O vereador Lórens Nogueira (PP) foi cassado nesta sexta-feira (21) pela Câmara de Curitiba. Existem três motivos para a sua cassação. O mais óbvio é o fato de ele ter sido pego num vídeo recebendo dinheiro de rachadinha. O segundo: estamos perto da eleição, muitos vereadores são candidatos e não querem passar por lenientes com a corrupção alheia.
O terceiro motivo é talvez menos evidente: Lórens é um ninguém na política municipal. Estava em primeiro mandato, não tinha influência sobre seus pares e nem tinha costas quentes. Não vem de uma família tradicional e, na verdade, ninguém estava nem aí para o que vai acontecer com ele.
Ficou barato para a Câmara expulsar o sujeito que desrespeitou aquele que, nas palavras do grande Alfred Hitchcock, deveria ser o décimo primeiro mandamento: "Não serás pego". Lórens rodou, um outro desconhecido entrou em seu lugar e tudo continuará como antes. Vejamos se na próxima rachadinha descoberta (e ela virá) a retidão moral se repete. Há motivos para crer que não.
Na atual legislatura, os vereadores já passaram pano num caso grave de nepotismo: o vereador Éder Borges (Novo) teria contratado a própria enteada como chefe de Gabinete. Em legislaturas recentes, até mesmo casos de corrupção explícita escaparam sem cassação. Só mesmo quando um vereador do mais baixo clero ou alguém da oposição desliza é que o risco de cassação se torna sério.
Lórens caiu porque seus atuais padrinhos políticos, os Francischini, não tiveram força para segurá-lo, ou talvez tenham achado mais conveniente abandoná-lo à beira do precipício. Sua cassação, porém, passa longe de significar um ímpeto de moralidade na Câmara, que segue tendo uma legislatura, no mínimo, infeliz.