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Polícia Civil conclui oitivas e denúncia de suspeita de abuso no Cajuru é descartada

Pais registraram boletim de ocorrência após levar menino de quatro anos ao hospital, suspeitaram de abuso e fizeram protesto em frente à escola

Polícia Civil conclui oitivas e denúncia de suspeita de abuso no Cajuru é descartada
Apesar do propotesto no início da semana, Nucria concluiu inquérito e não constatou nenhum abuso contra a criança | Foto: Tami Taketani/Plural.

Nesta sexta-feira (02) o delegado Rodrigo Rederde, o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), da Polícia Civil do Paraná (PCPR), disse que a investigação não confirma nenhum abuso contra uma criança de quatro anos, estudante do Escola Municipal CEI Ritta Anna de Cássia, no bairro Cajuru, em Curitiba. Na última semana, os pais desta criança e outros pais fizeram um protesto em frente à escola, já que os responsáveis pela criança acusaram um funcionário do CEI de ser suspeito no caso.

O protesto gerou medo nos funcionários que trabalham na escola e para dispersar a multidão, a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal (GM) usaram munição não letal. Isso fez com que as crianças e professoras tivessem que deixar no chão para se proteger (saiba mais aqui).

Investigação

O Nucria ouviu os pais da criança, outros pais, outros alunos e servidores. A investigação também obteve um laudo que não comprovou nenhum tipo de abuso.

“Os pais em nenhum momento recordaram [no depoimento] que essa mencionou ter sido abusada sexualmente. Ela falou que havia se machucado no portão de casa, no entanto, a lesão que ela tinha não conduzia com o que ela falava. Nós ouvimos também depois essa criança e ela também disse que não havia sido violentada”, destacou Rederde.

Na segunda-feira (28), o pai da criança havia afirmado que o filho havia sido abusado na escola, diferente do que foi dito em juízo, durante o depoimento. “Meu filho foi abusado na escola, ele foi a ponta do iceberg para a gente descobrir que teve mais casos, diretamente através do boletim que a gente fez pelo meu filho”, afirmou (veja aqui).

Ainda conforme o delegado, o laudo pericial não comprovou nenhum tipo de abuso. “O laudo constatou que não houve violência sexual, também fizemos exame de sêmen e não existia nenhum vestígio neste menino de quatro anos”, explicou o delegado.

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A lesão na região anal da criança, que motivou a suspeita de abuso, existiu, segundo a PC, mas a perícia não ligou este ferimento à violência sexual.

A PC também olhou as imagens das câmeras de segurança da escola e não houve constatação de nenhuma movimentação atípica. As redes sociais dos servidores foram analisadas e não houve nenhum indício de comportamento que indicasse pedofilia ou estranheza.

Reação

Sindicatos que representam os servidores, ainda no dia do protesto, alertaram para o comportamento dos pais e demais manifestantes, que organizaram o ato sem ter a comprovação. A cobertura midiática também foi criticada.

Nesta sexta-feira (02) o delegado alertou para a maneira correta de agir em casos de suspeita de abuso. “As partes e as pessoas envolvidas primeiramente têm que procurar as autoridades, e isso não foi feito em nenhum momento. Os pais iniciaram uma investigação paralela e isso não é o correto, fazer justiça com as próprias mãos, sem esperar as autoridades, é um erro, porque nós temos mecanismos formais para poder investigar e indicar alguém e somente os especialistas conseguem dizer isso (...) em nenhum momento nós fomos procurados pelos pais, então já começa uma investigação de forma errada”, criticou Rederde.

Veja a entrevista com o delegado na íntegra:

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Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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