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Pesquisadores lançam livro sobre torcidas antifascistas no Brasil

Larissa Bezerra e Frank Antonio Mezzomo são autores do livro “Torcidas Antifascistas no Brasil: Futebol e Mobilização Política”

Pesquisadores lançam livro sobre torcidas antifascistas no Brasil
Os escritores Larissa Bezerra e Frank Antonio Mezzomo. Foto: Divulgação

“Tem uma percepção muito errada no Brasil de que política, futebol e religião não se discute. Mas tudo deve ser discutido, sim, com um debate civilizado”, diz a jornalista e professora universitária Larissa Bezerra, autora do livro “Torcidas Antifascistas no Brasil: Futebol e Mobilização Política”, da Edunespar, escrito em parceria com Frank Antonio Mezzomo.

O livro foi lançado no último mês e é resultado da dissertação de mestrado de Larissa, orientada por Frank, feita na Universidade Estadual do Paraná (Unespar). A pesquisa levou dois anos para ser sistematizadas dentro do Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento (PPGSeD). A publicação foi financiada com recursos da Fundação Araucária e recursos da Capes e pode ser baixada gratuitamente aqui.

Antifascistas

O estudo partiu de uma pesquisa em redes sociais, apontando torcidas antifascistas no Brasil e, depois disso, sistematizando os tipos de publicações feitas pelos torcedores. Para os autores, as arquibancadas também expressam identidades, conflitos sociais e posicionamentos políticos. Nesse contexto, as torcidas antifascistas aparecem como coletivos que procuram utilizar o futebol como instrumento de mobilização e intervenção na sociedade.

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O estudo analisou quatro grupos: Coletivo Democracia Corinthiana, Santos FC Antifascista, Palmeiras Antifascista e Bonde do Che, ligado ao São Paulo. A escolha levou em consideração a visibilidade e o engajamento desses coletivos nas redes sociais em 2020, período considerado pelos pesquisadores como um ponto de inflexão para a atuação política das torcidas.

A pesquisa foi desenvolvida em 2020, em meio à pandemia, então havia um momento político muito efervescente. Um dos episódios analisados é a série de manifestações realizadas em São Paulo em maio e junho de 2020. O livro registra a participação dos quatro coletivos em atos pela democracia. Os grupos adotaram estratégias diferentes, mas tinham como ponto comum a oposição aos atos de caráter neofascista e de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Outro ponto que identificamos é também as pautas sociais, além do antifascismo: as publicações têm bastante coisa contra o racismo, coisas feministas, pelo direito da população LBGTQIA+”, destaca Larissa Bezerra.

Trazer a dimensão política das torcidas também é um desafio no sentido de ir contra o estereótipo criado pela sociedade a respeito dos torcedores. “Muita gente pensa que os torcedores são alienados, que as organizadas só saem para brigar, e que essas pessoas são despolitizadas, mas a pesquisa demonstra justamente o contrário. O futebol é um espaço de resistência”, diz.

A repercussão do lançamento do livro trouxe, por outro lado, a dimensão misógina de alguns torcedores. Primeiro muita gente criticou o fato da “mistura” de futebol com política, depois, homens questionando a qualificação da pesquisadora para publicar um livro a respeito do futebol. “Sempre tem o ‘vai lavar louça’ ou ‘explica a regra do impedimento’. São homens que tentam descredibilizar uma pesquisa sobre futebol porque não acreditam que haja torcidas antifascistas ou também que acham que futebol não é para mulheres”.

Críticas ao “futebol moderno”

A pesquisa também mostra que a mobilização política passa por uma crítica ao chamado “futebol moderno”. O conceito aparece associado à transformação do esporte em um produto cada vez mais orientado pela lógica comercial, com aumento dos preços dos ingressos, mudanças nos estádios e restrições às formas tradicionais de torcer.

O paradoxo é, ao mesmo tempo, o estereótipo do senso comum enxergar o torcedor como um alienado e, por outro lado, transformar o acesso ao futebol a um lazer inacessível para a classe trabalhadora.

A obra relaciona esse processo à elitização das arquibancadas. As reformas realizadas em estádios brasileiros para a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, alteraram espaços tradicionalmente ocupados pelos torcedores, extinguiram setores populares e ampliaram a presença de assentos e áreas destinadas ao consumo.

Para quem prefere a obra física, é preciso entrar em contato no Instagram (clique aqui). O valor é de R$ 65, mais o frete.

Sobre os autores

Larissa Bezerra é jornalista, especialista em Jornalismo Esportivo e mestre pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento da Unespar. Atua como professora no curso de Jornalismo da Unicesumar EaD.

Frank Antonio Mezzomo é professor da Unespar e atua nos programas de pós-graduação Interdisciplinar Sociedade e Desenvolvimento, História Pública e ProfHistória. Suas pesquisas abrangem temas como religião, política, cultura, memória, identidades e biografias.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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Assuntos: Esportes Paraná

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