Em tempos bicudos, frases definitivas - Jornal Plural
4 maio 2021 - 0h05

Em tempos bicudos, frases definitivas

De Paulo Francis a outros personagens que fizeram história temos registros que permanecem de modo indelével no nosso dia a dia

Depois de ler o Plural, é claro, e o noticiário do dia, há quem tenha recorrido a uma frase de Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, ele mesmo, que usava o pseudônimo Paulo Francis (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1930 – Nova Iorque, 4 de fevereiro de 1997):  

— O Brasil é um asilo de lunáticos onde os pacientes assumiram o controle.  

E tem outra, antecipando-se aos tempos de hoje:  

— A ignorância é a maior multinacional do mundo.  

Jornalista, escritor, crítico de teatro, ele iniciou sua carreira na década de 1950 como crítico de teatro do jornal Diário Carioca. Após o golpe civil-militar de 1964, trabalhou no semanário O Pasquim e no jornal Tribuna da Imprensa, comentando assuntos internacionais.  

Preso várias vezes e alvo permanente da censura e dos órgãos de repressão, mudou-se para Nova Iorque em 1971 – onde passou a atuar como correspondente de jornais, revistas e televisão. Sempre fulminante com suas frases.  

Aliás, como já disse Vinicius de Moraes, “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. E, com a devida licença do poetinha, a política também não deixa de ser uma arte do encontro, embora haja tanto desencontro por aí. Coisas altamente previsíveis.  

Mas, hoje, tempos mais do que sombrios no cenário brasileiro, é aconselhável pular para outros personagens que entraram para a História. Pelo bem e pelo mal.  

— O único ditador que eu aceito é a voz silenciosa da minha consciência.  

Mahatma Gandhi  

— Não possuímos direito maior e mais inalienável do que o direito ao sonho. O único que nenhum ditador pode reduzir ou exterminar.  

Jorge Amado  

— Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.  

Getúlio Vargas.  

— Sinto-me feliz, todas as noites, quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranquilizante após um dia de trabalho.  

General Emílio Garrastazu Médici, durante a ditadura civil-militar de 64.  

— A corrupção é o cupim da República.  

Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte de 1988.  

— De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.  

Ruy Barbosa  

— O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.  

Millôr Fernandes  

— Leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem sua trama e escapam.  

Sólon  

— O processo ditatorial, o processo autoritário, traz consigo o germe da corrupção. O que existe de ruim no processo autoritário é que ele começa desfigurando as instituições e acaba desfigurando o caráter do cidadão.  

Tancredo Neves  

— É a maldição do ofício: as promoções se obtêm só por pedidos e amizades, não pelos velhos meios em que herdava sempre o segundo o posto do primeiro.  

William Shakespeare  

— Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão.  

Eça de Queirós  

— Que sorte para os ditadores que os homens não pensem.  

Adolf Hitler  

— Viver é perigoso.  

Riobaldo, em Grande Sertão: Veredas, de Graciliano Ramos.  

Darcy, Niemeyer e o amigo índio  

E temos ainda o registro um diálogo. Tempos atrás, Museu Oscar Niemeyer, o Museu do Olho, em Curitiba. Darcy Ribeiro, acompanhado de um amigo índio, conversava com Oscar Niemeyer. Um papo muito sério, profundo, da política à filosofia e ao cotidiano do cidadão comum. O índio, só na escuta, quieto, caladão. Lá pelas tantas, Darcy quis saber o motivo do silêncio do amigo. A resposta, quase acompanhada de um bocejo:  

— Estou com preguiça…  

Darcy era mineiro de Montes Claros; Niemeyer, carioca; o índio, descendente do bravo povo Pankararu, Pernambuco.  

E por aí vamos até maio de 2019, quando o Papa Francisco enviou uma carta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político em Curitiba. No texto, o Pontífice manifesta solidariedade e pede que o ex-presidente não desanime e siga confiando em Deus.  

 — O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a Salvação vencerá a condenação.  


Para ir além

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do Plural.

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