Pular para o conteúdo

Câmara de Curitiba deve aprovar expansão da Muralha Digital sem regras claras para armazenamento de dados

Em São Paulo, 17 mil câmeras privadas incorporadas ao sistema de monitoramento tiveram falhas no sigilo de dados

Câmara de Curitiba deve aprovar expansão da Muralha Digital sem regras claras para armazenamento de dados
A central do programa Muralha Digital: câmeras particulares serão integradas ao sistema. Hully Paiva/Secom

A Câmara Municipal de Curitiba deverá votar na próxima semana o projeto da prefeitura que autoriza a utilização de câmeras particulares à Muralha Digital, o sistema de monitoramento da cidade. A proposta recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em setembro e nesta terça-feira (3) foi aprovada na Comissão de Serviço Público, sem a prefeitura informar se houve consulta à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e Relatórios de Impacto à Proteção de Dados Pessoais (RIPD).

Nesta terça, a vereadora Vanda de Assis (PT) apresentou voto em separado na reunião da Comissão de Serviço Público, mas o projeto recebeu parecer favorável com todos de Amália Tortato (Novo), João Bettega (PL) e Zezinho Sabará (PSD). Vanda de Assis questionou se a prefeitura consultou a ANPD sobre a participação de operadores privados, se foi produzido um RIPD e quais serão os mecanismos de supervisão, auditoria, controle de acesso, segregação e custódia das imagens.

O projeto da prefeitura de Curitiba altera a Lei 15.405, de 2019, que criou a Política Municipal de Videomonitoramento. Um dos pontos questionados pela oposição é que ele não prevê como serão armazenadas as imagens, nem especifica suficientemente a cadeia de tratamento dos dados. O artigo 6º estabelece que "as configurações técnicas dos equipamentos, os critérios de armazenamento de imagens e a documentação exigida para a avaliação do licenciamento previstos no caput deste artigo serão objeto de regulamentação".

O projeto veda à administração pública "a disponibilização a terceiros de acesso a dados, informações e imagens dos sistemas de videomonitoramento, seja fisicamente ou por qualquer meio eletrônico".

Vazamentos em São Paulo

As preocupações têm fundamento: em São Paulo, a prefeitura já abriu duas investigações para investigar falhas no sigilo de dados no sistema Smart Sampa, similar ao Muralha Digital. Em outubro, o portal UOL informou que houve o vazamento de senhas que davam acesso a cerca de 58 mil câmeras de monitoramento. Nesta semana, o UOL denunciou uma falha no sigilo de dados de 17 mil câmeras.

O portal recebeu uma planilha com links de câmeras de empresas parceiras do Smart Sampa, o que foi confirmado pela prefeitura de São Paulo, que classificou o vazamento como "um novo ato criminoso de vazamento de dados sigilosos e confidenciais”. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que investiga o caso e que não há indícios de ataque ao sistema.

Segundo o UOL, a falha possibilitou o vazamento de imagens captadas por câmeras instaladas em locais privados, que ficaram disponíveis por cinco dias. Os locais incluíam endereços dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

300 câmeras privadas já foram incorporadas

Em fevereiro, a prefeitura anunciou que 300 câmeras com inteligência artificial, de três empresas de segurança privada, passariam a integrar a Muralha Digital. Vanda de Assis questionou nesta terça quais atos de autorização, licenciamento, termos de adesão, projetos técnicos e avaliações de proteção de dados respaldaram essas integrações, o que até agora não foi apresentado pelo Executivo. A prefeitura previa integrar 2 mil câmeras até o fim deste ano, o que não aconteceu.

A vereadora também solicitou informações sobre avaliações de impacto, registros das operações de tratamento, protocolos de identificação, procedimentos de revisão humana e mecanismos de auditoria fundamentam o uso da tecnologia. Ela solicitou ainda esclarecimentos sobre Termo de Convênio 104/2020, com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp), que previu integração de sistemas e compartilhamento de informações.

No início de outubro, o governo de Ratinho Jr (PSD) revogou o edital da terceira fase do programa Olho Vivo, que previa a instalação de 26,5 mil câmeras de vigilância e monitoramento em todas as cidades do estado. O pregão no valor de R$ 580.951.440 foi suspenso em abril por determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Newsletter

O que aconteceu em Curitiba e no Paraná hoje, em cinco minutos

De segunda a sexta, no fim do dia, direto no seu e-mail.

Sem spam. Você pode cancelar quando quiser.

Falta um passo

Enviamos um link para o seu e-mail. Clique nele para confirmar o cadastro.

Não conseguimos concluir agora. Tente de novo em instantes.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todas as reportagens

Mais em curitiba

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos