25 mar 2021 - 8h31

A busca por soluções

A falta de medidas mais eficientes em apoio aos mais impactados por esta crise já pode ser vista nas ruas da cidade, com a ascensão preocupante da miséria e a disparada da fome

A pandemia apresentou desafios jamais enfrentados pela nossa geração. Empreendedores, informais, gestores, comerciantes e trabalhadores da maioria dos setores se reinventaram para tentar encontrar caminhos em meio ao caos.

Na Câmara Municipal de Curitiba, atravessamos este momento da pandemia tentando encontrar um ponto de equilíbrio que traga a solução mais viável. Priorizamos a busca por ações concretas, imediatas, com a noção de que algumas situações estão no limite e não podem mais esperar.

Neste período em que o cenário muda a cada dia, a cada decreto e a cada nova onda, às vezes temos que rever posicionamentos e recalcular a rota. O momento pede que gestores e lideranças tenham flexibilidade para buscar o melhor entendimento. Neste processo, é fundamental admitir que ninguém tem a solução mágica e muitas vezes somos atropelados pela realidade, pela taxa de mortalidade e pelo fato de que o sistema de saúde chegou ao limite. É necessário ter responsabilidade, acompanhar as orientações dos decretos e incentivar a população a seguir também.

O prefeito Rafael Greca costuma dizer que a cidade é um pássaro de duas asas: a Saúde e a Economia. Concordo que não podemos escolher um lado, principalmente porque há uma relação direta entre as duas áreas.

Virar as costas para a economia é uma medida impensável, que impacta diretamente na vida de milhões de pessoas que dependem da renda diária para sobreviver. Por outro lado, debater a retomada econômica em meio ao olho do furacão que é um colapso na saúde é uma tarefa que exige cuidado e sensibilidade.

Em meio ao esgotamento do sistema de saúde, com a necessidade da vacinação em massa e de uma estrutura maior e mais adequada para o atendimento dos pacientes, não podemos esquecer da outra asa. Informais, comerciantes, empreendedores completaram um ano de incertezas sem grande ajuda do Poder Executivo. Para demonstrar a dimensão do problema: relatório divulgado neste começo de 2021, pela Secretaria de Estado da Fazenda, mostra que 60% dos pequenos negócios instalados no Paraná tiveram queda no faturamento. No cenário nacional, um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que durante a pandemia perdemos 75,2 mil pontos de venda.

É hora de ações e resultados práticos. Flexibilização nos impostos, parcelamento e prorrogação de débitos, crédito acessível e viável, além de auxílio para as pessoas e para os setores mais impactados são caminhos. Se, por restrições do decreto, não há margem para a retomada econômica plena, que exista uma política efetiva que apoie o pequeno empresário, o microempreendedor e quem está desempregado. E é neste sentido que temos atuado com a prefeitura de Curitiba. As contas de água, luz e todos os demais tributos não pararam de chegar durante este ano de pandemia. Queremos que essas contas sejam divididas com o setor público.

Quando trago este tema a esta coluna, me preocupo principalmente com a defesa da dignidade do indivíduo. A falta de medidas mais eficientes em apoio aos mais impactados por esta crise já pode ser vista nas ruas da cidade, com a ascensão preocupante da miséria e a disparada da fome.

Sem esquecer do colapso na Saúde, já passou da hora de o Poder Público oferecer ações concretas para apoiar quem já perdeu quase tudo nesta crise que parece não ter fim. É nossa obrigação trabalhar por esta reconstrução.


Para ir além

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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