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Você sabe identificar símbolos nazistas? Museu do Holocausto e Observatório da Extrema direita lançam material educativo

Material Símbolos do Ódio” reúne mais de 90 emblemas e foi desenvolvido após capacitação sobre o nazismo e sua simbologia histórica e contemporânea, promovida pelo Museu a pedido do Ministério Público Federal

Você sabe identificar símbolos nazistas? Museu do Holocausto e Observatório da Extrema direita lançam material educativo
A capacitação voltada às forças de segurança ocorreu entre abril e julho de 2025 | Foto: Museu do Holocausto de Curitiba

Você sabe identificar símbolos nazistas? Para além da suástica, existem outros 90 emblemas que são ligadas aos movimentos nazistas, neonazistas e supremacistas. Nesse contexto, para facilitar a identificação, o Museu do Holocausto de Curitiba, em parceria com o Observatório da Extrema Direita (OED), criou um guia para auxiliar na identificação de símbolos nazistas, neonazistas e supremacistas. Com cerca de 100 páginas, o material “Símbolos do Ódio” reúne imagens e textos explicativos como uma ferramenta de combate à intolerância.

Um mapeamento conduzido pela antropóloga Adriana Dias, referência nacional no estudo do neonazismo, identificou um crescimento de 270,6% no número de grupos extremistas no Brasil entre janeiro de 2019 e maio de 2021, totalizando ao menos 530 núcleos espalhados pelo país, que somam cerca de 10 mil integrantes. Mais recentemente, em agosto de 2025, um levantamento do pesquisador Ergon Cugler, do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), identificou cerca de 35 mil usuários brasileiros que compartilhavam conteúdo neonazista em canais abertos no Telegram.

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O crescimento desses grupos também tem motivado ações policiais. Em 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Odium para combater a disseminação de discurso de ódio, xenofobia e apologia ao nazismo, e as investigações contra células extremistas seguem ao longo deste ano.

O conteúdo do material foi desenvolvido pelo Museu em parceria com o OED, grupo de pesquisa vinculado ao Laboratório de História Política e Social (LAHPS) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “A proposta é fornecer material de referência para formação, atualização e debates sobre o extremismo no Brasil, mas sabemos da variedade e da rapidez com que novas simbologias são criadas ou apropriadas. Por isso, a ideia não é esgotar o assunto, mas oferecer orientação, contextualização e fundamentação sobre esses símbolos”, explica o professor da UFJF, Odilon Caldeira Neto, e coordenador do OED junto ao professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), David Magalhães.

Origem do material

O material surgiu a partir de um programa de capacitação sobre o nazismo, fascismos e suas simbologias, desenvolvido pelo Museu a pedido do Ministério Público Federal (MPF). A recomendação foi dirigida ao Exército Brasileiro, à Polícia Militar do Paraná e à Guarda Municipal de Curitiba após um episódio ocorrido em 7 de setembro de 2023, durante o desfile cívico-militar do Dia da Independência na capital paranaense, quando um veículo exibindo uma cruz de barras — símbolo associado ao regime nazista — participou da celebração. O caso gerou uma investigação do MPF que, com apoio do Museu, confirmou a ligação entre o símbolo e o período nazista.

Acesso ao material

O material “Símbolos do Ódio” destina-se exclusivamente a atividades de prevenção, identificação, investigação e enfrentamento aos discursos de ódio. Sua reprodução, compartilhamento ou utilização devem ocorrer de forma responsável, criteriosa, em conformidade com a legislação vigente, respeitando a finalidade educativa e técnico-operacional do conteúdo, e evitando qualquer utilização que possa promover, incentivar, banalizar, difundir ou fazer apologia aos símbolos, imagens, organizações ou ideologias nele apresentados.

Embora voltado prioritariamente às forças de segurança, o material também pode ser acessado pela sociedade em geral, incluindo pesquisadores e demais interessados. Esse acesso, no entanto, é limitado. Por tratar de conteúdo sensível, essa política de controle busca evitar o compartilhamento indiscriminado de um material que, apesar de relevante para o conhecimento público, pode ser usado de forma indevida.

Quem tiver interesse em acessá-lo deve preencher este formulário, aceitando os termos de uso e informando a instituição à qual está vinculado. A liberação será enviada por e-mail, após preenchimento deste formulário.

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