O deputado estadual Ademar Traiano (PSD), que fez um acordo com o Ministério Público do Paraná (MPPR) após ter confessado que recebeu propina em 2015, estava no grupo que hostilizou a manifestação em apoio à reeleição do presidente Lula (PT) realizada no Rio de Janeiro na segunda-feira (12). Os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) estavam no Copacabana Palace, um dos endereços mais luxuosos do Rio.
Traiano participou da festa de casamento de Daniela Prestes Virmond, sócia na Clínica Radiológica L. Virmond Ltda., em Guarapuava. No quadro societário também está Ana Paula Prestes Virmond Traiano, casada com o filho de Ademar Traiano, Vinicius Traiano. O deputado postou fotos do casamento em seu perfil no Instagram. Em uma delas aparecem seus netos, Vinícius Virmond Traiano e Marcela Virmond Traiano.
Durante a manifestação pró-Lula na Avenida Atlântica, os participantes do casamento fizeram gestos indicando o número de Flávio Bolsonaro, riram a mandaram "beijinhos". Em 2022, segundo a revista Forbes, uma festa de casamento no Copacabana Palace chegava a custar R$ 812 mil. Só o aluguel do salão custava R$ 151.800. O hotel cobrava R$ 17.325 de taxa de rolha e oferecia a opção de buffet com adicional de lagosta.

"Corrupto"
No fim de 2022, Ademar Traiano firmou acordos de não-persecução civil e penal com o MPPR após admitir que que recebeu R$ 100 mil para renovar um contrato da TV Assembleia com a a TV Icaraí, Grupo J. Malucelli. Ele era presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Outro ex-deputado de direita, Plauto Miró Guimarães (União Brasil), também teria recebido R$ 100 mil.
O caso foi revelado pelo deputado estadual Renato Freitas (PT), que chegou a chamar Traiano de "corrupto" na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep do dia 4 de dezembro de 2023. Com a assinatura do acordo, Traiano devolveu o valor recebido ilegalmente e ficou livre de processo criminal. Ele alegou que os R$ 100 mil eram "doação de campanha".
Freitas denunciou Traiano ao Conselho de Ética da Alep, mas o relator do processo, o deputado bolsonarista Matheus Vermelho (hoje no PL de Flávio Bolsonaro), entendeu que o caso não poderia ser analisado porque Traiano havia recebido propina na legislatura anterior.
O caso acabou se voltando contra Renato Freitas, que respondeu no Conselho de Ética por chamar Traiano de "corrupto". O bolsonarista Matheus Vermelho também relatou o processo e chegou a dizer que o caso poderia levar à cassação do mandato do petista. Depois, recuou e recomendou uma advertência. A punição acabou suspensa.
Além de não ser punido, em dezembro de 2024 Ademar Traiano foi eleito presidente da CCJ da Assembleia, a comissão mais importante do Legislativo. Em 4 de outubro, o apoiador do governador Ratinho Jr (PSD) e de Flávio Bolsonaro foi reeleito com 75.694 votos.
