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Curitiba: Poda e remoção de árvores irá custar R$ 573 mil por mês

Prefeitura de Curitiba paga R$ 573,8 mil por mês à WM Garden para poda, remoção e emergências com árvores de rua. Gasto mensal com árvores mais que dobra

Curitiba: Poda e remoção de árvores irá custar R$ 573 mil por mês

A Prefeitura de Curitiba contratou a WM Garden Serviços de Jardinagem para fazer a poda, a remoção e o atendimento de emergências das árvores de rua a partir de 8 de outubro de 2026, por R$ 573,8 mil por mês e até R$ 6,9 milhões em um ano.

O extrato do Contrato nº 28.180 foi publicado no Diário Oficial do Município nesta segunda-feira (5). Assinado em 1º de outubro, ele prevê pagamento mensal de R$ 573.765,48 e valor global de até R$ 6.885.185,76, com vigência de 12 meses a partir da ordem de serviço, que começa a valer na quinta-feira (8).

O serviço inclui poda, limpeza de erva-de-passarinho, remoção de árvores, atendimento de emergências (queda de árvores e de galhos, árvores e galhos com risco de queda), além da coleta, do transporte e da destinação dos resíduos vegetais. O dinheiro sai da ação orçamentária de manutenção da produção vegetal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA).

Como foi a licitação da poda de árvores?

O serviço foi contratado pelo Pregão Eletrônico nº 85/2026, aberto pela SMMA em 9 de julho, com propostas recebidas até 27 de julho. Antes da disputa, o edital foi contestado pela Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Paraná (Feaconspar) e pela empresa Pércio Paz Ribeiro Locação e Urbanismo Ltda., de Araucária. Em 24 de julho, a SMMA negou integralmente a impugnação da federação e registrou o resultado da segunda como "negado provimento parcial".

O resultado saiu em 16 de setembro, com a WM Garden vencedora por R$ 6.885.185,95. A ESK Engenharia e Construção Ltda. recorreu contra a habilitação e a classificação da vencedora. A ESK tem sede em Pinhais e foi aberta em março de 2026, segundo o cadastro de CNPJ da Receita Federal.

Em 25 de setembro, a secretária do Meio Ambiente, Marilza do Carmo Oliveira Dias, negou o recurso. A homologação veio em 28 de setembro, acompanhada de uma errata de R$ 0,19 que fixou o valor final em R$ 6.885.185,76.

Quanto a Prefeitura pagava antes pela manutenção das árvores de rua?

A Prefeitura mantém dois tipos de contrato para as árvores das vias públicas: um de manutenção e emergências e outro de manejo programado nos bairros, que reúne vistoria, remoção, poda e retirada de tocos. O levantamento do Plural nos extratos publicados no Diário Oficial desde 2024 mostra esta sequência:

ContratoEmpresaServiçoInícioValor mensal
25.921 (PE 376/2023)Clean Fast Serviços Ltda.Poda de manutenção junto ao mobiliário urbano e emergênciasjan/2024R$ 103.565,20 (R$ 112.062,00 após reajuste de abril/2025)
26.114Linha Verde Ambiental Ltda.Manejo programado nos bairrosjul/2024R$ 300.000,00
26.475 (PE 184/2023)Clean Fast Serviços Ltda.Manejo programado nos bairrosmar/2025R$ 300.000,00
27.668 (PE 21/2026)Linha Verde Ambiental Ltda.Manejo programado nos bairrosjul/2026R$ 300.000,00
28.180 (PE 85/2026)WM Garden Serviços de Jardinagem Ltda.Manutenção, poda, erva-de-passarinho, remoção e emergênciasout/2026R$ 573.765,48

O contrato de manejo nos bairros manteve o mesmo valor mensal, R$ 300 mil, nas três últimas contratações. O de manutenção e emergências, não. O novo contrato custa 5,1 vezes o último valor mensal pago à Clean Fast, mas o escopo é maior: o contrato anterior falava em "poda de manutenção junto ao mobiliário urbano e atendimentos emergenciais", e o novo inclui também a limpeza de erva-de-passarinho, a remoção de árvores e a coleta, o transporte e a destinação dos resíduos.

Somados os dois contratos em vigor, a Prefeitura passa a pagar R$ 873.765,48 por mês pela manutenção das árvores de rua, sendo R$ 300 mil à Linha Verde e R$ 573,8 mil à WM Garden. Em 2025, os dois contratos equivalentes, ambos com a Clean Fast, somavam R$ 412.062,00 por mês. É 2,1 vezes mais.

Quem atendeu as emergências com árvores entre julho e outubro?

O contrato de emergências da Clean Fast teve a execução prorrogada até 26 de julho de 2026, e a vigência até 29 de julho. O Diário Oficial não registra nova prorrogação depois disso, e o contrato da WM Garden só começa a ser executado em 8 de outubro.

Entre uma data e outra, o único contrato de árvores de rua localizado nos extratos publicados é o de manejo programado nos bairros, com a Linha Verde Ambiental, em execução desde 6 de julho. É o contrato de emergências que cobre ocorrências como a da árvore que caiu sobre uma estação-tubo na Praça Rui Barbosa ou a das 14 árvores derrubadas por ventos de 76 quilômetros por hora.

<!-- APURACAO: perguntar à SMMA quem atendeu as emergências com árvores (quedas, galhos com risco) entre 27/07 e 07/10/2026, se houve contratação emergencial não localizada no Diário Oficial ou se o serviço ficou com o contrato de manejo da Linha Verde. -->

Quantos pedidos de remoção de árvores em calçadas foram autorizados em 2026?

Os dados do Sistema de Informações do Meio Ambiente (SIMA), que a Prefeitura publica por obrigação da Lei Municipal 15.376/2019, ajudam a dimensionar a demanda por remoção de árvores na cidade. O sistema reúne as autorizações de corte e poda analisadas pela SMMA, e até o ano passado quase todas eram pedidos para remover vegetação em imóveis particulares. O Plural já mostrou, com esses dados, que o corte de árvores autorizado em Curitiba se concentra na periferia e que a cidade corta mais árvores nativas do que exóticas.

A partir de abril de 2026, o SIMA passou a registrar em volume outra categoria, a de "autorização ambiental para remoção de vegetação", sem a indicação de imóvel particular. Foram 84 pedidos em abril, 166 em maio, 133 em junho e 126 em julho, num total de 542 até meados de agosto. Entre 2019 e 2025, essa mesma categoria nunca passou de 55 pedidos por ano.

Pelo menos 126 desses 542 pedidos tratam explicitamente de árvores no passeio, sobre a via ou em bem público. As decisões descrevem árvores "locadas na área do passeio (em bem público)", inclinadas sobre a rua, em conflito com a fiação ou com raízes que quebram a calçada. A SMMA autorizou a remoção em 540 dos 542 casos. Os registros não informam quem executa o corte, se as empresas contratadas pela Prefeitura ou o próprio solicitante.

Nos pedidos para remover árvores dentro de imóveis particulares, o comportamento é outro. A SMMA negou 23,4% deles em 2019 e 27,1% em 2020. A partir de 2021, a taxa de indeferimento saltou para 55,1% e se manteve perto da metade desde então, chegando a 50,7% em 2025. Os números de 2026 ainda não são comparáveis, porque o sistema costuma registrar os indeferimentos com atraso.

Quem é a WM Garden?

A WM Garden fica no bairro Pilarzinho, em Curitiba, e foi aberta em maio de 2011. Segundo o cadastro de CNPJ da Receita Federal, tem atividades paisagísticas como atividade principal e capital social de R$ 2 milhões. O fundador, Maycon Robert dos Santos, divide a administração com Ygor Luiz dos Santos e William Cesar da Silva, que entraram na sociedade em fevereiro de 2025. Na mesma data entrou a Florestal Group Ltda., uma holding aberta em outubro de 2024 que tem os três como sócios.

A empresa já presta serviços à Prefeitura. Desde junho de 2023, tem contratos em lotes do Pregão Eletrônico nº 424/2022 da Secretaria do Governo Municipal. Três deles foram prorrogados em 2026 até julho de 2027, com valores mensais de R$ 47.160,00, R$ 49.125,00 e R$ 50.025,00.

Doze dias depois de vencer o pregão das árvores, a WM Garden também ganhou outra licitação da SMMA: o Pregão Eletrônico nº 82/2026, para limpeza, coleta e transporte dos resíduos deixados por pequenos geradores nos ecopontos da cidade, por R$ 5.425.238,45. O resultado foi publicado em 28 de setembro. Somadas, as duas licitações chegam a R$ 12,3 milhões.

Perguntas rápidas

Quem faz a poda das árvores de rua em Curitiba? A partir de 8 de outubro de 2026, a manutenção, a poda, a remoção e o atendimento de emergências com árvores das vias públicas ficam com a WM Garden Serviços de Jardinagem, contratada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. O manejo programado nos bairros segue com a Linha Verde Ambiental, contratada em junho de 2026.

Quanto custa o novo contrato de poda? R$ 573.765,48 por mês, num total de até R$ 6.885.185,76 em 12 meses.

Quanto a Prefeitura gasta por mês com as árvores de rua? Somados os dois contratos em vigor, R$ 873.765,48 por mês, 2,1 vezes os R$ 412.062,00 mensais dos contratos equivalentes de 2025.

Quantos pedidos de remoção de árvores em calçadas foram autorizados em 2026? Até meados de agosto, a SMMA autorizou 540 dos 542 pedidos de remoção de vegetação fora de imóveis particulares registrados no SIMA, categoria que antes não passava de 55 pedidos por ano. Pelo menos 126 deles tratam explicitamente de árvores no passeio, na via ou em bem público.

A Prefeitura nega pedidos de corte de árvores? Nos pedidos para remover árvores dentro de imóveis particulares, a SMMA negou cerca de metade desde 2021, chegando a 50,7% em 2025.

Como esta matéria foi produzida

O Plural leu todas as edições do Diário Oficial do Município publicadas desde janeiro de 2024 em busca dos atos ligados à manutenção das árvores de rua: avisos de licitação, impugnações, recursos, resultados e extratos de contratos e aditivos. Foi assim que se reconstituíram o pregão vencido pela WM Garden e a sequência de contratos anteriores com a Clean Fast e a Linha Verde Ambiental. Os dados das empresas vêm do cadastro público de CNPJ da Receita Federal. Os números sobre pedidos de corte e poda vêm das autorizações que a Prefeitura publica no Sistema de Informações do Meio Ambiente, reunidas pelo Plural até meados de agosto de 2026, e se referem ao número de pedidos, não ao de árvores.

Fonte: Diário Oficial do Município de Curitiba, Sistema de Informações do Meio Ambiente (SIMA) da Prefeitura de Curitiba e cadastro de CNPJ da Receita Federal. Última atualização: 5 de outubro de 2026.

  

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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