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Moro defende penduricalho recebido quando era juiz: “Era um salário disfarçado”

Juiz da Lava Jato morava em Curitiba, recebia auxílio moradia de R$ 4,3

Moro defende penduricalho recebido quando era juiz: “Era um salário disfarçado”
O candidato do PL ao governo, Sergio Moro | Foto: Tami Taketani/Plural.

O senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL, disse que recebeu o auxílio-moradia quando era juiz, mesmo morando em Curitiba, porque se tratava de um “salário disfarçado”. Ele defendeu o fim dos chamados penduricalhos em entrevista à RPC TV, na noite desta segunda-feira (14), mas considerou normal o fato de ter recebido um adicional de R$ 4.378,00 por mês sem necessidade, já que morava na cidade em que trabalhava – ele era titular da 13 Vara Federal de Curitiba. 

Para Moro, “reprovável” era o nome dado ao auxílio. “Como eu disse naquele momento, aquilo na verdade todos os juízes federais recebiam. Era reprovável o nome do auxílio-moradia, mas no fundo era um complemento salarial, que era decorrente da falta de reajuste dos vencimentos dos juízes federais”, afirmou. “Então havia esse pagamento, que no fundo era um salário disfarçado, não era propriamente auxílio-moradia vinculado a uma questão de ter ou não ter uma residência. No fundo, era um estratagema ali reprovável, mas que vinha de cima da administração, que todos os juízes federais recebiam”.

Cite três propostas de Sergio Moro
Em vários sentidos, Moro é um enigma. Ninguém sabe muito sobre como ele pretende governar. Em outros, sua clareza é máxima: não há quem possa dizer que não sabia de sua repulsa pelos direitos humanos, pelo devido processo legal e por conceitos como democracia e solidariedade

O candidato defendeu um salário único para a magistratura. "Os vencimentos têm que ser dignos para remunerar os servidores públicos, não só o juízo, mas todos os servidores públicos. Mas quando vai se inventando esses adicionais, esses penduricalhos, se perde controle", disse. "A gente tem que ter um teto razoável, que remunere com dignidade os servidores, mas sem esses penduricalhos e esses adicionais que acabam nublando, muitas vezes, a percepção das pessoas".

Questionado sobre seus gastos como senador, maiores que os de seus colegas no Senado, Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB), Moro disse que consumiu mais recursos para ouvir os eleitores. "Em 2022, eu fiz um compromisso com o meu eleitor, eu seria um senador itinerante, e eu não tenho nenhum problema nesses gastos", afirmou. "Veja a avaliação negativa que tem, por exemplo, com todo o respeito, o senador Oriovisto, que as pessoas dizem que não sabem onde está".

Em 2025, o gabinete do Sergio Moro pediu o reembolso no valor total de R$ 521.774,75 para despesas como aluguel, material de escritório, locomoção, passagens aéreas, hospedagem, alimentação, serviços de segurança privada de outros. Flávio Arns gastou R$ R$ 172.094,68, e Oriovisto Guimarães R$ 89.021,02.

Gastos totais dos senadores desde 2023

Sergio Moro (PL): R$ 1.472.463,66

Flávio Arns (PSB): R$ 1.124.337,15

Oriovisto Guimarães (PSDB): R$ 370.455,13

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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