Pular para o conteúdo

A vida no Paraná melhorou desde 2000, mas menos que no Brasil

Levantamento da Plural com 52 indicadores mostra 37 avanços no Paraná desde 2000 — mas o estado ficou atrás do Brasil em 33 dos 45 comparáveis com o país

A vida no Paraná melhorou desde 2000, mas menos que no Brasil
Foto: Gustavo Boaron / Unsplash

A vida no Paraná melhorou desde 2000, mas menos que no Brasil. Um levantamento da Plural com 52 indicadores de renda, trabalho, educação, saúde, saneamento, segurança e economia mostra que 37 avançaram no estado desde 2000, 12 ficaram estáveis e só um piorou de forma isolada — a taxa de mortalidade por suicídio, que subiu 65%. O retrato muda, porém, quando o Paraná é posto ao lado do resto do país: dos 45 indicadores em que existe uma série nacional equivalente para comparar, o estado avançou mais devagar que a média do Brasil em 33 e só ficou à frente em 12.

Quase todo indicador em que o Paraná andou mais devagar que o país também melhorou em termos absolutos — só que menos, ou mais devagar, do que a média nacional. É o caso mais comum do painel, e tem uma explicação estrutural recorrente: boa parte dos indicadores de educação em que o Brasil "ganhou" do Paraná mede áreas em que o estado já partia na frente.

A população com ensino superior completo, por exemplo, subiu 55% no Paraná entre 2012 e 2025 (de 10,5% para 16,3%) — mas subiu ainda mais, em termos relativos, no Brasil, que tinha uma base bem menor para crescer. O mesmo padrão aparece no Ideb dos Anos Iniciais (+34% no Paraná, mas o país cresceu mais rápido a partir de uma nota mais baixa) e na mortalidade infantil (-46% no Paraná, que já tinha uma taxa relativamente baixa em 2000). Em nenhum desses casos o Paraná piorou — o estado só tinha menos distância a percorrer.

Nos 12 indicadores em que o Paraná bateu o Brasil, o padrão é mais direto — sem efeito de base a explicar a diferença. O PIB per capita real (deflacionado pelo IPCA) subiu 80,5% entre 2000 e 2022, quase o dobro do ritmo nacional. O rendimento domiciliar per capita real cresceu 17,4% desde 2012, também acima da média do país, assim como a queda na taxa de informalidade (-7,5%). Na saúde, a razão de mortalidade materna caiu 28,3% desde 2009 e as mortes no trânsito recuaram 11,5% desde 2000 — as duas quedas mais acentuadas que a nacional no mesmo recorte.

Dois indicadores fogem do padrão de "melhorou, só que mais devagar" — e são justamente os dois que abrem o painel como destaque. A taxa de mortalidade por suicídio subiu 65% entre 2000 e 2024 (de 6,6 para 10,9 por 100 mil habitantes) — é a única piora isolada de todo o levantamento, e o Paraná piorou nesse indicador mais rápido do que o país como um todo. Os homicídios, por outro lado, caíram no Paraná (-18,7% desde 2000) — mas caíram mais rápido no Brasil, o que também classifica o indicador como "atrás do Brasil" apesar da melhora real. Não é um efeito de base, como na educação: é o único ponto do levantamento em que a segurança e a saúde mental pioraram relativamente ao resto do país, não só em termos absolutos.

O IDH-M do Paraná subiu de 0,650 para 0,749 entre 2000 e 2010 (+15,2%) — os únicos dois pontos que essa base do IPARDES oferece, já que o índice usa dados censitários e não é recalculado fora de anos de Censo. As três dimensões avançaram, mas em ritmos diferentes: Educação foi a que mais cresceu, de 0,522 para 0,668 (+28%), puxada pela escolaridade da população adulta (0,42→0,55) e pelo fluxo escolar da população jovem (0,58→0,73); Longevidade subiu de 0,747 para 0,830, com a esperança de vida ao nascer indo de 69,8 para 74,8 anos; e Renda foi a mais lenta das três, de 0,704 para 0,757, com a renda per capita subindo de R$ 638 para R$ 891. No mesmo período, a taxa de pobreza calculada por essa metodologia (diferente da série PNAD já usada no resto do painel) caiu de 18,9% para 6,5% da população.

Já o Índice Ipardes de Desempenho Municipal (IPDM) — que também combina renda/emprego, educação e saúde, mas é recalculado todo ano, não só em anos de Censo — tem uma trajetória mais longa, porém mais irregular. Na série referência 2010, a média simples dos 399 municípios paranaenses foi de 0,60 em 2010 para 0,74 em 2022 (+24%), com avanço na maior parte dos anos, mas sem crescimento linear — o índice oscila de forma bem mais visível que o IDH-M, ano a ano, refletindo conjuntura que um índice decenal não capta. O IPARDES também publica uma segunda versão, referência 2022, com metodologia revista e só dois anos disponíveis (2022 e 2023); as duas séries não são comparáveis entre si. E nenhum dos dois remonta a 2000: o IPDM só existe desde 2010, e o IDH-M, apesar de ter ponto em 2000, pula direto para 2010 — a próxima leitura censitária, de 2022, ainda não está nessa base do IPARDES.

O painel completo

Todos os 52 indicadores, com a série completa desde 2000, o recorte por governo (de Jaime Lerner a Ratinho Júnior) e a metodologia detalhada estão no painel interativo da Plural:

Ver o painel completo →

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

Todas as reportagens

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para Rosiane Correia de Freitas e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120

Mais em Política no Paraná

Ver todos

Mais de Rosiane Correia de Freitas

Ver todos

Conteúdo de parceiros