O governador eleito do Paraná, senador Sergio Moro (PL), não revelou como pretende se posicionar na votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A votação está marcada para esta quarta-feira (14) no Senado. Em evento de apoio ao candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, na noite desta terça (13) em Curitiba, Moro disse que vai "acompanhar os desdobramentos" da votação, mas não revelou seu voto.
Nesta semana, temendo perder votos no segundo turno das eleições, Flávio Bolsonaro declarou que seu partido apoiará a PEC – o que não teria tido uma boa repercussão entre setores empresariais. O próprio PL já estaria articulando a criação de um projeto para instituir a "jornada flexível" caso Bolsonaro seja eleito presidente.
Para Moro, o assunto é indigesto – seu vice é o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos (PL), entidade contrária à redução da jornada, mas o governador eleito não pode contrariar Flávio Bolsonaro nem se indispor com uma parcela significativa do eleitorado. A mulher dele, deputada federal Rosângela Moro (PL-SP), votou contra a redução em maio, quando a Câmara aprovou a PEC.
Moro disse que participará nesta quarta de um ato de apoio a Flávio Bolsonaro em Porto Alegre e que acompanhará a sessão de maneira remota.
"Esse é um tema que vai ser debatido no Senado. Vamos acompanhar essa votação e especialmente a questão do texto. O Flávio colocou a posição dele e, evidentemente, nós respeitamos a posição dele", disse o governador eleito. "Nós vamos acompanhar os desdobramentos e tudo depende muito do debate e do texto amanhã da PEC. Eu fui convocado para participar do ato em prol do Flávio Bolsonaro em Porto Alegre, mas participarei à distância, já que é uma votação semipresencial e está permitido votar à distância".
Em maio, só 22 deputados federais votaram contra a redução da jornada – 11 do PL, quatro do Novo, dois do MDB, dois do União Brasil, um do PSD, um do PP e um do Missão. Filipe Barros (PL), eleito senador pelo Paraná em 4 de outubro, votou a favor da PEC. Cinco paranaenses não votaram: Dilceu Sperafico (PP), Padovani (PP), Pedro Lupion (Republicanos), Sergio Souza (MDB), Tião Medeiros (PP).
O evento da noite desta terça, no restaurante Madalosso, reuniu prefeitos do interior do estado, os senadores eleitos Filipe Barros e Deltan Dallagnol (Novo) e lideranças que declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Um grupo de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma manifestação contrária a Flávio Bolsonaro na frente do restaurante, observado por um forte aparato policial.





