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Coronel Hudson diz que PM identificou responsável por comércio de vídeos ligado ao “Militar do Paraná”

Segundo o chefe da Secretaria de Estado da Segurança Pública, vídeos de tortura e pagamentos são analisados para eventual responsabilização de militares e civis

Coronel Hudson diz que PM identificou responsável por comércio de vídeos ligado ao “Militar do Paraná”
Secretário da Segurança Pública só apresentou detalhes da investigação após ser questionado pelo Plural, ao fim de uma coletiva convocada para outro tema. Foto: Aline Reis

O secretário da Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira, afirmou nesta terça-feira (28) que a Polícia Militar identificou o responsável pela página ligada à comercialização de vídeos de tortura denunciada pelo deputado estadual Renato Freitas (PT). Segundo ele, a corporação investiga o caso desde 3 de junho.

A PM abriu uma apuração preliminar e instaurou o Inquérito Policial Militar (IPM) em 23 de junho, 20 dias depois. O caso só se tornou público em 22 de julho, após o parlamentar denunciá-lo em suas redes sociais.

Foi a primeira manifestação pública de Hudson sobre o caso. A declaração ocorreu no Centro Integrado de Comando e Controle Regional, em Curitiba. A entrevista coletiva havia sido convocada para tratar das buscas por duas pessoas desaparecidas nas regiões de Araucária e Sapopemba.

Depois de concluir a fala sobre o tema original, o secretário foi questionado pela repórter Aline Reis, do Plural, sobre o comércio de vídeos associado ao “Militar do Paraná” e a possível participação de policiais.

“Já foi identificado o proprietário da página. Ele não tem vínculo nenhum com militar, não tem parentesco com militar, não faz parte do sistema de segurança pública e não é servidor público”, disse.

Segundo o secretário, o IPM é acompanhado pelo Ministério Público Militar. Hudson afirmou ainda ter solicitado a participação do GAECO, grupo voltado ao combate ao crime organizado, e do GAESP, especializado no controle da atividade policial e em segurança pública, no acompanhamento da investigação.

As duas primeiras reportagens do Plural documentaram o funcionamento da estrutura ligada à página. O Instagram era usado como vitrine pública, o Botgram processava a assinatura mensal de R$ 20 e o Telegram concentrava o conteúdo destinado aos pagantes. A página de pagamento indicava mais de cem assinaturas vendidas.

No grupo privado, a galeria reunia ao menos 132 mídias, entre vídeos e fotografias de pessoas mortas, feridas, algemadas ou imobilizadas, além de cenas apresentadas como agressões e violência policial. Entre os conteúdos usados para promover a assinatura estava a gravação de um homem coagido a entrar na água e repetir que “a Polícia Militar é foda”.

O Plural também identificou policiais militares da ativa marcados ou inseridos como colaboradores em publicações do Instagram. Esses registros demonstravam associações públicas com determinadas postagens, mas não comprovavam participação na gestão da página, no fornecimento dos vídeos ou no grupo pago.

Na segunda reportagem, áudios do administrador registraram que ele apagava arquivos para evitar que policiais fossem comprometidos, dizia possuir outros vídeos capazes de envolver agentes e mencionava a possibilidade de integrantes da inteligência da PM, a P2, estarem no grupo. As falas não identificavam os policiais nem comprovavam participação de agentes nas cenas.

Hudson afirmou que a investigação procura identificar as pessoas mostradas nos vídeos, verificar a autenticidade dos arquivos e definir a responsabilidade por cada conduta. Segundo ele, a análise também considera a possibilidade de manipulação ou produção de imagens por inteligência artificial.

“Tem que analisar vídeo por vídeo, verificar quem são as pessoas, se aquilo é legítimo, se não foi produzido por inteligência artificial e qual é a responsabilidade de cada um”, declarou.

O secretário disse que a apuração inclui militares e civis e deverá separar eventuais crimes militares de delitos comuns. Questionado sobre quem pagava pelo conteúdo, afirmou não poder antecipar se a compra ou o consumo dos vídeos configuram crime. Segundo ele, o enquadramento caberá à Polícia Civil e ao Ministério Público.

O perfil, que reunia 22,9 mil seguidores, deixou de ser localizado no Instagram cerca de 30 minutos depois de o Plural encaminhar à Secretaria da Segurança Pública questionamentos sobre as publicações, as marcações de policiais e a existência de apuração interna. A pasta levou cinco dias para responder.

Na nota, a Sesp confirmou apenas que havia um inquérito aberto desde junho e afirmou que colaboraria com o Ministério Público.

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