de sol, atendimentos jurídico, médico e social e atividades de trabalho e estudos, além do recebimento de sacolas de mantimentos das famílias”, informou o sindicato.

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