A Prefeitura de Curitiba contratou três empresas para digitalizar filmes do acervo da Cinemateca de Curitiba, ao custo de R$ 300 mil. As autorizações foram assinadas pelo presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Junior, e publicadas no Diário Oficial do Município desta segunda-feira (14).
O volume mínimo de material a ser digitalizado é de 20 horas, segundo o Edital 25/2026, que regeu a seleção. O trabalho, porém, não começa agora: a primeira etapa está prevista para dezembro de 2026, e as atividades das três empresas podem se estender até fevereiro de 2028.
O dinheiro sai do Fundo Municipal da Cultura e foi dividido em três modalidades encadeadas, cada uma com uma empresa e um teto de valor. A Filmes do Horizonte Produções Cinematográficas recebe R$ 110 mil pela digitalização, isto é, pela passagem da película pelo scanner. A Sete Cores Tecnologia Audiovisual fica com R$ 140 mil pelo tratamento digital de imagem, que inclui correção de cor e finalização. E o proponente Yanko Brero del Pino leva R$ 50 mil pela indexação, pelo armazenamento e pelo acesso, ou seja, pelo plano de preservação digital dos arquivos gerados. Os três valores correspondem exatamente ao teto de cada modalidade previsto no edital.
As etapas dependem umas das outras e foram espaçadas em três meses. A digitalização começa em dezembro de 2026, o tratamento de imagem em março de 2027 e a indexação em junho de 2027. Cada projeto tem prazo de execução de nove meses. O edital fixa que todas as atividades ocorram entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2028.
Quem escolhe os filmes é a própria Cinemateca
Um ponto do edital delimita o papel das empresas contratadas. Cabe à Cinemateca de Curitiba fornecer o equipamento de digitalização, os discos rígidos de armazenamento e, se necessário, as instalações físicas para o trabalho. É também a Cinemateca que seleciona qual material será escaneado e tratado. A inspeção prévia da película, com identificação de formato, verificação de encolhimento, avaliação do estado físico e localização de emendas e danos mecânicos, fica a cargo da equipe da Cinemateca, assim como a limpeza e a preparação dos rolos.
O edital também fixa parâmetros técnicos. A resolução mínima recomendada é de 2K ou 3K para películas de 16 milímetros e de 4K para as de 35 milímetros. Os arquivos de preservação devem ser capturados sem compressão com perda, com no mínimo 10 bits de profundidade de cor por canal, e a digitalização precisa respeitar a taxa de quadros original da obra, o que inclui bitolas históricas de 16 e 18 quadros por segundo. Para o armazenamento, a recomendação é a chamada estratégia 3-2-1: três cópias dos arquivos, em dois tipos diferentes de mídia, com uma delas guardada em local geograficamente distinto.
Todos os produtos gerados devem ser de acesso livre e gratuito, conforme determina o edital, comprovado por um plano de distribuição apresentado na prestação de contas.
Formação como contrapartida
Além do serviço técnico, cada empresa é obrigada a oferecer uma contrapartida social gratuita: uma masterclass ou oficina de no mínimo seis horas de formação técnica em digitalização e finalização de imagens, e duas bolsas de estágio durante a execução do projeto.
O desenho prevê um percurso. A Cinemateca realiza um curso de formação sobre reconhecimento e preparação dos filmes selecionados. Os alunos desse curso são automaticamente inscritos nas oficinas oferecidas pelas empresas e, depois, dois deles por projeto são selecionados como estagiários. Na prática, os mesmos estagiários participam da inspeção e da limpeza das películas ao lado da equipe da Cinemateca.
Podiam concorrer ao edital apenas pessoas jurídicas com sede em Curitiba, especializadas em pós-produção audiovisual, laboratórios de digitalização cinematográfica ou instituições com experiência comprovada em preservação audiovisual. Havia cotas para proponentes autodeclarados negros, indígenas e pessoas com deficiência. Na avaliação, a comprovação da capacidade técnica da empresa valia metade da nota, e só passavam projetos que atingissem ao menos 80% do total de pontos.
O edital destinou ainda R$ 29,5 mil que não vão para os projetos: R$ 17 mil para custeio de apoio à execução e R$ 12,5 mil para pagar o grupo técnico que analisou as propostas. Com isso, o custo total do edital chega a R$ 329,5 mil.