Nesta segunda-feira (17) o candidato Sandro Alex (PSD) foi sabatinado pelo UOL e Folha de S. Paulo. Durante a entrevista, ele falou sobre o plano de governo, alianças e sobre questões importantes para o Paraná. Um dos assuntos abordados foi a denúncia feita pelo deputado Renato Freitas (PT), que revelou a existência da venda de vídeos de tortura em um perfil nas redes sociais chamado “Militar do Paraná”.
“Não tenho conhecimento sobre a denúncia. Se houver, vamos apurar”, disse Sandro Alex, ao responder ao questionamento do jornalista Diego Sarza.
O caso foi denunciado ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e é mais um dos escândalos envolvendo a segurança pública no Estado. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o dono da página já foi identificado e não é servidor público, contudo, o secretário coronel Hudson Teixeira, não se manifestou sobre os militares que gravaram as imagens.
“Não são denúncias na internet, isso precisa ser encaminhado para as autoridades”, criticou Sandro Alex, antes de ser informado pelo jornalista que o deputado Renato Freitas havia levado ao MPPR todas as informações.
Histórico
A Polícia Militar do Paraná ultrapassou as 2,7 mil mortes em sete anos de gestão de Ratinho Jr (PSD) como governador do Estado. O número deu um salto após a divulgação do resultado de mortes violentas causadas pelas forças policiais em 2025: de acordo com a Secretaria de Segurança, foram 426 casos, a maior parte tendo origem em ações da PM.

Nesta segunda-feira (17), por exemplo, dois homens foram mortos no bairro Parolin, em Curitiba, durante uma ocorrência envolvendo suspeita de roubo.
Apesar da letalidade, Sandro Alex mencionou que a maioria da população do Paraná apoia a PM e afirmou que pode manter coronel Hudson à frente da pasta.
Militar do Paraná
O Instagram “Militar do Paraná” era usado como vitrine pública para venda de vídeos de tortura.O Botgram processava a assinatura mensal de R$ 20 e o Telegram concentrava o conteúdo destinado aos pagantes. A página de pagamento indicava mais de cem assinaturas vendidas.
No grupo privado, a galeria reunia ao menos 132 mídias, entre vídeos e fotografias de pessoas mortas, feridas, algemadas ou imobilizadas, além de cenas apresentadas como agressões e violência policial. Entre os conteúdos usados para promover a assinatura estava a gravação de um homem coagido a entrar na água e repetir que “a Polícia Militar é foda”.
