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Prefeitura contrata três comunidades terapêuticas com dispensa de licitação

Edital prevê R$ 1 milhão para internações forçadas na cidade. Outras seis entidades estão sendo avaliadas

Prefeitura contrata três comunidades terapêuticas com dispensa de licitação
Primeira internação compulsória na cidade foi feita em janeiro Foto: Levy Ferreira/SECOM

A prefeitura de Curitiba vai contratar três comunidades terapêuticas com dispensa de licitação, pelo prazo de 12 meses, prorrogável por até dez anos, para o atendimento de pessoas em situação de rua internadas de forma compulsória na cidade. O total previsto no Edital 0001/2026 da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH) é de R$ 1 milhão paras as contratações. As entidades recebem R$ 1,8 mil mensais por vaga ocupada, mais uma parcela variável de R$ 200 condicionada ao “desempenho qualitativo”.

A primeira internação forçada na cidade foi feita no dia 9 de janeiro deste ano – uma mulher em situação de rua na Avenida Comendador Franco, a Avenida das Torres. A internação foi possibilitada pela Portaria Conjunta nº 2, de dezembro, que prevê a medida caso haja risco de "danos imediatos ou iminentes ao paciente ou a terceiro". A Portaria foi assinada pela Fundação de Ação Social e pelas Secretarias municipais da Saúde e de Defesa Social.

Ainda em janeiro, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) afirmou em entrevista que a cidade tinha 200 vagas para internações e que poderia contratar vagas em clínicas particulares ou comunidades terapêuticas. Em maio, o número de internados chegou a 78, segundo o balanço mais recente da prefeitura.

O Edital de Chamamento Público 01/2026 selecionou a Comunidade Terapêutica São José – Nova Jornada; a Casa de Recuperação Nova Vida – Crenvi; e a Associação Cristã de Apoio aos Dependentes Químicos – Boa Esperança. As três estão em processo de formalização dos contratos, segundo a assessoria da SMDH.

A Secretaria está avaliando a habilitação de outras seis entidades o chamamento público segue aberto, o que permite o credenciamento de outras instituições. O limite é a disponibilidade orçamentária de R$ 1 milhão para o programa.

Pagamentos

O Edital prevê o pagamento de R$ 1,8 mil mensais por vaga (R$ 60 por diária), mas pode chegar a R$ 2 mil (R$ 66,66 por diária), a depende da parcela variável de desempenho. Segundo o documento, o pagamento do bônus dependerá de análise de relatórios mensais de execução, verificação por amostragem de prontuários e registros de atendimento, registros de fiscalização contratual e visitas técnicas, com ou sem aviso prévio.

De acordo com a SMDH, a avalia envolve "reinserção social, qualificação para o trabalho, empreendedorismo e aproximação com oportunidades de inserção produtiva, além de ações comprovadas de prevenção ao uso de álcool e outras drogas, fortalecimento e reconexão dos vínculos familiares". A fiscalização também inclui análise dos registros e informações relacionados aos Planos Individuais de Atendimento (PIA), à ocupação das vagas e à evolução dos acolhimentos e desligamentos.

O tempo máximo de acolhimento é de 9 meses e o Edital prevê o atendimento de até 61 pessoas, com o pagamento de 16.666 diárias. A dispensa de licitação é possibilitada pela Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021), que permite contratações simultâneas de fornecedores do mesmo serviço, sem limite no número de prestadores selecionados – no caso, o limite é a dotação orçamentária.

FAS prorroga termos com quatro entidades

A FAS prorrogou os termos de colaboração com as quatro entidades que prestam serviços para a Fundação: Casa de Recuperação Nova Vida (Crenvi, também selecionada no Edital da SMDH); Casa de Recuperação Água da Vida (Cravi); Centro de Prevenção e Recuperação o Caminho a Verdade e a Vida; Projeto Fazendo a Diferença (Fazdi) e Associação Casas do Servo Sofredor.

O valor repassado às entidades é de R$ 1.266,00 mensais por pessoa acolhida. A assessoria da FAS informou que os termos foram prorrogados até a publicação de um novo credenciamento para contratação de Organizações da Sociedade Civil. De acordo com a FAS, o edital está sendo definido e ainda não é possível adiantar as regras do processo.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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