O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), foi o único paranaense que não votou pelo fim da escala de trabalho 6x1 na noite desta quarta-feira (14). A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) foi aprovada com 75 votos a favor e um contrário em primeira votação. Os outros dois senadores do Paraná, Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB), votaram favoravelmente.
Moro foi o único senador que participou da sessão (de forma remota) e não se posicionou em nenhuma das votações. Márcio Bittar (PL-AL) e Rogério Marinho (PL-RN) estavam ausentes. Ciro Nogueira (PP-PI), ausente na primeira votação, votou favoravelmente na segunda. O único voto contrário, nas duas votações, foi de Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente de Jair Bolsonaro.
Na noite de terça (13), ao participar em Curitiba de um ato em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, Moro já tinha dado a indicação de que não se posicionaria sobre o assunto nesta quarta.

Direita prevê "jornada flexível" se Flávio for eleito
Temendo desgaste entre o eleitorado, o PL liberou a bancada e até Flávio Bolsonaro votou a favor da PEC. Ele foi acompanhado por bolsonaristas como Ciro Nogueira, Damares Alves (Republicanos-DF), Luís Carlos Heinze (PP-RS), Magno Malta (PL-ES) e Jorge Seif (PL-SC).
A extrema direita não acompanhou Flávio por acaso – ele já teria feito um acordo com setores empresariais para instituir a "jornada flexível" de trabalho caso seja eleito presidente, o que colocaria a votação desta quarta-feira por terra.
Para Moro, no entanto, votar a favor da redução poderia ser problemático – o vice dele é Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), entidade que já se posicionou publicamente contra a redução da jornada. A mulher dele, a deputada federal Rosângela Moro (PL-SP), votou contra a PEC em maio deste ano na Câmara.
No mesmo dia em que o Senado analisou a proposta que muda a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras – 1 milhão no Paraná –, o ex-juiz da Lava Jato participou em Porto Alegre de um ato ao lado dos bolsonaristas Luciano Zucco (PL), eleito governador do Rio Grande do Sul, e Jorginho Mello (PL), reeleito em Santa Catarina.

O que diz a PEC
A PEC prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial; 60 dias após a promulgação, as empresas deverão adotar a escala 5x2 e reduzir a jornada para 42 horas semanais. Em 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais. O texto instituiu jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, desde que seja mantida a escala 5x2, e preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para disciplinar situações específicas.

