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Janja evita imprensa e se emociona em audiência pública na Alep

Ela e ministra Marcia Lopes apresentaram dados sobre feminicídio no Brasil

Janja evita imprensa e se emociona em audiência pública na Alep
Janja começou seu discurso lembrando de vítimas de feminicídio no Paraná | Foto: Julia Sobkowiak

Nesta terça-feira (18) a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) recebeu a audiência pública “Balanço do Pacto Brasil Contra o Feminicídio", que teve a presença da primeira-dama do Brasil, Janja da Silva; pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes; pelo ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães; pelas deputadas federais Gleisi Hoffmann e Carol Dartora, ambas do PT; pelo secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas; pela secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná, Mariana Neris; e pelo presidente da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR). A iniciativa é das deputadas estaduais do PT, Ana Julia Ribeiro e Luciana Rafagnin.

Durante o evento, as autoridades apresentaram dados e iniciativas do Paraná e do Brasil para combater o feminicídio. O Paraná aderiu ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, e entre 2024 e 2025 houve redução de 20% destes crimes no Paraná.

O Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, de acordo com dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No cenário nacional, o Paraná aparece em uma posição crítica, ocupando o terceiro lugar entre os Estados com o maior número de mortes motivadas por questões de gênero, com 33 vítimas.

Emoção

Janja começou seu discurso lembrando de vítimas de feminicídio no Paraná. Depois apresentou resultados do Pacto e se emocionou ao lembrar que trabalhou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

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“Nenhuma mulher deveria morrer por dizer que não quer mais. Nenhuma mulher deveria morrer por querer seguir sua vida sozinha, se libertar da violência, viver outras experiências, encontrar outros parceiros, ter outro trabalho", afirmou a primeira-dama.

Ao longo da fala, Janja lembrou de colegas que passaram pela Alep e chorou.

Já a ministra Márcia Lopes, nascida em Londrina, destacou a adesão do Paraná ao pacto nacional, lançado em fevereiro deste ano, como um avanço na luta contra a violência contra as mulheres. "Temos que zerar o feminicídio e entender que nenhuma mulher pode conviver com qualquer tipo de violência, da menor à mais grave, que é o feminicídio".

A única pessoa que falou sobre feminicídio com recorte racial foi a deputada Carol Dartora. “O Brasil registrou 1571 vítimas de feminicídio. 65% das vítimas de feminicídio são mulheres negras, portanto não existe política efetiva de enfrentamento ao feminicídio sem enfrentamento ao racismo, com investimentos nas periferias”, enfatizou.

Gleisi Hoffmann desatacou sua atuação enquanto relatora da lei do feminicídio enquanto Senadora. Ela criticou a misoginia e lembrou que recentemente houve ameaças ao voto feminino. "É muito triste quando você tem um dirigente de um país [Bolsonaro] que diz que a filha é uma fraquejada; o que diz que uma mulher pode se estuprada ou não por ser bonita ou não [...] A questão do voto já tinha sido enterrada lá em 30, então a gente precisa ficar atentas porque isso vai e volte".

A audiência, que começou com mais de uma hora de atraso, durou pouco mais de duas horas. Depois da apresentação dos dados, a imprensa foi atendida pelos participantes, com exceção de Janja, que deixou o local sem falar com os jornalistas.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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