“Serve bem dois maconheiros”: Bek’s lança mão do bom humor para turbinar delivery
17 maio 2021 - 18h21

“Serve bem dois maconheiros”: Bek’s lança mão do bom humor para turbinar delivery

Tradicional bar do Água Verde luta para se reinventar sob o comando da filha do fundador

O Bek’s Bar, tradicional boteco no Água Verde, lançou mão de bom humor – e uma pitada de irreverência – para promover suas iguarias no iFood. A nova comunicação é parte da estratégia da nova proprietária, Giovanna Lima, para renovar a clientela e dar nova linfa ao local que completa 41 anos em 2021.

A descrição no aplicativo da porção de frango a passarinho, acompanhada por fritas, cerveja de garrafa e molho de alho (R$ 113,10), já avisa sobre a fartura da refeição: “Serve bem dois maconheiros”, diz em tom irreverente. Já a versão com mandioca é “larica para ser compartilhada”.

E tem mais ironias no menu. O bucho ensopado, acompanhado de pão francês (R$ 61,60), por exemplo, é pensado para servir “duas pessoas ou uma taurina”. Para quem não pegou a referência, reza a astrologia que as pessoas do signo do Touro são comilonas.

Frango a passarinho com polenta frita. Foto: Hana Ligia/Divulgação.

“O bar é meu espaço de trabalho e acredito que nada mais coerente que ele se pareça comigo. Eu me posiciono politicamente, sou mulher, sou sapatão e quero que outras pessoas que se identificam comigo façam parte da história do Bek’s”, explica a proprietária.

Jornalista e pichadora poética – ficou famosa por escrever poesias e reflexões nos muros de Curitiba com a assinatura G.L. –, Giovanna assumiu o comando do boteco em fevereiro do ano passado, após a morte do pai e fundador do local, Jefferson Eduardo de Lima, ocorrida em setembro de 2019.

Desde então, o bar sofreu pouquíssimas mudanças: a decoração continua praticamente a mesma, assim como o cardápio. “Tirei algumas coisas que tinham pouca ou nenhuma saída e busquei melhorar a qualidade do que já existia”, diz Giovanna.

Bolinho de siri é novidade da casa. Foto: Hana Ligia/Divulgação.

Os tradicionais petiscos e sanduíches, como o pão com bolinho e o provolone à milanesa, continuam fazendo a fama do bar. A tulipa de frango também tem sua legião de fãs, visto que poucos lugares a preparam desse jeito, invertida.

Mas, Giovanna sabe que é preciso se reinventar. Entre as novidades estão a porção de dadinhos de tapioca (R$ 40) e o bolinho de siri (R$ 53 para 12 unidades). “A ideia é acrescentar, assim que haja verba, comidas clássicas de boteco, como pão com pernil, torresmo, pão com bife”, afirma a proprietária. 

Bucho ensopado, um dos clássicos do bar. Foto: Hana Ligia/Divulgação.

A empresária não esconde que o Bek’s navega em águas turbulentas desde que começou a pandemia. Enquanto ela tenta regularizar o alvará para reabrir com atendimento presencial, a única fonte de receita é o delivery, o que não tem sido suficiente para fechar as contas no azul.

No ano passado, três funcionários foram demitidos e hoje a equipe conta com as cozinheiras Joseane e Cláudia, o garçom e gerente Jocimar, o Jô, que trabalha no Bek’s há 27 anos. “Ele tem sido meu braço direito, esquerdo e às vezes até as pernas”, agradece Giovanna.

Giovanna Lima e a namorada Giovana Lemos lutam contra o preconceito. Foto: Arquivo pessoal.

Internamente, o Bek’s ainda se parece muito com o bar que todos conhecem. Apenas alguns brinquedos da infância da Giovanna passaram a decorar as prateleiras atrás do balcão.

Alguns elementos, porém, são intocáveis, como a prateleira de bebidas que está lá há mais 40 anos. Giovanna pensa também em colocar uma mesa de sinuca. “Quero que o Bek’s seja um espaço de convergência entre passado e presente. E, mais que isso, que seja um espaço de criação e resgate de novas memórias”, diz a proprietária. 

Tulipa de frango “invertida”, raridade nos botecos. Foto: Hana Ligia/Divulgação.

Para isso, Giovanna batalha para quebrar estereótipos e preconceitos. “O mundo mudou muito desde a época que meu pai criou o bar. Alguns comportamentos preconceituosos e discriminatórios não podem ser mais tolerados. Quero aproveitar e fazer um convite para as pessoas, que assim como eu, acreditam na inclusão, na diversidade, na pluralidade, na democracia, no respeito, que venham me ajudar a transformar o Bek’s num espaço de resistência, de trocas, de cultura, de arte”, explica.

Todas suas energias estão voltadas para isso. Até a atividade de poetisa urbana entrou em lockdown: “Por enquanto só estou espalhando por folhas de caderno e arquivos do Word. E, se minha lua em virgem e minha insegurança não me devorarem, em breve, vem livro por aí”, revela.

A pequena Giovanna com o pai Jefferson, fundador do Bek’s Bar. Foto: Arquivo pessoal/Giovanna Lima.

Serviço

Rua Brasílio Itiberê 3645, Água Verde – (41) 3242-7232 (WhatsApp). Delivery pelo iFood ou entrega própria de segunda a sábado das 17h30 até as 23h; instagram.com/beksbarcwb; twitter.com/beksbarcwb.

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