Faltam apenas três semanas para a eleição e o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto para o Governo do Paraná ainda não participou de um único debate, deu poucas entrevistas e continua repetindo as mesmas frases feitas toda vez que abre a boca. Afinal, o que Sergio Moro (PL) pretende fazer se for eleito governador?
Acredito que se você perguntar para os eleitores, mesmo para aqueles que se dão o trabalho de assistir ao horário eleitoral gratuito, a única coisa que eles saberão é que Moro é contra a corrupção, e que pretende transformar o Paraná numa "fortaleza" contra o crime. Por tudo que se sabe, isso significa prisões mais duras e, imagina-se, uma polícia ainda mais violenta.
Na entrevista com Filipe Barros (PL), que disputa o Senado pela chapa de Moro, pedi que ele mesmo dissesse três propostas de seu candidato ao governo. Foi curioso ver que mesmo ele, que anda para cima e para baixo com Moro o dia todo, patinou na resposta. Falou em aumentar a tabela do SUS e depois só generalidades.
Isso provavelmente quer dizer muita coisa sobre Moro (será que ele sabe o que é um governo de fato? ou está só surfando na popularidade?), mas parece dizer muito mais sobre seu eleitorado, que está contente meramente com a biografia do candidato e seu combate a Lula na Lava Jato - e que muito provavelmente apoia desde sempre a pauta do rigor máximo na segurança pública.
Moro tem dito publicamente que pretende seguir o exemplo de Bukele em El Salvador - um ditador que prendeu pessoas sem provas, mandou que fossem julgadas em massa e mandou milhares para prisões que são verdadeiras masmorras. Não é de espantar que a proposta faça sucesso num estado em que a política do "bandido bom é bandido morto" tem prosperado a olhos vistos e levado a cargos importantes gente sem maiores qualificações.
Em vários sentidos, Moro é um enigma. Ninguém sabe muito sobre como ele pretende governar. Em outros, sua clareza é máxima: não há quem possa dizer que não sabia de sua repulsa pelos direitos humanos, pelo devido processo legal e por conceitos como democracia e solidariedade. Talvez por não precisar deixar isso mais claro é que ele nem precise ir aos debates - há coisas que é melhor deixar subentendidas.