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Sergio Moro se omite e não vota fim da escala 6x1

Fim da escala foi aprovado com 75 votos. Moro foi o único senador que declarou presença na sessão e não votou

Sergio Moro se omite e não vota fim da escala 6x1
O governador eleito do Paraná, Sergio Moro. Foto: Tami Taketani/Plural
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O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), foi o único paranaense que não votou pelo fim da escala de trabalho 6x1 na noite desta quarta-feira (14). A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) foi aprovada com 75 votos a favor e um contrário em primeira votação. Os outros dois senadores do Paraná, Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB), votaram favoravelmente.

Moro foi o único senador que participou da sessão (de forma remota) e não se posicionou em nenhuma das votações. Márcio Bittar (PL-AL) e Rogério Marinho (PL-RN) estavam ausentes. Ciro Nogueira (PP-PI), ausente na primeira votação, votou favoravelmente na segunda. O único voto contrário, nas duas votações, foi de Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice-presidente de Jair Bolsonaro.

Na noite de terça (13), ao participar em Curitiba de um ato em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, Moro já tinha dado a indicação de que não se posicionaria sobre o assunto nesta quarta.

Sergio Moro fica em cima do muro sobre o fim da escala 6x1
Governador eleito não revelou seu voto e disse que acompanhará a votação desta quarta-feira de forma remota

Direita prevê "jornada flexível" se Flávio for eleito

Temendo desgaste entre o eleitorado, o PL liberou a bancada e até Flávio Bolsonaro votou a favor da PEC. Ele foi acompanhado por bolsonaristas como Ciro Nogueira, Damares Alves (Republicanos-DF), Luís Carlos Heinze (PP-RS), Magno Malta (PL-ES) e Jorge Seif (PL-SC).

A extrema direita não acompanhou Flávio por acaso – ele já teria feito um acordo com setores empresariais para instituir a "jornada flexível" de trabalho caso seja eleito presidente, o que colocaria a votação desta quarta-feira por terra.

Para Moro, no entanto, votar a favor da redução poderia ser problemático – o vice dele é Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), entidade que já se posicionou publicamente contra a redução da jornada. A mulher dele, a deputada federal Rosângela Moro (PL-SP), votou contra a PEC em maio deste ano na Câmara.

No mesmo dia em que o Senado analisou a proposta que muda a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras – 1 milhão no Paraná –, o ex-juiz da Lava Jato participou em Porto Alegre de um ato ao lado dos bolsonaristas Luciano Zucco (PL), eleito governador do Rio Grande do Sul, e Jorginho Mello (PL), reeleito em Santa Catarina.

Fim da escala 6x1 pode dar folga a 1 mi de paranaenses
Senado vota nesta quarta (14) o fim da escala 6x1. No Paraná, 1.032.927 trabalhadores (35,8% dos vínculos) cumprem seis dias de serviço por um de descanso.

O que diz a PEC

A PEC prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial; 60 dias após a promulgação, as empresas deverão adotar a escala 5x2 e reduzir a jornada para 42 horas semanais. Em 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais. O texto instituiu jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, desde que seja mantida a escala 5x2, e preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para disciplinar situações específicas.

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José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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