A disputa por cada cargo no Paraná gasta o dinheiro da campanha de um jeito. Os candidatos a deputado — que somam a maior parte do dinheiro — despejam recursos no feijão com arroz da política de rua: pessoal, militância e o velho santinho. Os candidatos ao Senado apostam quase um quarto do caixa em impulsionar posts nas redes. E os candidatos ao governo concentram o gasto em dois itens caros: a produção de TV e vídeo e os advogados. Somadas as quatro disputas, os candidatos paranaenses já contrataram cerca de R$ 177 milhões em despesas de campanha, segundo a prestação de contas do TSE. O retrato de para onde vai esse dinheiro muda conforme o tamanho e o alcance de cada eleição.
> Atualização dos dados: os valores refletem a prestação de contas divulgada pelo TSE em 20 de setembro de 2026. A prestação segue em aberto e pode mudar nas próximas atualizações.
A campanha de chão dos deputados
O grosso do dinheiro está nas duas maiores bancadas: os candidatos a deputado federal e estadual já contrataram cerca de R$ 144 milhões, e a maior parte vai para a campanha de rua. Entre os candidatos a deputado federal, que somam o maior bolo (R$ 101,6 milhões), o gasto com pessoal é o principal — 26% do total —, seguido de militância e mobilização de rua (19%) e publicidade impressa (15%). É o retrato de campanhas com estrutura: equipes contratadas, cabos eleitorais nas ruas e santinhos distribuídos aos milhares.
Já entre os candidatos a deputado estadual (R$ 42,9 milhões), a ordem se inverte: o maior gasto é a publicidade impressa (20%), à frente de pessoal (19%) e militância de rua (16%). São campanhas em geral menores e mais dependentes das ferramentas baratas de visibilidade — santinho, adesivo, panfleto — do que de grandes equipes.
Federal contrata equipe; estadual aposta no santinho
A diferença de porte fica clara nos nomes. Entre os maiores gastadores estão candidatos a federal como Tião Medeiros (PP), que contratou quase R$ 3 milhões, Paulo Litro (União), Aliel Machado (PV), Leandre (PSD) e Aline Sleutjes (PL) — todos acima de R$ 2,4 milhões. Só em pagamento de pessoal, Paulo Litro registrou R$ 2,2 milhões e Tião Medeiros, R$ 1,9 milhão.
Na chapa estadual, os valores são uma fração disso, e o dinheiro se espalha por itens de baixo custo. Somando as duas disputas, a publicidade impressa consome sozinha cerca de R$ 26 milhões no estado — prova de que, mesmo na era das redes, a campanha de papel não morreu: o santinho segue sendo uma das principais despesas de quem disputa uma vaga no Legislativo.
Entre os deputados, o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais — o dinheiro declarado para turbinar posts — responde por apenas 7% das despesas dos candidatos a federal e 9% das dos candidatos a estadual. É um valor crescente, mas ainda distante do peso do corpo a corpo. Quem mais investiu nessa frente foi o delegado Matheus Laiola (União), com R$ 894 mil em impulsionamento, seguido de Roberto Requião (PDT), com R$ 588 mil. Como se verá adiante, é no Senado — e não nas bancadas — que o post pago vira a espinha dorsal da campanha.
No Senado, quase um quarto do dinheiro vai para post pago
A disputa pelo Senado é a mais digital do Paraná. Dos R$ 14,7 milhões contratados pelos nove candidatos, o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais responde por 24% do total — de longe a maior fatia entre todas as eleições do estado. Enquanto os deputados gastam de 7% a 9% do caixa turbinando posts, os candidatos ao Senado apostam quase um quarto do que têm. Faz sentido: o Senado é disputado no estado inteiro como um distrito único, e alcançar o eleitor rua por rua é menos eficiente do que aparecer no feed de todo o Paraná.
O maior investimento digital de toda a campanha paranaense — em qualquer cargo — é da senadora Gleisi Hoffmann (PT), que contratou R$ 1,12 milhão só em impulsionamento, mais do que qualquer candidato a deputado ou a governador. Atrás dela vêm Alexandre Khury (Republicanos), com R$ 845 mil, Filipe Barros (PL), com R$ 660 mil, e Deltan Dallagnol (Novo), com R$ 490 mil. São os quatro nomes que transformaram a rede social na principal vitrine da candidatura ao Senado.
No total contratado, a ordem é outra. Lidera Deltan Dallagnol (Novo), com R$ 3,8 milhões, seguido de perto por Alexandre Khury (Republicanos), com R$ 3,3 milhões, e Gleisi Hoffmann (PT), com R$ 3,2 milhões. Depois aparecem Cristina Graeml (PSD), com R$ 2,1 milhões, e Filipe Barros (PL), com R$ 1,5 milhão. Seis nomes concentram praticamente todo o dinheiro da disputa; os demais mal declararam despesas.
Uma ressalva importante sobre o líder de gastos: Deltan Dallagnol está com a campanha suspensa pelo TSE. No dia 19 de setembro, o tribunal concedeu liminar que suspendeu todos os atos de campanha do ex-procurador até o julgamento de um recurso da Coligação Paraná para Todos — e o plenário do TSE manteve a suspensão por 5 votos a 2 em 21 de setembro. Os R$ 3,8 milhões referem-se a despesas contratadas antes da paralisação e não significam que ele siga em campanha. O registro, aceito pelo TRE-PR por 4 a 3 em 8 de setembro, ainda está sob análise; por ora, a candidatura permanece na urna, mas com a campanha parada.
O que o Senado quase não gasta é justamente o que domina a campanha dos deputados: a publicidade impressa fica em apenas 5,8% e a militância de rua, em 4,9% — uma fração do peso que santinho e cabo eleitoral têm nas bancadas. No lugar da rua, entram os serviços de terceiros e de produção (29% do total) e o post pago. A judicialização também aparece: só em serviços advocatícios, Deltan Dallagnol contratou R$ 1,1 milhão.
No governo, a campanha é de TV e de advogado
A disputa pelo governo é a mais concentrada e a mais cara por candidato. Os R$ 18,3 milhões contratados na corrida majoritária estão, na prática, em três nomes: Sergio Moro (PL), com R$ 7,9 milhões, Sandro Alex (PSD), com R$ 7,3 milhões, e Requião Filho (PDT), com R$ 2,9 milhões. Os outros cinco candidatos a governador somam, juntos, menos de R$ 220 mil — e um deles, Adriano Funileiro (PCO), não declarou nenhuma despesa.
Um dado chama atenção: Sandro Alex quase empata com Moro em dinheiro (R$ 7,3 milhões contra R$ 7,9 milhões), embora apareça atrás nas pesquisas. Apoiado pelo governador Ratinho Junior, o candidato do PSD banca uma campanha de porte semelhante à do líder — sinal de que, na disputa pelo Palácio Iguaçu, o dinheiro não segue a ordem das intenções de voto.
Para onde vai esse dinheiro? Sobretudo para a tela. A produção de programas de rádio, TV e vídeo é o principal gasto da disputa — 29% do total, cerca de R$ 5,4 milhões. Moro contratou R$ 3 milhões em produção de programas, Sandro Alex, R$ 1,25 milhão, e Requião Filho, R$ 1,12 milhão. É a única eleição do estado em que a mídia audiovisual, e não o santinho ou o post, lidera as despesas — coerente com uma campanha que tem horário eleitoral de peso e briga por reconhecimento estadual.
Logo atrás vêm os advogados: os serviços advocatícios consomem 22% do caixa da disputa pelo governo (R$ 4 milhões), a maior fatia entre todas as eleições do Paraná. Sandro Alex contratou R$ 1,87 milhão em serviços jurídicos, Moro, R$ 1,7 milhão, e Requião Filho, R$ 400 mil. É o retrato de uma campanha judicializada, em que impugnações, direito de resposta e ações no TRE fazem do advogado uma despesa de primeira grandeza — algo que quase não pesa na conta dos candidatos a deputado.
O governo é também a única disputa em que pesquisas eleitorais aparecem como gasto relevante: cerca de R$ 960 mil, 5% do total, com Moro à frente (R$ 705 mil). Enquanto os candidatos a deputado praticamente não contratam levantamentos, quem disputa o Executivo estadual paga para medir o próprio desempenho a cada semana.
Explore os gastos por cargo e partido
O painel abaixo mostra as despesas contratadas por categoria e permite filtrar por cargo e por partido — do panorama geral do estado ao detalhe de cada legenda.
No que os candidatos gastam a campanha — Paraná 2026
Despesas contratadas, por categoria. Filtre por cargo e partido. Dado do TSE (20/09/2026).
Fonte: despesas contratadas na prestação de contas do TSE, compiladas pela Plural. Valores preliminares (prestação em aberto). "Todos" soma todos os cargos/partidos.
Como apuramos esta reportagem
Os valores vêm das despesas contratadas informadas na prestação de contas eleitorais do TSE (dado de 20 de setembro de 2026), somadas por categoria (o campo "origem da despesa") para os candidatos do Paraná a governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Consideramos o total contratado, que pode ser maior do que o efetivamente pago até aqui, já que a prestação segue em aberto até o fim da campanha. Os valores são preliminares e podem mudar nas próximas atualizações do Tribunal.
Perguntas rápidas
No que os candidatos do Paraná mais gastam a campanha? Depende da disputa: deputados gastam com pessoal, militância de rua e santinho; candidatos ao Senado, com impulsionamento nas redes; candidatos ao governo, com produção de TV/vídeo e advogados.
Qual eleição mais gasta com redes sociais? A do Senado: o impulsionamento de posts responde por 24% do total contratado, contra 7% a 9% nas disputas para deputado. A senadora Gleisi Hoffmann (PT) tem o maior gasto digital de toda a campanha, R$ 1,12 milhão.
Em que a campanha ao governo gasta mais? Em produção de rádio, TV e vídeo (29% do total) e em serviços advocatícios (22%) — a maior fatia jurídica de todas as disputas do estado.
Quem mais gastou até agora? Entre os candidatos ao governo, Sergio Moro (PL), com R$ 7,9 milhões; ao Senado, Deltan Dallagnol (Novo), com R$ 3,8 milhões — embora esteja com a campanha suspensa pelo TSE desde 19 de setembro; e a deputado, Tião Medeiros (PP), com quase R$ 3 milhões.