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Dono de 200 mil hectares na Amazônia, Ratinho diz que preservação "não resolve nada"

Apresentador ainda usou seu programa no SBT para elogiar o governo do próprio filho

Dono de 200 mil hectares na Amazônia, Ratinho diz que preservação "não resolve nada"
Ratinho sobre o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu: "Essas coisas sempre teve". Foto: Reprodução
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O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, usou seu programa no SBT na noite de segunda-feira (10) para elogiar o filho, Ratinho Júnior, e falar uma série de falsidades sobre a floresta amazônica. Ao comentar sobre o tornado que atingiu a cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu, o apresentador disse que preservar a floresta "não vai resolver" o problema das mudanças climáticas, já que ela ocupa "1% do globo terrestre". Ele ainda confundiu a floresta com o Estado do Amazonas.

"Quando eu vejo o pessoal falando o negócio do planeta pra lá, planeta pra cá, tava (sic) lembrando que o Amazonas tem só 1% de todo o globo terrestre. Então, 1%, não vai resolver nada você preservar 1%. Tem que preservar tudo, não é verdade?", disse o apresentador.

Para Ratinho, eventos climáticos extremos, como o tornado que atingiu o Paraná ou a enchente no Rio Grande do Sul em maio do ano passado, não têm relação com a ação humana. "Então, quando vêm essas coisas, você fala, 'ah, o mundo tá mudando'. Não, essas coisas sempre teve (sic). É que antigamente não era divulgada, não tinha internet. Agora, acontece qualquer coisa, todo mundo divulga, porque todo mundo tem a sua televisãozinha", afirmou. "Esses elementos da natureza, essas coisas, esses fenômenos da natureza, a gente ninguém sabe de onde vem, que hora vai ir, pra onde vai (sic)".

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Exploração de madeira

A fala não é preocupante apenas porque Ratinho atinge milhões de brasileiros todas as noites: o apresentador é dono de aproximadamente 200 mil hectares de terras em Tarauacá, no Acre, área adquirida para a exploração de madeira, segundo matéria publicada pelo site De Olho nos Ruralistas em julho de 2021. De acordo com o site, o apresentador comprou duas glebas, parte delas fruto de grilagem de terras, em 2002, por cerca de R$ 330 mil.

O tamanho da área é incerto e varia entre 175,3 mil hectares e 200 mil hectares – a origem da indefinição, segundo o De Olho nos Ruralistas, é uma série de conflitos entre grileiros e populações originárias da região.

O site lembrou ainda que Ratinho também demonstra desprezo pelos animais: em 2020, disse que não entendia "qual a importância do hipopótamo para a sociedade". Ele também não gosta do mico-leão-dourado, uma espécie ameaçada de extinção. “O mico-leão-dourado: se todos morressem, o que iria mudar pra nós? Nada”, chegou a declarar.

Ratinho aproveitou o programa de segunda-feira para elogiar o governo do próprio filho – que tenta garantir sua candidatura à Presidência da República em 2026 – pela ação em Rio Bonito do Iguaçu.

"O pessoal do governo chegou no mesmo dia na cidade pra ajudar. Já foi, olha, em três dias, a Assembleia Legislativa do Estado, ela foi lá e já votou uma lei pra ajudar todo mundo, já arrumaram 320 casas", comentou o apresentador. "Quer dizer, demora um pouco pra atender todo mundo, mas a prestação de serviço do povo e do governo foram perfeitas. Então, parabéns a todos vocês. Aconteceu, mas a ajuda veio na hora certa".

Diferentemente do que julga Ratinho, a floresta amazônica está presente em nove Estados brasileiros e outros oito países: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

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José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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