18 out 2021 - 16h49

Estudantes de Curitiba fazem campanha para combater a pobreza menstrual; veja como ajudar

Ação doará absorventes para as estudantes da Escola Estadual Manoel Ribas, na Vila Torres

Desde o dia 10 de outubro, o Projeto Menstruô, grupo formado por cinco estudantes de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), está arrecadando absorventes para ajudar a minimizar os impactos da pobreza menstrual para as 166 estudantes da Escola Estadual Manoel Ribas, na Vila Torres, em Curitiba.

A campanha, que tem apoio da Identidade Institucional PUCPR (IDPUCPR) – setor da universidade responsável pela articulação de ações com a comunidade acadêmica e a sociedade – segue até o dia 13 de novembro e todo o valor arrecadado será convertido na compra de absorventes. 

De acordo com a estudante Sofia Magagnin, integrante do Projeto Menstruô, a ideia da ação surgiu da vontade de realizar um movimento prático que ajudasse a combater a pobreza menstrual em uma comunidade da cidade. “A gente quer relacionar esses dois cenários: o da menstruação e do ambiente escolar. Muitas meninas deixam de ir à escola por estarem menstruadas, então a gente quer deixar à disposição dessas estudantes uma quantidade considerável de absorventes para que essa não seja mais uma realidade nesse local”, defende.

A meta do projeto é arrecadar, no mínimo, 200 pacotes de absorvente, quantidade que contemplaria/representaria pelo menos oito itens para cada aluna. “As adolescentes estão iniciando este ciclo da menstruação. Queremos que desde o começo a relação delas com a menstruação seja a mais normalizada e natural possível”, afirma Sofia.

Para Simone Tavares Zucchi, especialista do Observatório de Educação para a Solidariedade da universidade e membro da IDPUCPR, a relevância e assertividade da campanha não estão apenas no tema abordado mas também na escolha do público alvo. “Há dados da UNICEF [Fundo das Nações Unidas para a Infância] que 25% de meninas de 12 a 19 anos deixam de frequentar as aulas por não ter absorventes. Mais de 60% das meninas do mundo todo não recebem informações sobre menstruação e isso, além de tornar o assunto tabu, torna essa uma experiência traumática. É nosso papel desmistificar essa temática e contribuir para que essas meninas tenham o mínimo de condições de passar por esse momento, que é inerente à vida, de uma forma mais tranquila e segura.”

A pobreza menstrual

Avaliando o atual momento do país, em que o tema da precariedade menstrual vem ganhando a atenção do Poder Público, seja pela aprovação ou veto de Projetos de Lei que abordam a menstruação, Simone considera de extrema importância o debate não só sobre a pobreza menstrual, mas também sobre o quanto a menstruação e os ciclos femininos ainda são um tabu. “Enquanto sociedade diversa e democrática, ela precisa ser estruturada para que todo mundo que faz parte dela tenha condições de existir de maneira digna. A gente tem dados muito expressivos de meninas que não têm acesso ao absorvente e isso faz com que elas utilizem outros mecanismos para conter o fluxo – o que acarreta um risco na saúde muito grande. Não é só uma discussão social, é uma discussão de saúde pública.”

O diretor da Escola Manoel Ribas, Julio Cesar Bastos, destaca que, muitas pessoas, inclusive as estudantes da instituição, não têm condições para adquirir absorventes no Brasil – visto que o país tem uma tributação elevada sobre os itens. Por isso, além de promover o acesso à informação sobre a menstruação, a ação do Menstruô pode trazer impactos na renda das famílias das alunas, segundo o discente. “A discussão do projeto se faz necessária visto o momento atual e a falta de debates mais relevantes e que tenham uma linguagem mais jovem e não tão técnica [sobre a menstruação].”

Como doar

Quem tiver interesse pode contribuir doando qualquer valor por meio de PIX, com o código [email protected], ou via o PicPay do projeto: projetomenstruo. 

Além disso, a partir desta segunda-feira (18), é possível deixar pacotes de absorvente no ponto de coleta do Menstruô, localizado no hall do Bloco Azul, dentro da PUCPR (Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, Curitiba).

Foto: Projeto Menstruô

O Projeto Menstruô também estará presente na próxima edição do Bazar das Manas, iniciativa que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo feminino em Curitiba (Rua Desembargador Westphalen, 796, Centro). O bazar acontece no dia 13 de novembro e quem quiser contribuir com a campanha de arrecadação poderá deixar os itens com a equipe do projeto. 

Para mais informações sobre a campanha, metas e prestação de contas, basta entrar em contato com as integrantes do Menstruô através do Instagram @projetomenstruo

*A publicação desta reportagem é uma parceria entre o Plural e o Menstruô, um projeto de conclusão de curso desenvolvido por cinco estudantes de jornalismo da PUCPR – Isabelli Pivovar, Maria Cecília Zarpelon, Maria Fernanda Coutinho, Marina Prata e Sofia Magagnin.

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