A 2ª Vara Plenário do Tribunal do Júri de Curitiba agendou para os dias 9 a 13 de novembro o júri do ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva, que matou o fotógrafo André Munir Fritoli, de 32 anos, na loja de de conveniências de um posto de gasolina no bairro Cristo Rei, em Curitiba, em 2022. No dia 10 deste mês, o julgamento foi suspenso porque o réu teria tentado cometer suicídio na carceragem do Tribunal do Júri.
Segundo a assistência da acusação, comandada pelo advogado criminalista Elias Mattar Assad, a juíza que presidiu o júri que foi dissolvido decidiu se afastar do caso e passou a condução do processo para outro magistrado. Segundo Assad, as provas foram preservadas e foi instaurado um inquérito policial para apurar os acontecimentos do dia 10.
A defesa de Ronaldo Massuia, composta pelos advogados Heitor Luiz Bender, Paulo Veiga e Carolina Natividade, afirmou que o Complexo Médico Penal, onde o réu segue preso, tem apenas um médico, o que representaria "descaso reiterado com a saúde mental de um homem que, sob custódia do próprio Poder Judiciário, tentou tirar a própria vida".
"Durante a sessão de julgamento, o acusado, tomado por extrema fragilidade emocional, atentou contra a própria vida na carceragem do fórum", diz a nota da defesa. "A resposta do Complexo Médico Penal trouxe, contudo, uma revelação inquietante: apenas um médico, o Dr. Ivan Pinto Arantes, permanece em atividade na unidade, e sua aposentadoria compulsória já está prevista para novembro de 2026. É a própria instituição incumbida de zelar pela integridade do assistido que confessa, nos autos, operar à beira do colapso assistencial".
A defesa disse ver com perplexidade a marcação da nova data para o júri. "A Juíza designou nova sessão de julgamento para os dias 9 a 13 de novembro de 2026, às 9h30, e, logo depois, declarou-se suspeita e afastou se do processo, sem que os autos tragam qualquer notícia atualizada sobre as reais condições físicas e psicológicas do acusado".
O caso
No dia 1º de maio de 2022, segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o então policial federal Ronaldo Massuia entrou na loja de conveniência do posto depois de discutir com funcionários do estabelecimento e atirou pelo menos dez vezes com uma pistola de 9 mm.
As imagens captadas por câmeras de segurança mostram o momento em que ele atira em André Fritoli, que estava no chão. Pelo menos três pessoas ficaram feridas. A defesa argumentou que Massuia havia sofrido um surto psicótico.
O ex-policial responde pelos crimes de homicídio consumado e tentado, com as qualificações de motivo fútil, perigo comum e surpresa que impossibilitou a defesa das vítimas. Ele foi demitido da Polícia Federal em abril do ano passado.