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Entre a precarização e o amor pela educação, docentes fazem da sala de aula um caminho para emancipação

No Dia das Professoras e Professores, mais de 81 mil trabalhadores da rede estadual do Paraná têm o desafio de exercer a docência sob a política da plataformização e a desvalorização

Entre a precarização e o amor pela educação, docentes fazem da sala de aula um caminho para emancipação
Da pré-escola ao doutorado, docentes são linha de frente da educação | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Quem passou pela rua XV de Novembro, em Curitiba, nesta quinta-feira (15) viu uma aula pública organizada pela APP-Sindicato, que representa os trabalhadores da educação estadual do Paraná. O ato marcou o Dia das Professoras e Professores, e serviu para lembrar dos desafios que estes trabalhadores enfrentam para exercer sua profissão.

Segundo dados do próprio Sindicato, a rede estadual de ensino tem 81.037 professores, divididos entre 47.472 do quadro próprio do magistério (QPM) e 33.565 com contrato temporário (PSS).  Estes docentes que têm contrato temporário não são concursados, ou seja, não compõem o quadro efetivo do Estado, uma das lutas da APP-Sindicato no Estado, que tem 2.082 escolas estaduais.

Uma destas escolas é o Colégio Estadual João Gueno, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, onde a professora de Língua Portuguesa Érica Rodrigues, que transformou a paixão pela escola em profissão.

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Devido ao avanço da plataformização implantada pelo governo Ratinho Jr. (PSD), além de Língua Portuguesa, Érica também leciona redação e outras disciplinas atreladas ao conteúdo programático do Estado. Todavia, isso não a impede de manter o diálogo e a conversa com os estudantes para que tenham perspectivas de emancipação por meio da educação.

No entanto, nem sempre a tarefa é fácil. “Por exemplo, logo no começo da minha carreira, fui para o Ensino Médio, e lá há muitos jovens que já trabalham, eles não têm perspectiva de fazer o vestibular e atualmente até acham desnecessário, dizem que podem ganhar mais que um professor, por exemplo, sem faculdade”, lamenta.

A plataformização tem impacto no processo de aprendizagem e no interesse dos alunos e alunas para ir além. Por outro lado, no Ensino Fundamental, onde ela leciona atualmente, os jovens têm pretensões de buscar uma carreira e ir além por meio da educação. “E é aí que fazemos a diferença. Eu tive uma aluna que gostava muito das minhas aulas, ia muito bem, e hoje ela atua num projeto de educomunicação, onde estuda jornalismo”, diz. A aula é a estudante Emanuelle Vianna, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Fazer a diferença

Érica sempre gostou do ambiente escolar, desde criança. “As minhas próprias lembranças de infância estão atreladas às atividades na escola. Então, quando fui prestar vestibular, o primeiro prestei para comunicação, mas depois foi para a área de Letras e me encontrei em sala de aula”, revela.

As primeiras experiências como professora foram na rede privada, até que foi aprovada em um concurso público do Estado e conseguiu a vaga em Colombo, perto de onde mora.

Viver na comunidade próxima ao trabalho também é uma maneira de ampliar o papel da educação formal, que vai além da alfabetização ou aplicação de atividades, perpassa também pela formação intelectual das crianças e adolescentes. Entre as iniciativas interseccionais que envolvem a professora Érica estão os projetos desenvolvidos em parceria com o Núcleo de Comunicação e Educação Popular (NCEP) da UFPR, vigente desde 2018, que evolvem leitura e escrita e que trouxeram Emanuelle de novo à escola, agora como extensionista.

Desafios

Para além da plataformização na rede estadual, também há desafios de segurança. Na rede municipal de ensino de Curitiba, por exemplo, recentemente houve tentativa de ocupação por pais de alunos que protestavam contra um suposto abuso sexual contra um dos alunos – que mais tarde foi descartado – em uma escola do bairro Cajuru, que deixou professoras da educação infantil em pânico, enquanto cuidavam das crianças em meio à dispersão dos manifestantes feia pela Polícia Miliar (PM). E, mais recentemente, a morte de um homem também pela PM, após invasão a uma creche no São Braz.

Neste último caso, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc) encaminhou um ofício à prefeitura de Curitiba pedindo uma reunião com a Secretaria de Educação. “Não aceitaremos mais a negligência por parte da Prefeitura que segue sem tomar as providências necessárias para que haja segurança nos equipamentos de atendimento do serviço público”, destacou o sindicato.

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Já o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), em relação ao caso do Cajuru, mencionou que “a vida de servidoras e servidores foi colocada em risco, e a equipe ficou com traumas que podem durar anos ou nunca serem superados”, porque “As forças de segurança tiveram de intervir para conter pessoas que tentaram entrar na unidade para agredir funcionárias e funcionários, em uma situação que poderia ter terminado em tragédia. Mensagens de ódio circularam em grupos de WhatsApp e nas redes, com ameaças de morte e pedidos de justiça com as próprias mãos, sem prova alguma”.

Dia das Professoras e Professores

Comemorado em todo o Brasil, o Dia do Professor é celebrado anualmente em 15 de outubro, como reconhecimento ao papel fundamental dos educadores na formação de cidadãos, na transmissão de conhecimentos e na transformação da sociedade.

A data foi criada pela professora de Santa Catarina, Antonieta de Barros foi a, que instituiu o dia 15 de outubro como data comemorativa dos professores e feriado escolar no Estado. Além de docente, ela foi parlamentar e jornalista.

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O inciativa foi replicada em 1963 que o então presidente João Goulart assinou o Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro, oficializando o Dia do Professor em todo o país e estabelecendo a data de 15 de outubro como feriado escolar.

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Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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