Nestlé reconhece que maioria de seus alimentos não são saudáveis
4 jun 2021 - 11h19

Documentos da Nestlé revelam que maioria de seus alimentos não são saudáveis

Maior fabricante do mundo reconhece que algumas categorias de produtos jamais serão saudáveis

Documentos reservados da Nestlé revelam que a maior empresa de alimentos do mundo sabe que mais de 60% de seus produtos não se encaixam numa “definição de saudável” e que “algumas categorias de produtos nunca serão saudáveis, independente de quantos nós inovamos”.

As informações foram publicadas pelo jornal britânico Financial Times que teve acesso a uma apresentação direcionada para altos executivos da empresa. Apenas 37% dos alimentos e bebidas – ficam de fora rações para animais de estimação e produtos nutricionais para fins médicos – alcançam pontuação de 3,5 numa escala até 5, usada pelo sistema de saúde da Austrália para categorizar os alimentos.

A Nestlé – dona das marcas Maggi, Nescafé, KitKat e Ninho, entre outras – admite ainda que 70% de seus produtos alimentícios não alcançam o patamar mínimo de 3,5 pontos. Para as bebidas – excluindo o café puro – a porcentagem sobe para 96% e chega a 99% para os sorvetes.

A situação melhora um pouco quando se analisam água e laticínios: no primeiro caso, 82% das águas da Nestlé se encaixam na definição de saudável; no segundo, a porcentagem é de 60%.

“Fizemos melhorias significativas nos nossos produtos… [mas] nosso portfólio continua abaixo das definições externas de saudável num cenário em que a pressão regulatória e as exigências dos consumidores estão disparando”, diz a apresentação da empresa.

Segundo o jornal britânico, os documentos apontam também alguns vilões do portfólio. Por exemplo, a pizza pepperoni Hot Pockets contém 48% da dose de sódio recomendada diariamente para uma pessoa. O Nesquik sabor morango, para misturar no leite, contém 14 g de açúcar, porém é descrito pela Nestlé como “perfeito no café da manhã para preparar as crianças para o dia”.

Nestlé afirmou que está trabalhando para atualizar a sua estratégia nutricional para oferecer uma dieta balanceada aos consumidores, e lembra que nas últimas duas décadas vem reduzindo as quantidades de sódio e açúcar em seus produtos, sendo que nos últimos sete anos essa diminuição seria de cerca de 15%.    

“O trabalho das empresas de alimentos é gerar dinheiro para os acionistas de maneira mais rápida possível e em larga escala. Elas vendem produtos que alcançam um público de massa e são comprados pelo maior número de pessoas. Isto é junk food [comida não saudável]”, explicou a professora de Ciência da Nutrição da Universidade de Cornell, Marion Nestle (sem relação com a empresa) ao Financial Times.

“Nestlé é uma companhia muito inteligente, mas eles têm um problema real. Os cientistas trabalham há anos para tentar descobrir uma maneira de reduzir sal e açúcar sem mudar o sabor e adivinhe: é difícil”, acrescentou a especialista.

Num esforço de melhorar a sua imagem, a empresa criou a Fundação Nutricional Nestlé com o objetivo de elevar seus padrões nutricionais e de se mostrar ao mercado como uma empresa que se importa com “nutrição, saúde e bem-estar”.

“Acreditamos que uma dieta saudável significa encontrar um equilíbrio entre bem-estar e prazer. Isso inclui ter algum espaço para alimentos indulgentes, consumidos com moderação”, diz a empresa.

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3 comentários sobre “Documentos da Nestlé revelam que maioria de seus alimentos não são saudáveis

  1. Eu amo o leite moça e o ninho, mais adoraria que eles melhorasse esses alimentos, e também criasse novos alimentos sem lactose, pois só que tem um filho, sabe o quanto é difícil fazer um pudim e ele não pode comer. E diminuam o açúcar dos produtos por favor.

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