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Investigação sobre abuso contra criança em escola de Curitiba gera protesto no Cajuru

Menino se queixou de dores no ânus para os pais, foi levado ao hospital e exames comprovaram abuso

Investigação sobre abuso contra criança em escola de Curitiba gera protesto no Cajuru
Pai sergura boletim de ocorrência em frente ao prédio da escola. Rosto não é mostrado para evitar identificação da vítima | Foto: Tami Taketani/Plural.
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Nesta segunda-feira (28) mais de cem pessoas protestaram em frente a Escola Municipal CEI Ritta Anna de Cássia, que fica no bairro Cajuru, em Curitiba. O ato aconteceu depois de um aluno da unidade se queixar de dores no ânus e ser levado ao hospital Pequeno Príncipe, que relatou suspeita de abuso sexual. O caso é investigado pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), da Polícia Civil (PC).

O pai da criança disse ao Plural que o filho reclamou das dores na quinta feira. Para evitar identificação da vítima, vamos usar o nome fictício de Daniel Souza para identificar o pai da vítima, que tem apenas quatro anos.

“Meu filho foi abusado na escola, ele foi a ponta do iceberg para a gente descobrir que teve mais casos, diretamente através do boletim que a gente fez pelo meu filho. Criamos um grupo entre pais onde está tendo mais relatos, essa escola deixa as crianças nossas muito vulneráveis ”, falou, em lágrimas, Souza.

Outro pai, cujo nome fictício adotado é Milton Gomes, confirma a falta de atenção com as crianças. “Eu tive um problema aqui com a questão de segurança da minha filha, porque eles deixam esses portões abertos e eu mesmo encontrei minha filha quase saindo para fora”, criticou.

Abuso

O caso de abuso está em investigação. O boletim de ocorrência registrado junto ao Nucria, ao qual o Plural teve acesso, diz que a situação foi informada ao Conselho Tutelar pela mãe da vítima, que no dia 24 de outubro relatou que estava com dores no ânus. “Na hora do banho o mesmo apresentava-se lesionado”, diz o documento.

Segundo consta no boletim, a criança não quis dar mais detalhes sobre o assunto para a mãe, mas informou que ganhou uma bala na escola e ficou muito tempo na sala de aula, contudo, não soube dizer o nome da pessoa que estava com ele.

Os pais suspeitam de um monitor que trabalha no CEI. Há relatos de que ele tem comportamento inadequado com as crianças. “A gente teve conhecimento do abuso sexual, confirmado por laudo, e soubemos que especificamente tem um inspetor da escola que passa a mão nas crianças, que olha as crianças por debaixo da porta, que a gente já escutou aqui”, explicou Gomes.

O pai da criança examinada no Pequeno Príncipe também afirmou que há agressões contra os alunos. “Essa escola deixa as crianças nossas muito vulneráveis, teve relato de crianças aqui fora sem a presença de um adulto, relato de que o cuidador de crianças bateu na bunda das crianças. A gente, como pais, estamos tentando buscar resposta, justiça. A gente, como pai, confio na escola e está acontecendo isso”, mencionou Souza.

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O grupo de pais e mães presentes no protesto criticou a falta de posicionamento da prefeitura. Eles queriam acessar a escola, contudo, foram impedidos por guardas municipais e policiais militares. O objetivo era ouvir a direção da escola, já que não houve comunicado oficial aos responsáveis sobre a investigação no caso de abuso sexual.

Segundo a prefeitura de Curitiba, a Secretaria Municipal de Educação (SME) “é firme na proteção de crianças e adolescentes e não tolera qualquer forma de violência no ambiente escolar. Desde que tomou conhecimento da denúncia, a SME adotou imediatamente as providências previstas nos protocolos de proteção, com acolhimento e orientação à família, suporte à comunidade escolar e comunicação aos órgãos responsáveis pela apuração”.

Sobre a ação da Guarda Municipal, a prefeitura mencionou que “nesta segunda-feira (28/9), familiares e moradores realizaram uma manifestação em frente à unidade. A Guarda Municipal acompanha a situação para garantir a segurança da comunidade escolar e preservar a integridade dos estudantes, profissionais e familiares, bem como o funcionamento da escola”.

Desdobramentos

Os pais pretendem continuar os protestos até conseguirem falar com a direção da escola. A SME não confirmou possibilidade de afastamento de nenhum funcionário da escola, que atualmente tem 51 docentes (2024) em 19 turmas (2025), conforme o Censo Escolar.

Além dos professores, a escola conta com seis pedagogas, quatro profissionais de alimentação, seis trabalhadores de serviços gerais, dois servidores administrativos e uma bibliotecária, segundo dados do Censo Escolar de 2025. Neste levantamento não registram profissionais de psicologia. Estudam na unidade 136 alunos na Educação Infantil (2025) e 425 nos anos iniciais (2025).

De acordo com a prefeitura, o Executivo não vai divulgar mais informações sobre a investigação por envolver criança. “A apuração dos fatos cabe às autoridades policiais, que contam com total colaboração da Prefeitura. Caso sejam identificadas responsabilidades, a Secretaria adotará, dentro de suas competências, todas as medidas cabíveis”, afirmou a SME, em nota.

A SME também destacou que está prestando apoio e orientação aos familiares.

O inquérito que investiga o abuso sexual não tem data para ser concluído.

 

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Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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