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PM prende três pessoas e afasta 12 agentes suspeitos de divulgar imagens de tortura

Perfil no Instagram divulgava fotos de tortura e violência feitas durante ocorrências. Grupo no Telegram cobrava assinatura

PM prende três pessoas e afasta 12 agentes suspeitos de divulgar imagens de tortura
Policial durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na Operação Zeitgest. Foto: Divulgação/PMPR

A Polícia Militar prendeu três pessoas em flagrante e afastou 12 agentes, entre eles um oficial. suspeitos de envolvimento com um perfil no Instagram que compartilhava fotos e vídeos com cenas de violência e tortura. A operação Zeitegst foi conduzida pela Corregedoria-Geral da PMPR, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR). Foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em 12 cidades do estado.

O caso foi informado anonimamente à Corregedoria-Geral da PM em junho e também foi denunciado pelo deputado estadual Renato Freitas (PT). As imagens de violência e tortura, obtidas durante abordagens, eram compartilhadas no perfil @militardoparana no Instagram. Os mandatos foram expedidos pela Vara da Justiça Militar Estadual do Paraná.

A PMPR informou que duas pessoas foram presas em flagrante por porte irregular de munição e uma por porte ilegal de arma de fogo. As identidades não foram reveladas. Foram apreendidos 26 celulares, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois HDs e um cartão de memória, além de uma arma de fogo e munições de diferentes calibres.

Cobrança de assinatura

De acordo com PM-PR, parte das fotos era exibida em um perfil aberto e versões "mais completas" ficavam disponíveis em "ambientes digitais restritos, inclusive mediante pagamento de assinatura". Havia imagens de pessoas detidas, feridas ou em situação de vulnerabilidade, algumas delas no interior de viaturas.

Segundo o subcomandante-geral da PM-PR, coronel Paulo Renato Aparecido Siloto, também havia a participação de um policial civil, que divulgava o material no WhatsApp e no Telegram. Os grupos também tinham imagens de ocorrências de outros estados. "Esse cidadão disponibilizava e convidava os policiais militares. Isso seguia através desse Telegram. Era algo fechado e eles apresentavam imagens, muitas vezes não eram necessariamente imagens produzidas no Paraná, tinha diversas imagens de vários lugares do Brasil", disse Siloto.

"É um conteúdo que mostrava atos de tortura, de violência contra pessoas, principalmente moradores de rua ou indivíduos em situação de ocorrência e até confrontos armados. Isso chamou muito a atenção da Polícia Militar, tendo em vista que expunha essas pessoas e também expunha a imagem da instituição."
Coronel Paulo Renato Aparecido Siloto, subcomandante-geral da PM-PR

Os mandados foram cumpridos em Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama.

"A Polícia Militar não concorda com essa atuação buscamos sempre tratar o nosso profissional com dignidade e esses policiais que executam esse tipo de ato devem ser devidamente punidos", disse Siloto.

As três plataformas utilizadas pelo grupo – Instagram, Telegram e WhatsApp – tinham funções distintas na circulação do conteúdo, como mostrou o Plural em juho. O Instagram funcionava como vitrine pública. O perfil @militardoparana, com 22,9 mil seguidores, utilizava stories com imagens borradas de vítimas ensanguentadas como isca publicitária, prometendo conteúdo sem censura no ambiente privado.

Perfil com imagens alusivas à tortura reúne marcações e colaborações de PMs do Paraná
Deputado Renato Freitas denuncia que grupo vinculado no Telegram cobrava pelo acesso a imagens e vídeos de mortos, feridos e detidos

O Telegram era usado para operar financeiramente o esquema por meio do "Grupo Vip da Gurizada", que cobrava mensalidade de R$ 20 para conteúdos explícitos e registrava mais de 100 assinaturas ativas vendidas. O administrador mantinha um acervo interno de pelo menos 132 mídias – o que incluía a exposição de corpos dilacerados por munição de grosso calibre acompanhada de legendas como "Mais um pro colo do capeta heheh". Já o WhatsApp mantinha um grupo paralelo no qual o administrador distribuía mídias consideradas mais leves.

Após a denúncia, o administrador do perfil afirmou ter apagado arquivos porque o conteúdo poderia comprometer policiais. Em mensagens de áudio analisadas pelo Plural, o responsável pelo perfil disse que retirava material de circulação para evitar prejuízos aos “colegas” e disse que a maior parte dos vídeos que mantinha em seu poder poderia envolver agentes.

A página chegou a publicar um story de cunho nazista, conforme informações da Rede Nenhuma Vida a Menos. O print traz um repost de uma publicação que criticava a letalidade da Polícia Militar no estado. A página comemorou o número com erros de Língua Portuguesa: “Que orgulho. Da-lhe gurizada. Sii (sic) cada um fazer a sua parte essa estatística aumenta fácil”. Abaixo das frases, um emoji de um homem branco com o braço levantado e uma bandeira da Alemanha. Estes símbolos são utilizados na internet por integrantes ou apoiadores do neonazismo.

Publicação no perfil do Instagram

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José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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